The Baggios – Sina (tweet post)

Capa Sina

Minha dupla favorita de blues rock do Sergipe lançou em agosto seu segundo disco Sina, isso significa mais rock ‘n Roll brazuca da melhor qualidade, produto que é escasso e portanto deve ser apreciado.  Já cansei de rasgar seda para os caras aqui no blog, você pode ler mais sobre eles Aqui e Aqui, se já conhece os caras continue ouvindo então que Sina é muito bom, equilibrando canções pauleiras com outras mais tranquilas no estilão deles de modernizar o passado e antropofagizar as influências americanas, coisa que muitas bandas esquecem de fazer e acabam sendo pastiches do que é feito lá fora, viva The Baggios e seu jeito único de tocar.

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The Murlocs – TeePee EP

O continuum é uma parada engraçada.

Eu poderia encerrar o texto aqui e botar o botão do play logo, seria inclusive melhor porque você não precisaria nem usar o scroll, e eu poderia parecer intelectual, um letrado em metafísica, mas não, prefiro perder um pouco do tempo que não mais me pertence e escrever algumas bobagens para te convencer de que é uma banda legal, ignorando todas as alternativas óbvias que te trariam aqui, mais precisamente: (i) você ouviu aleatoriamente em algum canal muito bom no youtube e está procurando o link e todo esse monte de baboseira só te faz perder 0,7331s pra achar o que realmente procura; (ii) você de alguma maneira achou este nome pelo last.fm por conhecer alguma banda relacionada e muito provavelmente nada do que eu disser importará muito; (iii) você deve ser algum tipo de lunático pra se submeter a este tipo de bobageria digital, e se você se deixa influenciar pela opinião de quem vos escreve, como diriam os Racionais Opa, pera lá, muita calma ladrão. (iv) ou não, somente não, você é puristamente do contra e foi parido pra discordar. 

Agora, depois de ler esse monte de groselha e muito provavelmente concordar com o item (iii), fica a seguinte proposta:

Pense num rolê tipo com poeira de terra e umas bolas de feno e tal, quente, muito quente, quente suficiente para fazer um cactus dançar de frente para o horizonte ondulado, preso à terra seca mas mergulhado em uma torrente de vento fervente, tão quente quanto o forno que sua mãe assa o perú de natal. E ai sonorize essa pintura com gaitas, e aqueles violões e guitarras característicos que fazem o tempo parar logo depois que você se soltou por completo no encosto da sua poltrona, atonito, até uma voz longínqua e distorcida te chamar e começar a te trazer de volta, lentamente, e quando parece estar confortável estar no calor… Alguém abriu um buraco na porta do inferno, e você sente os tapas que o vento gelado espalha na sua cara. Liberdade. Só lhe resta agora um sentimento árido.

Escute na sequência.

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O continuum é uma parada engraçada, sacou?

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Rodriguez

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Ele segue sua apresentação em um bar mal iluminado e sujo, o som não está bom, o ambiente não é bom, as pessoas reclamam, mas ele permanece inabalado pelos assovios e desencorajamentos lançados a sua pessoa, nada vai impedi-lo de finalizar aquela miserável apresentação. Sua gravadora o abandonou, seu segundo album foi um fracasso retubante exatamente como o primeiro. Clarance Avant, dono da Sussex Records, dolorosamente caçoa do pobre homem dizendo que ele deve ter vendido uns 6 albums em todo o Estados Unidos. Ao final do show, Sixto Rodriguez agradece a platéia, despeja um galão de gasolina em seu corpo e se incendeia em frente a perpléxa platéia.

Outras versões dizem que Rodriguez teria dado um sorriso aos presentes enquanto puxava o gatilho do revólver ou ainda que ele teve seu fim numa overdose na cadeia, ninguém sabe ao certo o que realmente aconteceu, somente que ele desapareceu como uma névoa desaparece com o calor do sol, da mesma maneira que ele surgiu: incógnito e misterioso. A figura desse filho de imigrantes mexicanos de Detroit tornou-se uma lenda, sua voz penetrante estilo Michael Stipe, seu inseparável óculos escuro e uma pinta de rockstar tornam-o inconfundível, mas seu verdadeiro valor está em sua poesia, canções com toques de folk, blues e rock em versos geniais sobre o submundo das classes marginalizadas originadas no espírito melancólico da dura realidade das ruas de Detroit.

A história de Sixto Rodriguez é contada no documentário vencedor do Oscar, “Searching for Sugar Man”  mostrando como esse espécie de “Cartola americano”  tornou-se um dos mais influentes e reconhecidos cantores do movimento Anti-Apartheid da Africa Do Sul, pela forma como ele tratava temas controversos e que eram considerados tabu num país isolado do mundo censurados através da força por um governo fortemente militarizado. Nesse ambiente em que TVs e rádios eram controlados com punhos de ferro as canções de Rodriguez eram como hinos subversivos para os oprimidos pelo governo e fizeram com que mais de 500 mil cópias de seu album Cold Fact fossem vendidas na África do Sul enquanto permanecia um desconhecido na terra do Tio Sam.

Nada mais justo então do que adicioná-lo ao Hall de posts do Ventiladores e talvez incentivá-lo a assistir ao tocante documentário Searching For Sugar Man

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MAX – Rodan

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É isso ai, senhoras e senhores.

A vida é assim, um belo e raro dia no qual você está saboreando o ócio, a melhor resolução de todos os seus quebra-cabeças pendentes se encontra no ato de pegar uma espingarda e passar horas treinando a mira em uma mosca, até sem querer acertar um mamute. No momento até rola uma indagação do tipo; “porra, não era isso exatamente o que eu queria, afinal eu mirei na mosca”, mas aí a real é que sua mira pode não estar tão aprumada, mas é um mamute, a janta tá garantida e os fins justificam os meios, ou não!

Veja bem; Zapear pela área não mercantilizada do youtube (lol) rende algumas horas de sofrimento também, mas ninguém te perturba com margarina. Eu diria que é o mais próximo de uma atividade física cerebral antes de apelar pra sudoku. No meio de rearranjadores de arranjos já arranjados, de faixas de “rock psicodélico” com 26 minutos sem muitas histórias pra contar, hora ou outra um estalo de vinyl chama a sua atenção, e ai a levada chama a sua atenção, e ai Inês é morta camarada, o funk te engoliu, ai o prog te engoliu, ai o fusion te engoliu, e tu se pergunta quantos cogumelos são necessários pra se fazer uma sopa dessas, e eles te respondem que “vários” é uma boa medida.

MAX foi uma banda norte americana aparentemente formada pela Elastik Band, mas também aparentemente não tem informação a respeito dela por ai, nem ninguém concorda com muita coisa além do ano, 1974.

A Wiki me diz que é uma banda de 4 pussycats coloridas, a Last.Fm me dá 8 opções, de Pop Rock até DJ de Barmitzva, nenhuma condizente, afinal, ninguém nem concorda nem com o nome da banda! Uns dizem que a banda chama Max, outros dizem que é Self-Titled como Rodan, mas a real é que album sequer foi lançado, não tenho idéia nem de como isso foi parar no youtube. Criem ai uma teoria conspiratória a respeito, dá um bom romance sci-fi, mas fica a critério de quem sabe escrever, pois como vocês ja perceberam, eu não sei.

In Funk We Trust!

Isso me lembra uma camiseta que comprei no Rio… Sabe como é, mirar na mosca e acertar no mamute.

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Yeah!

Devendra Banhart – Smokey Rolls Down Thunder Canyon

smokey rolls down

Finalmente! Hoje suspiro de alegria, ou talvez deva dizer que hoje acordei do estado vegetativo que o tédio provoca. Tal tédio que durou por 10 meses, nos quais nada que chegou aos meus ouvidos provocou qualquer comoção, mas este álbum caros ventilados, este álbum não só me deu o fôlego inspirador para escrever, me fez sorrir como quem sorri ao se identificar pela primeira vez com uma canção, aquele sorriso que é sucedido por um arrepio, uma vontade incontrolável de abraçar o ar, a vida, abraçar para sempre a sensação maravilhosa de se deixar levar pelos sentidos,  de flutuar nas águas gentis da música.

O protagonista da experiência que descrevi é Devendra Banhart, pouco fama ou reconhecimento, uma história de vida peculiar e um senso artístico raro, este americano que cresceu na Venezuela e regressou a sua terra natal para estudar artes é sem dúvida uma miríade de ideias e raízes que transcendem em forma e resultam em um processo criativo randomico, refinado e indescritivelmente empolgante, em Smokey Rolls Down Thunder Canyon, Banhart canta em Inglês, Espanhol e Português, bebe no folk, samba, rock, hippie, psicodelia e não faz isso de forma temática, mas é totalmente orgânico, como na faixa Seahorse, um verdadeiro hino a liberdade da mente e dos sentidos, com oito minutos que vão de folk, a grunge, permeada por blues e experimental, sempre te deixa a desejar que a música nunca acabe.

Gostaria de escrever páginas e páginas sobre a minha experiência ainda viva, como este álbum esta a cada minuto mais presente na minha cabeça, me fazendo dançar e flanar com as ideias, mas se eu me alongar você irá perder um tempo precioso que poderia ser dedicado apreciando às tais músicas que quero descrever, pois bem, vá e OUÇA e DELEITE-SE por si próprio!

PS: Muito obrigado Estela, por mais uma vez nos presentear com seu bom gosto ; )

 

fuck yeah.

 

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Gary Clark Jr. – Blak And Blu

Alguns versos de uma certa música do Ultraje a Rigor definem minha impressão do album:

“você se dá bem com todo mundo mas não é nada
tão profundo como ter uma amizade
distribui abraços e sorrisos mas não vai
poder sentir o que é um abraço de verdade.”

Ah Blak And Blu, você tinha o potencial de ser um dos melhores albums do ano, mas você preferiu tentar agradar todo mundo e ninguém gosta de gente que fica em cima do muro, mas ainda assim mal conheço o novo trabalho e já considero você pakas (Sic).

Depois do fenomenal EP Bright Lights Gary Clark Jr. deixou todo mundo com as unhas roendo de ansiedade por seu futuro album, e Blak And Blu finalmente está entre nós e é um caso bem clássico de disco fantástico com algumas gordurinhas desnecessárias, que comprometem de leve o resultado final, talvez até pela ordem das faixas isso seja mais grave, depois de canções absurdamentes hipnóticas há uma sensação de forçação de barra com outras mais lights e a continuidade fica comprometida.

Mas de maneira nenhuma ele deixa a peteca cair, é que por sua habilidade na guitarra você fica exigindo que ele te entretenha com riffs e solos até o album acabar, mas essa não é a vontade do artista, Gary Jr sempre deixou claro que ele foi influenciado por diversos ritmos e não é simplesmente um bluezeiro, e suas tentativas de fazer sons pops são definitivamente acima da média, mas sinceramente a faixa The Life deveria estar num album do The Roots.

A mixagem soa um tanto exagerada também se comparada a Bright Lights que estava limpa e coesa, agora há um excesso de produção que não faz muito sentido pra mim, enfim viadagens pessoas minhas, garanto que é um album excelente, só não é perfeito.

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Tame Impala – Lonerism

Cronologicamente depois do soco na têmpora que tivemos com Centipede Hz do Animal Collective o Tame Impala surge com um album para voltarmos a nossa própria dimensão, mas não particularmente para a terra, pois a psicodelia ainda ronda entre nós então vou ficar com o rótulo de viagem espacial-temporal.

Temporal pois é inegável a conexão com as décadas de 60 e 70 que o Tame Impala possui, bebendo das fontes dos grandes formadores da cultura pop mundial, mas usando as fontes como forma a alcançar ares ainda mais distantes, como uma bonita imagem de passar a  tocha para a nova geração.

Não quero dizer com isso que se os Beatles ou o Cream estivessem fazendo albums até hoje soaria desse jeito, mas da mesma maneira que essas bandas procuravam expandir os blues que ouviam o Tame Impala impulsiona a psicodelia para horizontes novos que permitem o gênero ganhar espaço além do nostalgismo e da música eletrônica.

Lonerism é um trabalho empolgante e pop, me lembrando a sensação que o Broken Bells passa de manter um canal de conexão com o ouvinte, sem você ficar com aquela sensação de piada interna que vira e mexe acontece com esse tipo de som de tanta piração. Ou seja eles não facilitam a complexidade das composições mas não te deixam alheio ao que acontece, um movimento que me parece ir no sentido de quererem ganhar o grande público

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