Marya Bravo – COMPORTAMENTO GERAL (Canções da Resistência)

Quando se fala de música anti-establishment  traduzido porcamente como: elite social, econômica e política de uma país, grupo de indivíduos com poder e influência em determinada organização ou campo de atividade, atualmente associamos logo ao rap que permanece carregando essa bandeira de revolução e protesto. Mas nem sempre foi assim, antes o Rock e suas sub-categorias bradavam aos 4 cantos sua insatisfação com a sociedade em que vivam, ouvir música de rock era considerado coisa de gente “rebelde” e motivo de brigas e discussões.

Hoje nesse cenário pós contemporâneo que vivemos, tão volátil não há mais barreiras claras onde começa uma coisa e onde termina outra, você pode ouvir Michel Teló com uma camisa do Che Guevara enquanto almoça no Mcdonalds e ninguém vai achar estranho. Será que faz algum sentido então ressuscitar as canções que simbolizam a luta contra o regime militar brasileiro de 64? Como instrumento político e engajador talvez não muito, mas como obra de arte e reflexão com certeza

Marya Bravo, figura conhecida dos musicais brasileiros resolveu mexer na caixa de vinis dos cabeludos descolados dos anos 60 e reuniu canções do panteão brasileiro de artistas como Chico Buarque, Ivan lins, Milton Nascimento e Gonzaguinha, mas sai de cena o violão e a percurssão de samba e entra a guitarra distorcida e a bateria no lugar. Uma idéia não exatamente nova, porém executada com muito sucesso. As canções realmente funcionam com a roupagem “rock paulera” dando uma visão mais agressiva e menos ambígua a canções que precisavam ser sutis em suas críticas, ou levariam seus autores a uma conversinha com o pessoal do DOPS.

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Lucas Santtana – Sobre Noites e Dias (tweet post)

O talentoso Lucas Santtana mantém a qualidade de seus discos com o Sobre Noites e Dias, mais experimental que O Deus Que Devasta Mas Também Cura, o novo album é uma demonstração de que o cantor continua agregando novas influências em seu som, mas sua assinatura musical está consolidada.

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Devendra Banhart – Smokey Rolls Down Thunder Canyon

smokey rolls down

Finalmente! Hoje suspiro de alegria, ou talvez deva dizer que hoje acordei do estado vegetativo que o tédio provoca. Tal tédio que durou por 10 meses, nos quais nada que chegou aos meus ouvidos provocou qualquer comoção, mas este álbum caros ventilados, este álbum não só me deu o fôlego inspirador para escrever, me fez sorrir como quem sorri ao se identificar pela primeira vez com uma canção, aquele sorriso que é sucedido por um arrepio, uma vontade incontrolável de abraçar o ar, a vida, abraçar para sempre a sensação maravilhosa de se deixar levar pelos sentidos,  de flutuar nas águas gentis da música.

O protagonista da experiência que descrevi é Devendra Banhart, pouco fama ou reconhecimento, uma história de vida peculiar e um senso artístico raro, este americano que cresceu na Venezuela e regressou a sua terra natal para estudar artes é sem dúvida uma miríade de ideias e raízes que transcendem em forma e resultam em um processo criativo randomico, refinado e indescritivelmente empolgante, em Smokey Rolls Down Thunder Canyon, Banhart canta em Inglês, Espanhol e Português, bebe no folk, samba, rock, hippie, psicodelia e não faz isso de forma temática, mas é totalmente orgânico, como na faixa Seahorse, um verdadeiro hino a liberdade da mente e dos sentidos, com oito minutos que vão de folk, a grunge, permeada por blues e experimental, sempre te deixa a desejar que a música nunca acabe.

Gostaria de escrever páginas e páginas sobre a minha experiência ainda viva, como este álbum esta a cada minuto mais presente na minha cabeça, me fazendo dançar e flanar com as ideias, mas se eu me alongar você irá perder um tempo precioso que poderia ser dedicado apreciando às tais músicas que quero descrever, pois bem, vá e OUÇA e DELEITE-SE por si próprio!

PS: Muito obrigado Estela, por mais uma vez nos presentear com seu bom gosto ; )

 

fuck yeah.

 

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Los Sebosos Postizos – Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben (tweet post)

Já tinha adiantado esse projeto parelelo aqui, mas agora eles lançaram um album propriamente dito e não um bootleg de uma de suas apresentações ao vivo, consolidando 14 faixas com versões de canções de diversos albums do Zé Pretinho em especial as décadas de 60 e início da 70.

Imperdível para fãs de Jorge Ben e de música brasileira.

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Yeasayer – Odd Blood

Dois fatos notáveis sobre o blog hoje: Este é o post de n. 200! É isso aí, estamos quase no ritmo dos periódicos do século XIX. E hoje um dos termos pesquisados no Google que trouxe alguém ao blog foi: “as mais saradas do brasil fasendo top lex”.

Regressing, Yeasayer (“yaysayer”) é uma banda de indie rock psicodélico de NY, juntos desde 2006 os três principais integrantes do yeasayer já se apresentaram em quase todos os principais festivais do mundo e estiveram em turnê com nomes importantes como MGMT.

Yeasayer é uma mistura de folk oriental com rock ocidental e muito LSD, o álbum Odd Blood é de tamanha complexidade sonora que vai paralizar seu corpo e entorpecer seus sentidos por alguns instantes se você concentrar-se na música. Afinal, a versão oficial é de que a banda experimentou com LSD na Nova Zelândia, voltou para os EUA, trancaram-se em um estúdio com sintetizadores improvisados e instrumentos de percussão de todo as partes do planeta e comprometeram-se a reproduzir toda a brisa em forma de música, desde cantar através de um ventilador a usar samples de músicas pop libanesas, esses caras não pouparam insanidade na confecção deste álbum.

Afinal infantes, psicodelia é tudo de bom, hahaha.

 

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Lucas Santtana – O Deus Que Devasta Mas também Cura (tweet post)

Aparentemente temos um dos melhores discos de 2012 já em mãos.

Já cansei de exaltar o Sr. Lucas Santtana, sem discussões um dos melhores artistas da safra atual da música brasileira, toda essa babação de ovo pra dizer que óbviamente o cara acertou na mão novamente e está com um album que mistura todas as melhores facetas dos seus lançamentos anteriores, do pop ao minimalista funcionando como um album de reflexão sobre a trajetória de Santtana, enfim bom pra caralho ouça logo o album aí embaixo e depois baixe-o e seja feliz.

Ouça

Baixe:Mediafire
 

Kasabian – Velociraptor!

Kasabian é um caso curioso da prolífica cena alternativa britânica, estão já há um tempão na estrada, tem uns 3 albums muito bons e uma base de fãs sólida, mas nunca estouraram de verdade para o grande público, ficando na sombra de outras bandas como o Arctic Monkeys, Franz Ferdinand e o Kaiser Chiefs. Isso se explica principalmente por terem começado como uma banda que experimentava bastante, mas temos uma obrigação aqui no ventiladores de corrigir esses “desvios” e mostrar o trabalho de bandas boas.

O Kasabian soube misturar influências diferentes para alcançar novos ares da música, mas sempre mantendo um dos pés firmes no rock, a partir disso eles misturam eletrônica, synth pop, psicodelia e até hip-hop, que resultam numa estética que agrada tanto a pista de dança, quanto o som do seu computador.

Com seu último lançamento Velociraptor! eles abandonaram um pouco o experimentalismo e partiram pra um album com canções bem radiofônicas, mas sem perder a qualidade, algo que parece cada vez mais impossível devido aos artistas “capa de revista teen” que apelam pra repetição infinita de sons grudentos.  O Kasabian mostra como fazer um album agradável e viciante, bem diferente do que se costumar ouvir e ao mesmo tempo acessível para o ouvinte descompromissado.

A estrutura das músicas é o prato principal do album, você vai ouvindo a canção que vai construindo um desenvolvimento familiar aos ouvidos, que provavelmente vai alcançar um clímax no refrão; você pensa com seus botões, mas então a canção te pega de surpresa e te leva a uma outra direção inesperada, que contenta mais do que se a estrutura tradicional tivesse sido mantida, aí que está o charme do Kasabian, você acha que entendeu a pegada e eles te aplicam uma nova forma de completar a canção que você não teria pensado inicialmente.

Fica a dica de um album que passou despercebido em 2011 mas é altamente recomendável.

Ouça:

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