Matthew E. White – Fresh Blood (tweet post)

Depois da belíssima estréia de Matthew com Big Inner, somos presentados com outro disco fantástico. Muito bem elaborado e rico em detalhes minuciosos, Fresh Blood é uma continuação digna para a discografia do cantor que se destaca por sua sonoridade madura e suave, misturando Soul, Gospel e ritmos Africanos arranjados para emocionar o ouvinte.

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Spank Rock – YoYoYoYoYo

Esse disco é claramente um caso de recorrência histórica, tanto num nível individual quanto universal. Calma, vou explicar em mais palavras:

Em 2007 tive a oportunidade de assistir um show do grupo no saudoso Tim Festival. Apesar da intensa energia do grupo tocando ao vivo, capaz de animar a platéia em meio a um sol forte e pouco familiar com suas músicas, eles me passaram como um mero passatempo para os shows principais de Bjork, Arctic Monkeys e Killers, semelhantes a fogos de artifícios que criam aqueles clarões bonitos e barulhentos, mas que acabam rapidamente. Eu estava preocupado demais se Alex Turner e sua banda tocariam ou não Perhaps Vampires Is Too Strong para perceber as rimas cheias de veneno e obscenidades do grupo.

E não era só eu que subestimava o som do Spank Rock, o disco de estréia do grupo YoYoYoYoYo fez antes e melhor toda a cena de Electro-hip hop que vemos em 2013/2014 tocando nas rádios e baladas. A grande sacada do grupo é que eles  pegam todas suas influências e as levam a outro nível de loucura,  os graves alucinantes aprimorados do Miami Bass e Breakbeat, a batida e refrão característicos da house estão acompanhados de letras de deixar funkeiro carioca parecendo cantor de gospel. É  também impressionante como as músicas grudam fácil, fazendo você querer balançar a cabeça ao movimento das batidas enquanto o resto do pessoal enlouquece ao estilo Harlem Shake.

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The Soundcarriers- Entropicalia

O baú de novidades do Ventiladores traz mais uma pequena notável banda o Soundcarriers

O título do album Entropicália já entrega uma grande influência do grupo: o movimento da tropicália, mas a versão bem internacional da coisa, já que os integrantes são todos do Reino Unido, o que acaba por resumir as semelhanças no experimentalismo sonoro e uma boa dose de psicodelismo, mas esse distanciamento também reflete na vontade de levar o som dos anos 60 a novos ares, misturando-o a elementos modernos de Dream Pop com texturas e timbres complexos. Também é possível ouvir ecos de sons progressivos como Can, Jethro Tull e  Mutantes. Um disco não necessariamente imperdível mas excelente em sua proposta.

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Madlib – Shades Of Blue


Há muita mística envolvida quando se fala de jazz, ele é logo associado a virtuosismo musical  e de díficil “digestão”, o que nada é mais que um preconceito por falta de contato mesmo com os discos icônicos do gênero e uma certa preguiça mental que leva a ouvirmos as mesmas canções de novo e de novo e de novo…

O jazz que eu estou falando aqui é aquele que toca os sentimentos, nos transmite sensações e possibilita conectar os músicos com os ouvintes. Uma música pop pode fazer o mesmo de forma muito mais simples e eficiente, mas perde-se toda a originalidade no processo, sacrifica-se profundidade e  a excepcionalidade da arte em prol de um refrão memorável.

Poucos souberam fazer um jazz que misturasse a apreciação sonora com sucesso comercial. Desses os meus favoritos e de muita gente são os discos produzidos pelo selo Blue Note Records, que além de contar com artistas do naipe de John Coltrane, Sonny Rollins, Art Blakey e Donald Byrd possuia técnicas de gravação únicas que tornavam as gravações carregadas e cheias de presença, ao contrário do costumeiro som “espaçado” de outros discos de jazz.

A mitologia que envolve esses músicos do jazz perdura até hoje e diversos artistas contemporâneos como A Tribe Called Quest, The Roots e Dr. Dre adoram samplear músicas da Blue Note, mas Madlib resolveu criar um disco inteiro de músicas com samples do catálogo misturados com batidas de hip-hop e música eletrônica pra fazer um disco muito foda e que ainda conta com alguns curtos depoimentos dos artistas, experimente o fino do jazz de forma diferente, garanto que você vai gostar.

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Sun Kil Moon – Benji

Existem alguns artistas que você fica se perguntando: Porque ficam rasgando seda pra esse cabra? Você ouve, ouve mais um pouco, lê sobre o assunto, pede a opinião dos outros, e a pergunta continua lá como um mosquitinho chato de verão te incomodando enquanto você tenta assistir tv ou dormir.

O fato é que eu nunca tinha entendido qual era a desse Sun Kil Moon, meio que resumindo é o que sobrou do Red House Painters, uma banda indie de pop/rock com aquele som triste bem anos 90 e fãs em números reduzidos mas definitivamente fiéis. O nome é  interessante, uma homenagem ao boxeador sul coreano Moon Sung Kil ou Sung Kil Mon campeão mundial dos pesos galo, aliás o boxe é uma grande inspiração para algumas das letras do vocalista Mark Kozelek, que adora falar de coisas bads, como morte (principalmente de boxeadores jovens), memórias traumatizantes, tragédias e decepções.

Aí que eu entro e falo que ele passou dessa fase tensa e agora lançou um disco lindo sobre o amor e os prazeres da vida e por isso resolvi postar esse disco sensacional, bom na verdade não, praticamente todas as canções de Benji falam sobre alguém que morreu ou está morrendo, isso deixa o clima do disco tão mórbido que ele chamou o disco de Benji que é o nome de um filme bonitinho de um cachorro que salva duas crianças, bem sessão da tarde pra dar uma animada no disco, mas o que surpreende é que ao invés da depressão tomar conta do clima do disco parece que o contrário acontece, você cria uma empatia enorme com as descrições dos personagens de Kozelek, suas paixões, suas ambições, hobbys e as pessoas que fizeram parte dessas vidas que terminaram.

Você chega a se sentir um intruso ao ouvir declarações tão íntimas sobre a personalidade de alguém que você nem conhece, tamanha a capacidade de transmitir sentimos da banda, aí que eu entendi qual o burburinho todo sobre esse cara, canções como I Can’t Live Without My Mother’s Love e Dogs são um soco no estômago, peças dignas de grandes nomes como Neil Young, Patti Smith, Bob Dylan e Lou Reed. A diferença é que esses artistas costumam colocar 2 ou 3 canções íntimas em meio a um disco com outros tipos de temas explorados como baladas e canções pops, o Sun Kil Moon resolveu fazer um disco inteiro nesse formato de canções íntimas. O resultado é pesado como díficilmente você verá por aí, não há uma busca por universalidade ou por arquétipos, você poderia ter conhecido essas pessoas ou não, o particular é mais importante e por isso é genial.

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John Wizards – John Wizards

Limites geográficos nunca foram um impedimento para o Ventiladores afinal, estamos na internet, distâncias de milhares de kilômetros são preenchidas em meros milisegundos , mas os limites culturais são bem mais delicados, é muito complicado interpretar a sociedade alheia com seus costumes e tradições com um olhar de de um estrangeiro, especialmente quando se fala de África, um continente que a cada 2 passos você encontra uma situação diferente, o moderno e o tradicional em permanente interação ora conflitante, ora harmônico assim como o duo John Wizards.

A Cidade do Cabo na África do Sul foi o berço dessa parceria, que uniu o produtor John Withers e o vocalista Emmanuel Nzaramba  para condensar dezenas de influências num som autoral e divertido que ao mesmo tempo que consegue fugir de qualquer rótulo específico, acaba por cair no pavoroso rótulo de World Music, um termo pra descrever qualquer música que não é de língua inglesa, mas no caso do John Wizards não chega a ser pejorativo, pois eles realmente fazem World Music, eles vão desde o R&B tipicamente americano  até o pop oitentista europeu, mas em meio a isso você tem eletrônica moderna, ritmos africanos bem tradicionais  e até psicodelia africana por que não?

O disco é fluído e não possui altos e baixos, sendo suas 15 faixas ótimas, mas particularmente me divirto ouvindo Lusaka By Night ou África futurista, Muizenberg com sua guitarra distorcida e percurssão nervosa e iYongie que com seus sintetizadores e bateria eletrônica poderiam estar em qualquer disco do Grandmaster Flash, se você acha “o máximo” as influências africanas do Vampire Weekend, experimente a parada bruta que você vai se divertir ainda mais.

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Guilherme Kastrup – Kastrupismo

A música brasileira tem suas qualidades e seus defeitos, digamos que nem tudo nessa terra pode-se dizer que é feito com esmero e caímos muito na questão da diversidade sonora dita “popular”, mas não podemos negar que nossa música instrumental é uma das mais fodas que tem por aí, tanto no estilo quanto na técnica. Somos abençoados com artistas como João Donato, Hermeto Pascoal, Moacir Santos, Baden Powell, Antônio Carlos Jobim  entre muitos outros que tornaram-se refêrencias mundias de música de qualidade, mas como eu gosto de dizer para os meus amigos, tudo que é bom feito aqui no Brasil é para exportação, na música não é muito diferente.

Guilherme Kastrup conseguiu fazer uma das obras mais ricas de 2013 e não deixo de pensar que suas composições serão ouvidas muito menos do que merecem, mas estamos aqui para tentar espalhar música boa aos 4 ventos não? isso é Kastrupismo uma viagem à música popular brasileira, conectando o nordeste ao sudeste entre ritmos regionais, sons dos ecossistemas brasileiros e até batidas eletrônicas misturados a instrumentos clássicos. Tudo isso vem da cabeça do produtor e percussionista Guilherme Kastrup que já trabalhou com gente do nível de Chico César, Arnaldo Antunes e Gal Costa e agora lança seu primeiro disco autoral sem participações mirabolantes, mas de um olhar clínico de quem já faz seu ofício há muito tempo e tem uma relação íntima com a  música, sabendo o que quer com cada canção.

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