Apollo, o Deus grego que trazia e levava embora o Sol na sua carruagem, patrono da música e da poesia, foi usado como inspiração para o projeto espacial mais famoso de todo os tempos o projeto Apollo que com sucesso fez dois americanos pisarem na lua, mas esse Deus grego aparentemente também inspirou a alcunha desse produtor brasileiro um pioneiro da chamada “nova MPB” que resgata ritmos clássicos e os trazem para a degustação das novas gerações.

Após o lendário são paulo confessions do finado Suba, uma nova onda de experimentação musical pipocou no Brasil, sendo um dos seus primeiros frutos esse album de 2005/2006 cheio de participações especiais como a já ilustre CéU, o agora “bacana” Seu Jorge, Fred 04 do Mundo Livre S/A e Pupilo da Nação Zumbi. Com esse elenco é difícil fazer um trabalho ruim, mas Apollo é quem dá o tom ao trabalho.

Com uma preferência de utilizar sons mais sofisticados, relaxantes, com aquela levada que hora lembra o jazz, hora a bossa e na parte eletrônica o downbeat do trip-hop e da ambient music criando uma obra única, que não tem espaço nas rádios atuais, mas mostra que há um bom tempo existe inovação no meio musical brasileiro, mas a necessidade da rentabilidade torna esses sons marginalizados do grande público, a internet está aí, para se não combater essa tendência emburrecedora da música, pelo menos para dar voz a alternativa.

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Obs: Link retirado da A Musicoteca

Eu já apresentei o Asian Dub Foundation há um tempo aqui no blog, mas sinto que o A History of Now é um album mediano comparado aos trabalhos anteriores desse grupo, por isso resolvi dar um destaque a mais para o album que precedeu a transformação deles em sensação pelo mundo o RAFI, que foi lançado só na frança que foi depois revisto e lançado como RAFI’S Revenge para o resto do mundo e provavelmente você já deve ter ouvido alguma das músicas em algum lugar, suas canções e batidas são constantemente usadas em outras mídias como cinema e jogos.

Aproveite essa obra prima da música como instrumento político

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yuck

A busca no passado pela sonoridade do futuro é a maior rotina da música atual, o pessoal já está espremendo pra conseguir tirar algo dos anos 60 e 70, os anos 80 estão sempre aí pelas músicas retro-futuristas e finalmente uma década envelheceu e começa a ter seus próprios filhos.

A sonoridade descompromissada dos anos 90 com o pessoal andando de camisa de flanela, jeans rasgado e com a resposta pra todos os problemas do universo: “Faça o que você quiser, nada é importante mesmo”,Gerou um monte de adolescente pós-modernista que consegueriam (talvez pela última vez) juntar o pensamento coletivo da massa jovem dos EUA.

Então por que com Kurt Cobain morto, o Smashing Pumpkins sendo uma sombra do que era e Eddie Vedder só querer saber de Ukeleles motiva um pessoal a buscar essa sonoridade? Saudosimo, essa merda que faz tiozinhos casados e com filho quererem reviver seus momentos de glória de roqueiros e entre outras coisas embaraçosas.

Mas apesar disso esse revival dos anos 90 traz “homenagens” com valor próprio e o Yuck se encontra nessa área que busca novos caminhos em trilhas já caminhadas diversas vezes. Assim eles juntam tudo que aprenderam ouvindo Dinosaur Jr., Pavement, Silversun Pickups e fazem seu som se destacar no mar de albums de 2011, talvez copiando até demais esses caras, mas nada que comprometa esse excelente cd de estréia, uma das melhores de 2011 e acredito que tenham um futuro brilhante se souberem dosar a reconfiguração de suas influências com um som mais autoral.

Ouça:

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Kasabian é um caso curioso da prolífica cena alternativa britânica, estão já há um tempão na estrada, tem uns 3 albums muito bons e uma base de fãs sólida, mas nunca estouraram de verdade para o grande público, ficando na sombra de outras bandas como o Arctic Monkeys, Franz Ferdinand e o Kaiser Chiefs. Isso se explica principalmente por terem começado como uma banda que experimentava bastante, mas temos uma obrigação aqui no ventiladores de corrigir esses “desvios” e mostrar o trabalho de bandas boas.

O Kasabian soube misturar influências diferentes para alcançar novos ares da música, mas sempre mantendo um dos pés firmes no rock, a partir disso eles misturam eletrônica, synth pop, psicodelia e até hip-hop, que resultam numa estética que agrada tanto a pista de dança, quanto o som do seu computador.

Com seu último lançamento Velociraptor! eles abandonaram um pouco o experimentalismo e partiram pra um album com canções bem radiofônicas, mas sem perder a qualidade, algo que parece cada vez mais impossível devido aos artistas “capa de revista teen” que apelam pra repetição infinita de sons grudentos.  O Kasabian mostra como fazer um album agradável e viciante, bem diferente do que se costumar ouvir e ao mesmo tempo acessível para o ouvinte descompromissado.

A estrutura das músicas é o prato principal do album, você vai ouvindo a canção que vai construindo um desenvolvimento familiar aos ouvidos, que provavelmente vai alcançar um clímax no refrão; você pensa com seus botões, mas então a canção te pega de surpresa e te leva a uma outra direção inesperada, que contenta mais do que se a estrutura tradicional tivesse sido mantida, aí que está o charme do Kasabian, você acha que entendeu a pegada e eles te aplicam uma nova forma de completar a canção que você não teria pensado inicialmente.

Fica a dica de um album que passou despercebido em 2011 mas é altamente recomendável.

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Ventilar é preciso! Hoje trago à luz um post nada menos do que especial ou mesmo fantástico!

Danger Mouse, a lenda viva! Esse homem de muitos talentos e que já foi citado em muitos posts desse blog como Dark Night Of The Soul, Broken Bells e El Camino volta a atacar com mais um trabalho de qualidade excepcional, dessa vez ao lado do compositor italiano de trilhas Daniele Luppi para darem vida a um western, sim! o álbum é um filme! <Ennio Morricone aplaudindo> hahaha!

Crianças, antes de aventurarem-se por Rome, entendam, o álbum é mais do que algumas músicas em sequência, é um daqueles momentos de completa epifania que chamamos de Arte. A intenção é de ambientar a tragicidade, a poesia e o ritmo épico de um faroeste em forma de música, existe um nome que soube fazer isso como ninguém: Ennio Morricone! Mas Danger Mouse chegou lá também.

Mas Danger e Daniele não estavam produzindo uma trilha sonora, o que fizeram? Encontraram os músicos das trilhas do Ennio (apelando um pouco) e gravaram os instrumentos, mas somente os instrumentos, com isso criaram a atmosfera necessária. E então? Chamaram alguns amigos para versarem suas composições e é ai que entram Jack White (White Stripes) e Norah Jones! (apelando muito).

O álbum simplesmente fluí pelos ouvidos com um a finesse já conhecida do Danger Mouse, mas algumas curiosidades sobre as gravações explicam a liquidez e naturalidade das músicas, os instrumentos foram gravados em um período de 5 anos em sessões esporádicas no lendário Forum Studios em Roma (mesmo lugar que o Ennio gravará), já os vocais do Jack White foram gravados em um gravador portátil enquanto ele andava de carro ouvindo os instrumentais, capisce?

Sem mais, é um obra de arte para apreciar-se tanto quanto um álbum para escutar, deleite-se.

 

 

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É com muita felicidade que apresento o album de estréia do The Baggios, que nós do ventiladores já estávamos de olho faz bastante tempo, eles entraram de cabeça em turnês do circuito alternativo do Brasil inteiro e parecem estar ganhando finalmente o merecido reconhecimento.

O The Baggios é a aposta brasileira do Blues Rock, arriscado por sinal devido ao anacronismo que é o rock nacional, de um lado tiozões do classic rock com a cabeça mais fechada que coco verde e do outro jovens afeminados querendo cortar os pulsos/ se vestir de cores berrantes.

O que o The Baggios traz é uma proposta semelhante ao que fazem o Black Keys e o White Stripes, modernizar o passado, pegar o blues e turbiná-lo como grandes nomes já fizeram: Led Zeppelin, Cream entre outros, mas como bons brasileiros eles trazem as influências do maluco beleza e uma pegada suja de garage rock, que inspira as letras de espírito jovem e meio inconsequente.

O album ficou mais refinado que o som original dos caras, o que eu acho uma pena, por que metade da graça está na pegada suja da guitarra, mas mesmo assim não desaponta, quem sabe eles não encontram o produtor certo (um danger mouse da vida) no futuro que saiba balancear as duas características e faça o som deles ir ainda mais além.

Ouça:

Baixe: http://www.thebaggios.com.br

Esse post é mais um oferecimento da coletânea: “coisas que já deveriam ter sido postadas” e como sempre não tenho um motivo decente pra justificar o descaso com tamanha qualidade musical dessa moça de olhos cor de mel e sotaque pernambucano.

Essa baiana de origem mas pernambucana de todo o resto, cresceu sobre a influência do maracatu e dos sons tradicionais do nordeste, mas como todo bom artista do séc XXI soube unir a tradição com a inovação de outras influências como o jazz, o rock,  a MPB e o som eletrônico que hoje é item tão comum quanto o trio baixo, bateria e guitarra, até “banda de garagem” tem técnico de som prafazer os efeitos, vai entender.

Acredito Que Karina gosta de unir coisas opostas, ela com essa carinha de menina do campo se veste como uma mistura de Lady Gaga e roqueiro da década de 80 e canta inocentemente “eu sou uma pessoa má, eu menti pra você” faz o mainframe encefálico dar uns tilts nervosos, afinal por que ela não decide se quer ser agressiva ou meiga? por que Karininha é um ser orgânico instável não uma personagem de desenho animado bom/mau não serve pra ela. Essa desconstrução que faz dela tão interessante.

De canção de amor graciosa ela pode ir pra um hardcore ou um cuban jazz como quem troca de roupa, no primeiro trabalho ela explora o lado mais boa moça, mas tem seus momentos de mostrar o dedo do meio como no funk tirando sarro da lei Rouanet Ciranda Do Incentivo, que  faz as empresas investirem em artistas que promovem a cultura, principalmente a tradicional/nacional, mas depois de produzido não há ninguém que queira comprar, enquanto que ninguém patrocina por exemplo um funk que venderia bem, fazendo artistas viverem de patronagem de empresas.

Eu Menti Pra Você é um album mais instrospectivo e mais autoral, enquanto Longe de Onde serve como a consolidação do trabalho de Karina Buhr sendo o repertório mais perfomático, característica marcante dos shows da moça que adora “causar” ao longo de suas apresentações, assim os dois albuns são como o dia e a noite, o primeiro serve melhor pra se ouvir sozinho curtindo cada canção, enquanto o segundo serve como um pocket-show para ser ouvido por várias pessoas.

Não perca seu tempo caro leitor, vá ouvir logo os dois cds, eu ainda iria falar sobre a banda de apoio mais foda do circuito alternativo com Guizado no Trompete, Scandurra e Catatau nas guitarras, bom já falei, ouça logo.

Ouça:

Baixe: Longe De Onde
Eu Menti Pra Você/Trama Virtual

Imagine se a banda mais bonita da cidade fosse menos papo e mais ação? contassem com músicos talentosos boa produção e ainda conseguisse trazer a mesma alegria “we are the world” mas sem se ficar piegas? você teria Tono, A banda mais original da cidade.

Espetadas a parte, nada que você ouve solto por aí pode te preparar pra insanidade do que esses caras fazem ao longo de 12 faixas, a cada música ouvida parece que eles alongam um pouco mais o alcance dos ritmos que eles vão explorar, começando com canções mais fáceis de degustar e se você prestar atenção já se vê os diferenciais na utilização de synths misturados com samba rock e power pop, mas quando se chega na cantada em inglês So In todo o esquema muda para um jazz/dub misturado com eletrônica lembrando o som feito pela CéU, e a doidera continua com acid jazz, que cai pra surf rock, que volta pra balada romântica, que vira tecnobrega e finaliza com rock alternativo. UFA! achei que não ia acabar mais.

Isso sem  falar nas letras espertas fugindo da obviedade, tirando sarro de forma sutil em Me Sara e o Samba do Blackberry um conto moderno sobre a obsessão feminina com o celular, eles ainda conseguem ser românticos e fazer canções despojadas de maneira autêntica estilo brasileira, sem ficar apelando para imitar o som estrangeiro que tanto se faz no rock nacional e falham miseravelmente.

O Tono é o que mais se aproxima de uma intenção de fazer músicas sem amarras de gênero que tanto engessa a produção nacional, infelizmente eles não têm metade da exposição que outras bandas têm, mesmo assinando com a oi novo som e já terem tocado no SWU. Quem sabe 2012 não é o ano deles estourarem não? a qualidade do trabalho já é garantida, falta só o reconhecimento do público.

Ouça:

 

 

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Baixe: Media Fire (link retirado do hominis canidae)

Reescrevi mentalmente esse post umas 3 vezes, como não tive tempo de escrever de primeira minha idéia de texto fugiu e não vou conseguir ficar satisfeito com nada que eu escrever aqui, mas como eu quero postar a banda vou escrever um parágrafo de bobagens sobre minhas impressões da banda e vocês se atenham a ouvi-lá por que…. bom por que a intenção desses textos é apresentar bandas legais pra você ouvir.

Pegue a estética futurista do anos 70 mas aquela parte bem trash do “coisas aliens futuristas são todas prateadas e fazem barulinhos metálicos/eletrônicos legais” coloque vocais que não dizem muita coisa mas que combinam com os riffs da guitarra, imite o desleixo proposital do proto-punk do stooges mas com a intenção de soar ainda mais “cool”, aliás coloque modelos nos seus clipes fazendo coisas “cool” enquanto no fundo toca o som psicodélico lo-fi mais legal do ano de 2011, ISSO é Unknown Mortal Orchestra, uma banda fingindo ser uma banda imaginária dentro de um sonho do vocalista neozelandês Ruban Nielson, doido né? muito doido.

 

Ouça:

 

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Hey ventilados. Hoje eu vou fazer um post um pouco diferente, vou falar sim sobre música, sobre uma banda e seu álbum mas, se me  permitem, vou colocar um pouco de cultura e uma paixão particular na mesma cesta. Deal?

Old Crow Medicine Show é uma banda de alt folk de Nashville, Tennessee, terra natal da música country e também de alguns nomes interessantes como o Black Keys (post anterior), Johnny Cash e Jimmy Hendrix! O.C.M.S. é também um exemplo de virtuosidade musical, mas sua música é muito mais de raiz ou “redneckish” como diriam os americanos.

Essa raiz da qual eu falo pode parecer aos olhos desatentos apenas um monte de caipiras americanos dirigindo caminhonetes, bebendo cervejas e atirando com winchesters, mas foi e é fonte de inspiração para muitos artistas. A plasticidade estética, a luz castigante, o purismo das paisagens ou até mesmo a personalidade passivo agressiva desses “caipiras” tem um aura inspiradora e não é por conta de toda a mitologia dos westerns,  até porque os melhores foram filmados na Itália, é algo mais que eu não sou capaz de colocar em palavras, mas muitos transmitiram em suas músicas e alguns foram capazes de capturar em fotografias, que eu gostaria de partilhar como kuddos de cultura para você transeunte.

Walker Evans – Fotografo nascido em Missouri e radicado em NY, foi contratado pelo governo americano para documentar os efeitos da depressão no sul dos EUA.

Dorothea Lange – Mesma história do Evans, porém seus trabalhos mais famosos foram sobre os impactos da Dust Ball, um desastre natural na época da depressão que obrigou centenas de pessoas a mudarem do sul para a Califórnia.

Talvez você ainda ache que são só um bando de caipiras, mas existe uma cultura única e nela está um estilo de música muito especial que  foi raiz para o blues, o folk, o country e até mesmo o rock e O.C.M.S. bebe na fonte dessa raiz e nesse álbum mostra como colocar um violino e um banjo para funcionar, com direito a interpretações de clássicos do pós-guerra e composições geniais, fix ya self a kool-aid and chill to this heck of sound boy!

Ouça: Wagon Wheel / Hard To Tell

 

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