Jamie xx – In Colour

Antes mesmo de dar 1 minuto de album tocando, a porta do meu quarto começa a tremer com os graves de Gosh. Isso só pode significar 2 coisas: ou esse album vai ser muito firmeza ou vai ser uma merda.

Mas meio que obviamente se estou gastando meu tempo transcrevendo apertadas de botões em letras digitais, é porque esse album despertou um mínimo de interesse positivo dos meus ouvidos. Jamie XX não decepciona ao lançar seu trabalho solo que nem é tão solo assim pois seus companheiros de The XX fazem diversas pontas, mas no quesito música/influência é uma obra que foge do que a banda principal faz, muito mais calcada na trajetória de aprendizado e crescimento musical de Jamie e algumas pegadas mais abertas para o “povão”. Dá pra perceber que realmente é ele quem manda nesse disco e isso reflete no som, muito mais vibrante do que as composições minimalistas que estávamos acostumados a ouvir de seu teclado no XX, mas resumindo em poucas palavras: electronic music para se ouvir no volume de tremer parede, a ambientação precisa ser de luz baixa e preferencialmente de madrugada, aproveitem.

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Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper

Nos deparamos novamente com Mr Lennox a voz mais conhecida por trás do Animal Collective, os birutas mais legais a fazerem música na última década.

A persona solo de Lennox atende por Panda Bear, trabalho  que já era conhecido pelos fãs do Animal Collective com alguns discos fantásticos como Person Pitch Spirit They’re Gone Spirit They’ve Vanished  mas após uma participação no disco do do Daft Punk Random Acess Memories, o reconhecimento é muito maior, então não mais justo do que produzir algo que possa acomodar fãs de longa data e a galera que agora conhece pela participação em Doin’ it Right dos djs robozinhos.

A príncípio PBMTGR não foge muito do som consolidado tanto na carreira solo, que busca uma pegada neo-psicodélica com influências de surf music e música pop quanto na inquietação sonora experimental do Animal Collective que busca nunca repetir o mesmo som mas bebendo principalmente da que é considerada a obra prima deles o Merryweather Post Pavillon.  O que significa que talvez esse disco seja uma espécie de compilação póstuma do Panda Bear, ele encontrou o ceifador macabro e está se despedindo com o melhor do que fez durante a carreira.

Seja lá quais forem as razões por trás do disco, é genial o trabalho de sampling feito por Lennox e o produtor Sonic Boom (Spacemen 3, MGMT) com muita coisa retirada de lugares comuns de discos de hip hop dos anos 90/2000 e levados ao patamar psicodélico e imprevisível que eles gostam de usar, isso faz com que o disco seja estranhamente familiar, como um amigo ou criança que você não vê há muito tempo e agora está totalmente diferente, mas ainda é possível traçar o caminho de volta ao passado e ver a evolução.

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Spank Rock – YoYoYoYoYo

Esse disco é claramente um caso de recorrência histórica, tanto num nível individual quanto universal. Calma, vou explicar em mais palavras:

Em 2007 tive a oportunidade de assistir um show do grupo no saudoso Tim Festival. Apesar da intensa energia do grupo tocando ao vivo, capaz de animar a platéia em meio a um sol forte e pouco familiar com suas músicas, eles me passaram como um mero passatempo para os shows principais de Bjork, Arctic Monkeys e Killers, semelhantes a fogos de artifícios que criam aqueles clarões bonitos e barulhentos, mas que acabam rapidamente. Eu estava preocupado demais se Alex Turner e sua banda tocariam ou não Perhaps Vampires Is Too Strong para perceber as rimas cheias de veneno e obscenidades do grupo.

E não era só eu que subestimava o som do Spank Rock, o disco de estréia do grupo YoYoYoYoYo fez antes e melhor toda a cena de Electro-hip hop que vemos em 2013/2014 tocando nas rádios e baladas. A grande sacada do grupo é que eles  pegam todas suas influências e as levam a outro nível de loucura,  os graves alucinantes aprimorados do Miami Bass e Breakbeat, a batida e refrão característicos da house estão acompanhados de letras de deixar funkeiro carioca parecendo cantor de gospel. É  também impressionante como as músicas grudam fácil, fazendo você querer balançar a cabeça ao movimento das batidas enquanto o resto do pessoal enlouquece ao estilo Harlem Shake.

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The Soundcarriers- Entropicalia

O baú de novidades do Ventiladores traz mais uma pequena notável banda o Soundcarriers

O título do album Entropicália já entrega uma grande influência do grupo: o movimento da tropicália, mas a versão bem internacional da coisa, já que os integrantes são todos do Reino Unido, o que acaba por resumir as semelhanças no experimentalismo sonoro e uma boa dose de psicodelismo, mas esse distanciamento também reflete na vontade de levar o som dos anos 60 a novos ares, misturando-o a elementos modernos de Dream Pop com texturas e timbres complexos. Também é possível ouvir ecos de sons progressivos como Can, Jethro Tull e  Mutantes. Um disco não necessariamente imperdível mas excelente em sua proposta.

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Moderat – II

Vasculhar a internet atrás de música é uma tarefa ingrata, Pra cada som original que conecta do jeito certo na química do seu cérebro, você ouve dezenas de som desinteressantes. Mas nada como um disco após o outro, parafraseando Mano Brown, para encontrarmos algo emocionante. Nesse caso um disco de um carinha já muito apreciado no blog, o grande Sascha Ring, ou seu nome de guerra Apparat.

Na verdade não podemos dar todos os créditos ao Apparat pois ele divide esse projeto com os produtores  Gernot Bronsert e  Sebastian Szary que juntos formam o Modeselektor um dos mais influentes duos de techno experimental do universo conhecido, resumindo são vários alemães malucos no mesmo lugar unidos em um mesmo propósito: fazer música eletrônica foda. Para isso eles deixam de lado seus projetos próprios para criar uma entidade separada com vida própria, uma almágama  do Modeselektor e o Apparat, apelidada propriamente de Moderat.

Essa colaboração mágica que foi cozinhada por anos e anos alcançou seu pico no sensacional II, um disco que possui muitos méritos, ele consegue ser acessivo e ao mesmo tempo extremamente elaborado,  extrapolando vários gêneros diferentes através de um som próprio que une o melhor da capacidade de Sascha em produzir sons e do Modeselektor em gerar beats condensadas em 11 músicas de explodir mentes, como a trágica Bad Kingdom que conta a trajetória de um homem que busca fugir das injustiças do sistema militar em que ele foi criado, se envolvendo com as artes e acaba caindo nos mesmos mecanimos cruéis que ele um dia tentou escapar, tudo isso contado através de ilustrações num videoclipe intenso.

O disco permanece cuidadosamente numa corda bamba tentando agradar o público de rave e os ouvintes mais introspectivos e o resultado não poderia ser mais satisfatório, ao ouvir a épica Milk você tem certeza que colocaram alguma coisa na sua água por que ela envolve até o cabra mais sisudo num transe profundo. Há ainda outros momentos intensos como o meio R&B meio glitch Hip-Hop de Gita e o deep house de Let In The Lighttodas com um fator replay excelente, que recompensa novas ouvidas com texturas que passam despercebidas e demonstram o elevado cuidado que a produção do disco tem.


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Shabazz Palaces – Lese Majesty (tweet post)

Depois de modificarem pra sempre o Hip-Hop, os caras do Shabazz Palaces trazem o sucessor do monstruoso Black Up de 2011 e eles não decepcionam.

Com a ambição de um album conceitual Lese Majesty traz 18 faixas, mas muitas não passam de interlúdios para as faixas mais longas, uma pena pois muitos desses trechos são tão interessantes quanto as faixas completas, mas realmente são nessas que duram ao menos 3 minutos que você vai sentir o clima de Lese Majesty, aliás muito mais relaxado que o intenso e quase claustrofóbico disco anterior, as composições estão espaçadas e deixam você confortável para processá-las com calma e ainda temos a participação das meninas do THEESatisfaction, que transformam Lese Majesty num dos melhores lançamentos de 2014.

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Kasabian – 48 13 (tweet post)

O sucessor do competente Velociraptor! não veio para brincadeiras, é uma obra que pretende fornecer um disco de entretenimento em 48 minutos e 13 segundos. O que se recebe é mais algo em torno de 40 minutos de diversão e 8 de enrolação, o que não é nada mal, é provavelmente um dos melhores da discografia da banda, com alguns dos singles feitos para serem cantados em coro de milhares de pessoas como Bumblebeee e Eez-Eh. Ainda está longe de ser uma obra prima que vai ser comentada daqui a dezenas de anos, mas é bom o suficiente pra divertir a cabeça.

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