Moderat – II

Vasculhar a internet atrás de música é uma tarefa ingrata, Pra cada som original que conecta do jeito certo na química do seu cérebro, você ouve dezenas de som desinteressantes. Mas nada como um disco após o outro, parafraseando Mano Brown, para encontrarmos algo emocionante. Nesse caso um disco de um carinha já muito apreciado no blog, o grande Sascha Ring, ou seu nome de guerra Apparat.

Na verdade não podemos dar todos os créditos ao Apparat pois ele divide esse projeto com os produtores  Gernot Bronsert e  Sebastian Szary que juntos formam o Modeselektor um dos mais influentes duos de techno experimental do universo conhecido, resumindo são vários alemães malucos no mesmo lugar unidos em um mesmo propósito: fazer música eletrônica foda. Para isso eles deixam de lado seus projetos próprios para criar uma entidade separada com vida própria, uma almágama  do Modeselektor e o Apparat, apelidada propriamente de Moderat.

Essa colaboração mágica que foi cozinhada por anos e anos alcançou seu pico no sensacional II, um disco que possui muitos méritos, ele consegue ser acessivo e ao mesmo tempo extremamente elaborado,  extrapolando vários gêneros diferentes através de um som próprio que une o melhor da capacidade de Sascha em produzir sons e do Modeselektor em gerar beats condensadas em 11 músicas de explodir mentes, como a trágica Bad Kingdom que conta a trajetória de um homem que busca fugir das injustiças do sistema militar em que ele foi criado, se envolvendo com as artes e acaba caindo nos mesmos mecanimos cruéis que ele um dia tentou escapar, tudo isso contado através de ilustrações num videoclipe intenso.

O disco permanece cuidadosamente numa corda bamba tentando agradar o público de rave e os ouvintes mais introspectivos e o resultado não poderia ser mais satisfatório, ao ouvir a épica Milk você tem certeza que colocaram alguma coisa na sua água por que ela envolve até o cabra mais sisudo num transe profundo. Há ainda outros momentos intensos como o meio R&B meio glitch Hip-Hop de Gita e o deep house de Let In The Lighttodas com um fator replay excelente, que recompensa novas ouvidas com texturas que passam despercebidas e demonstram o elevado cuidado que a produção do disco tem.


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Los Sebosos Postizos – Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben (tweet post)

Já tinha adiantado esse projeto parelelo aqui, mas agora eles lançaram um album propriamente dito e não um bootleg de uma de suas apresentações ao vivo, consolidando 14 faixas com versões de canções de diversos albums do Zé Pretinho em especial as décadas de 60 e início da 70.

Imperdível para fãs de Jorge Ben e de música brasileira.

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Apollo Nove – Res Inexplicata Volans

Apollo, o Deus grego que trazia e levava embora o Sol na sua carruagem, patrono da música e da poesia, foi usado como inspiração para o projeto espacial mais famoso de todo os tempos o projeto Apollo que com sucesso fez dois americanos pisarem na lua, mas esse Deus grego aparentemente também inspirou a alcunha desse produtor brasileiro um pioneiro da chamada “nova MPB” que resgata ritmos clássicos e os trazem para a degustação das novas gerações.

Após o lendário são paulo confessions do finado Suba, uma nova onda de experimentação musical pipocou no Brasil, sendo um dos seus primeiros frutos esse album de 2005/2006 cheio de participações especiais como a já ilustre CéU, o agora “bacana” Seu Jorge, Fred 04 do Mundo Livre S/A e Pupilo da Nação Zumbi. Com esse elenco é difícil fazer um trabalho ruim, mas Apollo é quem dá o tom ao trabalho.

Com uma preferência de utilizar sons mais sofisticados, relaxantes, com aquela levada que hora lembra o jazz, hora a bossa e na parte eletrônica o downbeat do trip-hop e da ambient music criando uma obra única, que não tem espaço nas rádios atuais, mas mostra que há um bom tempo existe inovação no meio musical brasileiro, mas a necessidade da rentabilidade torna esses sons marginalizados do grande público, a internet está aí, para se não combater essa tendência emburrecedora da música, pelo menos para dar voz a alternativa.

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Mike Patton – Mondo Cane (tweet post)

Eu não exatamente acompanhei o rock in rio 2011,  mas como uma pessoa que presta atenção nas sugestões dos outros, fiquei curioso ao saber que o Mike Patton cantou com a orquestra de Heliópolis. Eu já sabia de alguns dos milhares projetos dele – pra quem não sabe quem é o Mike Patton ele ficou famoso cantando junto com o Faith No More, banda de rock/metal experimental – mas este  de  reinterpretar canções pop italianas da década de 50, 60  e 70 me era desconhecido.

O negócio por mais pastelão que pareça, ficou bom de verdade, ainda mais com a ajuda de Daniele Luppi  um dos grandes nomes atuais da criação de trilhas sonoras ajudando na criação dos arranjos pra transformar em uma verdadeira experiência auditiva esse album tão divertido e bem feito, dá até vontade de aprender italiano pra cantar junto as letras animadas.

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N.A.S.A. – The Spirit of Apollo

Boa noite Ventilados,

Recentemente vinha pesquisando coisas incríveis que são feitas usando Adobe FX e para minha surpresa o youtube trouxe um resultado não só visualmente foda, trouxe também um projeto musical MUUITO FODA que me deixou perplexo com sua obscuridade, falo de N.A.S.A. ou North America South America, uma idéia genial em forma de música!

N.A.S.A. surgiu de uma idéia de dois DJs, Zegon e E. Clean, que começaram produzindo juntos a partir de gravações raras de músicas brasileiras dos anos 60 e 70, toda a diversão tornou-se um projeto muito maior, a idéia era juntar grandes artistas de backgrounds musicais distintos para produzirem juntos, alguns nomes que figuram nesse projeto são Ol’Dirty Bastard (Wu-Tang Clan), Karen O (Yeah Yeah Yeahs), David Byrne (Talking Heads), Chali 2na (Jurassic 5), Lovefoxxx (CSS), Santogold, RZA, Kanye West, Tom Waits e outros… sacou mané?! Achou que eu tava puxando o saco? HA!

A proposta era provar que todas essas barreiras e fronteiras que criticamos, abraçamos, nos escondemos por detrás, são invenções e não deveriam nos separar, através da música o N.A.S.A. nos ensina que é possível crescer de forma colaborativa, basta deixar de lado os preconceitos. Amém!

E como os caras são fodões mesmo, só para dar um Overkill, chamaram fantásticos ilustradores e animadores para criarem videos tão singulares quanto as músicas desse album. Segue aí alguns…

Ouça: Grooveshark

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Não sabe baixar Torrents? não tenha vergonha seu analfabeto, ninguém vai saber se você usar nossa seção de HELP

Mr Oizo & Gaspard Augé(Justice) – Rubber OST

Ahh esses europeus, cada um mais louco que o outro, mas vira e mexe eles trombam no muro do limite da insanidade e prontamente quebram ele sem a menor cerimônia. Mr Oizo( pronuncia-se Mounsieur Wah-zoh) deve ter tido uma infância perturbadora, nenhum psicotrópico justifica tamanha viagem numa película de cinema.

Oi?… pera um pouco Rewinding (<<) para uma memória menos recente.

Fiquei pensando como descrever esse filme (Rubber) sem assustar o leitor, nenhuma idéia foi boa o suficiente então assiste ae:

Você viu o mesmo que eu vi? eu prefiro pensar que isso é coisa da minha cabeça. Ninguém em sã consciência filmaria isso é absurdo demais, mas esse é Mr Oizo, o cara por trás de outra divertidissima (e levemente menos absurda) peça que acabou virando uma série de comerciais da Levi’s protagonizado pelo carismático Flat Eric, Um Fantoche que curte uma música eletrônica viciante.

Esse produtor musical então resolveu fazer a trilha sonora do seu filme sobre sua roda de carro animada com poderes psiquícos que aliás tem até nome: Robert e chamou ninguém mais ninguém menos que outro “frito” da música francesa Gaspard Augé do Justice que já postamos aqui no blog. Qual o resultado? 30 minutos de puro ludismo eletrônico: Temos desde o som clássico do Mr Oizo até o bass alucinante do Justice e seus característicos crescentes, mas não falta experimentos com instrumentos tradicionais como violinos e pianos além de batidas completamente industriais e efeitos de conexão de telefone discado, daí eles voltam e resolvem pôr um beat por cima de um assobio e você já não sabe mais onde você parou porque o clima do album comeu seu cérebro e você fica se perguntando se sua mesa de jantar vai explodir sua cabeça.

Esses franceses pegam pesado, dá pra dizer que a França é o equivalente ocidental das loucuras dos japoneses, se você investigar muito a cultura “underground deles você vai acabar endoidando de vez. Grau 5 de letalidade, nível Lynch de maluquice mas ótimo pra esmagar seus neurônios, mas de uma maneira boa.

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Ouça: Everything Is Fake / No Reason /Rubber

Academia Da Berlinda – Olindance

“Adocica meu amor Adocica!…”

Ah esse meu nordeste!, esses sons latinos e africanos! o sangue caliente conquista o Ventiladores nesse post.

Exagerei um pouco no caliente mas tá valendo, temos um verdadeiro mix de sons aqui e claro que há um flerte com o brega e a lambada, mas temos sons muito mais legais nessa mistura e melhor! cantado em bom e claro português por nomes como Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), Fred 04 ( Mundo livre S/A) além de reforços instrumentais do Eddie e da Orquestra  contemporânea de Olinda.

Coco, Forró, Carimbó, Maracatu, Cumbia, Manguebeat, Afrobeat, Guaracha,Rock, Samba…. a lista é extensa e divertida como a banda, mantendo a tradição de fazer graça junto com crítica cultural e social do povo do hemisfério sul e ainda funcionar como música para dançar e curtir no vazio da sua casa, de fundo na reunião com os amigos ou ainda num amontoado de corpos humanos se trombando numa festa ao ar livre.

Olindance é uma brincadeira de resgatar sons bregas e trazê-los para uma perspectiva mais bem aceita pelo público “cool” e ao mesmo tempo enaltecer sons tradicionais de várias regiões, a proposta me lembra vagamente o Ozomatli.

Baixe e Ouça no Trama (De graça para você, remunerado para o artista): http://tramavirtual.uol.com.br/academia_da_berlinda.