L’Orange – The Orchid Days

Não passo muito tempo sem ouvir Hip-hop eletrônico, é definitivamente um dos meus gêneros favoritos, especialmente quando se é utilizado samples antigueiras com classe, por que existe uma grande diferença entre um recortador de discos antigos e um produtor de novos clássicos, mais ou menos como uma criança pode fazer uma colagem de revistas e jornais e uma Hannah Höch e os resultados vão ter uma qualidade final bem diferente.

O L’Orange é uma dessas figuras bem internéticas: independente, valor de produção baixo e talento sobrando misturado com o hype de algum site legal, nesse caso o Bandcamp, proporcionou o ambiente ideal para as experimentações retrôs do cara. Inspiradas nos discos de jazz pré segunda guerra mundial e gravações de rádio antigas L’Orange parece criar uma trilha sonora para um livro/filme Noir mas as batidas e participações de Hip-hop levam o disco em outras direções bastante inesperadas, é como se o Tarantino resolvesse fazer um remake do Falcão Maltês, muito do gênero clássico estaria presente, mas a todo momento teríamos referências modernas que geram um resultado novo.


 

Compre: Bandcamp

Baixe: rutracker

 

Caspian – Waking Season

O Gênero mais controverso aqui do blog sem dúvidas é o post-rock, afinal é bem coisa de maluco ouvir uns caras pirando em distorções infinitas por dezenas de minutos, mas não é surpresa pra quem acompanha o blog, pois sabe que alguém, cujo passatempo, é ficar escrevendo sobre música para desconhecidos sem ganhar um centavo, não pode ter todos os parafusos no lugar. E é por isso que trago-lhes mais um album que nem todo mundo vai concordar que é sensacional mas é.

Por que esse discurso tão defensivo logo de cara? pois é preconceitos com o gênero levam a você ouvir coisas como “Ah Post-Rock é um som vazio e pretensioso” e “É legalzinho mas falta um vocal” aí você tem vontade de esmurrar o filho da puta, mas você se controla porque simplesmente não vale a pena, enfim é complicado vender a idéia principalmente por ser o feijão com arroz dos indies/alternativos, é o epíteto da banda fácil de montar e por isso temos uma quantidade de bandas que compromete a qualidade do que sai no gênero, mas ao separar o joio do trigo temos coisas do naipe de  Waking Season.

O Caspian resolveu estralar os dedos e mostrar com quantos paus se faz um album de post-rock enquanto desconstrói alguns dos clichês do gênero de forma maestral, sendo um album perfeito para apresentar a atmosfera e o poder de inspiração que o post-rock tem. Desde a canção título Waking Season, há a sensação e a promessa de algo grandioso e ao longo de 10 faixas eles entregam o que prometeram, uma viagem intensa e dramática, quase teatral acompanhadas de sintetizadores e distorções que farão você querer ficar no mundo do disco pra sempre.

Ouça:

Compre: Amazon

Baixe: Rockbox

Macaco Bong – This Is Rolê (tweet post)

A melhor banda de  rock instrumental brasileira lançou seu disco novo This is Rolê uma lição de casa de como fazer um disco bom e acessível, a única coisa que aparentemente não ficou legal foi a ordem das músicas que fazem o disco queimar todo o gás logo de cara, por isso recomendo ouvi-lo de trás pra frente, (sério) começando por Dedo de Zombie e finalizando com Otro, você terá aí um sucessor digno do já aclamado Artista Igual Pedreiro

Baixe: http://macacobong.com.br

Compre: Bandcamp (mínimo de $1,00)

Toe – The Book About My Idle Plot On A Vague Anxiety

Depois de tê-los apresentado ao Mouse on The Keys cheguei no album e na banda que considero estar num dos meus maiores achados, desde que eu criei minha conta no Last Fm em 2007.

Aqueles bons tempos em que o Last Fm era um site gratuito e focado em bandas menores. Um vale mágico para sair da mesmice da mídia musical tradicional e criar uma experiência de descoberta feita pelos próprios usuários, que instigava você a se aprofundar cada vez mais nos gêneros e sub-gêneros até você estar ouvindo math rock feito no japão.

 

 

Mais ou menos dessa maneira tropecei nesses 4 japas que me mostraram uma nova maneira de se tocar bateria e sua interação com a guitarra e o baixo. Vale lembrar que eles não foram os primeiros nem os últimos a tentar algo diferente nessa formação tradicional, mas eles alcançaram uma assinatura própria que os diferencia até de atos semelhantes como a bateria do Mouse on The Keys, que tem uma proposta muito mais catártica do que a introspecção do som do Toe. Aliás depois de ouvir o som do Mouse o Toe que já estava começando a ficar famoso chamou-os para participar de seu selo Machu Picchu.

O barato do Toe é que soa totalmente natural você estar ouvindo rock sem um vocalista, a música é tão envolvente que na verdade uma letra estaria atrapalhando sua concentração ao ouvir o desenvolvimento da composição. Neste album em particular não há nenhuma faixa cantada, mas ao longo de sua discografia as músicas cantadas foram aparecendo,  em suas maioria são reduzidas a complementar a harmonia e para os não entendedores do japonês isso é ainda mais fácil de ser feito, então entre no mundo hipnótico do Toe logo e divirta-se.

Ouça:

(não) Compre: Amazon
Baixe: Mediafire

 

Booker T. Jones – The Road From Memphis

Nunca ouviu falar de Booker T. and The M.G.s ? se você tem menos de 30 anos você está perdoado pelos poderes concedidos a mim através do Ventiladores. Como acontece com Herbie Hancock, eu provavelmente  escreveria uma biografia inteira se começasse a destrinchar a vida do cara, então vamos ficar com o básico.

Booker T. Jones ( Só T, o T não significa nada) é um multi instrumentista nascido em Memphis, Tennessee, terra do Rock’N Roll Baby e ficou famoso por sua colaboração no que ficou conhecido como Southern Soul, em que o foco da música é o seu “groove” e não as letras. Junto com seu grupo, o The M.G.s, obtiveram reconhecimento de todos os grandes artistas da década de 60 e adiante e suas colaborações, principalmente de Booker T no piano são clássicas e famosas na terra do tio Sam. Se você precisava injetar groove na sua música, você sabia quem deveria chamar.

Muitos anos depois a história é a mesma, Booker T,  famoso por suas versões instrumentais de canções pops volta com um album cheio de participações especiais, e mostra que a idade só permitiu que ele se tornasse mais minimalista em suas composições e arranjos, transformando hits do séc XXI em puro soul, inclusive arriscando alguns vocais.

O album abre com a excelente Walking Papers, que faz você querer ser um Pimp na década de 70 e andar com uma bengala cravejada de diamantes, se ele não te convenceu aí, espere a versão de Crazy começar pra decidir alguma coisa, afinal se a versão original já gruda, você praticamente quer cantar o refrão em voz alta toda vez que o orgão dá a deixa. Temos ainda as cantadas Representing Memphis com a Sharon Jones fazendo duo com Matt Berninger e The Bronx com um Lou Reed todo malandrão cantando sobre o lendário bairro novaiorquino.

Compre:Amazon
Baixe: Btmon
Ouça: Walking Papers / The Vamp / Representing Memphis