Bixiga 70 – Bixiga 70

Caro ventilado perdoe minha impertinente celeridade com esse post, mas devido a motivos extraordinários fortuitos da inabilidade do wordpress em salvar um rascunho, perdi todo o texto que meu alter ego KFZ havia escrito, logo ei de preparar uma Insídia como forma de substituir o texto original.

Big Band de influências africanas, baseada no Afrobeat e ritmos tribais, misturados a percepção luso-brasileira/jamaicana/americana da música africana, batizado  inspirada na banda de Fela Kuti, originalmente Nigéria 70, depois Africa 70. Diferenciam-se pela sonoridade dançante e hipnótica de suas composições e merecem destaque pela capacidade de reproduzir mesmo em estúdio a energia típica dos sons ao vivo desse gênero e romper a barreira natural entre o público e a música instrumental.

Ouça: Balboa Dub/ Tema di Malaika/ Zambo Beat

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Bambas Dois – Bambas Dois

“Modernizar o Passado, é uma revolução Musical” – Chico Science

Misturas, é disso que a música inovadora do séc XXI vive, o desafio de  continuar surpreendendo numa época em que já se viu de tudo é como lutar contra um inimigo invencivel, o que se consegue fazer é uma “reciclagem” ou colagens como gostam de dizer por aí, a última cria dessas tentativas de fazer música nova  foi juntar o forró com o reggae que veio durante uma viagem de barco do produtor de Bambas e Biritas Vol 1.

O Bambas Dois junta grandes nomes da música jamaicana com um calhamaço de músicos brasileiros pra criar uma nova identidade para ritmos conhecidos pela sua tradição e regionalismo e como as raízes da música africana estão presentes nos dois tipos de música tanto na música nordestina quanto na jamaicana, como  dominguinhos disse a gilberto gil certa vez: “é só colocar um triângulo nesse reggae do bob marley que vira um xote”

As colaborações vão de Dominguinhos, Luiz Melodia,Chico César, Dengue da Nação Zumbi até Karina Buhr e backing vocals das Negreskos Sis (Anelis Assumpção, CéU e Thalma De Freitas), do lado da américa central temos os lendários Heptones, colaborações de músicos do Skatalites, o estreante Ky-Mani Marley (filho do homem), Jesse Royal entre outros, tudo feito na cara e na coragem para convencer os artistas da importância e qualidade do projeto que vai muito além da música.

Temos gente fazendo camadas de música eletrônica,tocando flauta, percussão, berimbau, sanfona tudo enquanto BID, o mentor dessa loucura, se diverte produzindo essas dezenas de musicos junto com o DJ Gusta do Echo Sound System, fazendo maracatu virar dancehall, forró virar roots reggaee e rocksteady virar rastapé e tendo a certeza que se faça algo que vá além dos ritmos originais para que se crie um novo ritmo, tudo isso documentado em mini filmes no youtube mostrando toda a trajetória da criação do disco e a viagem a famosa ilha balneária.

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Link do canal do youtube http://www.youtube.com/bambasdois

Ouça:

Herbie Hancock – Imagine Project

Esse daqui é daqueles que você precisa comprar o album fisico para poder mostrar para todo mundo que for na sua casa, e daqui a 30, 40 anos você vai olhar ainda com mais orgulho por ter tido o privilégio de ter ouvido tal projeto, mas é bom avisar que não é exatamente de degustação rápida e sem grande importância a lá fast food. A música mais curta tem quase 5 minutos e você fica triste dela ser tão curta.

Herbie Hancock, esse nome para o cidadão comum, especialmente brasileiro não significa muita coisa, mas para os iniciados no mundinho particular do jazz é como invocar um rockstar, considerado um dos maiores pianistas de jazz contemporâneo de todos os tempos e integrante do segundo grande quinteto de ninguém menos que Miles Davis. A apresentação desse senhor de 71 fica resumida a isso, porque ele merece uns 30 parágrafos e aí fugiríamos da proposta do blog.

Vamos deixar as coisas assim: um monstro do jazz resolve pegar canções emblemáticas mas extremamente diferentes como Imagine do Lennon, Tempo de Amor do Vinicius de Moraes  e Exodus do Bob Marley, fazer novos arranjos para elas e convidar uma penca de gente do mundo inteiro para gravá-las, não é exatamente a idéia mais original do mundo, mas como ela é realizada é onde está o segredo desse album.

O cara simplesmente rodou o planetinha azul procurando músicos que pudessem agregar valor ao trabalho, pegou dezenas de instrumentos e sons diferentes para de alguma forma alcançar a idéia de Lennon de compartilhar o mundo, de forma pacífica e buscou demonstrar que a música é uma dessas formas de conexão entre os seres pensantes. E claro que rola uns rostos famosos pra dar uma divulgação ao trabalho daí rola umas aparições de Pink, Seal e John Legend, mas nada que comprometa o trabalho.

Os destaques ficam para CéU (olha ela aí de novo) interpretando a música do Vinicius com a ajuda de curumin na batera e a versão de The Times They Are A-Changin’ com participação do Chieftains e o belo vocal de Lisa Hannigan

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Amabis – Memórias Luso/Africanas

Gui Amabis 35 anos, músico e produtor, casado com a espetacular CéU, autor de trilhas sonoras que vão desde cidade dos homens até Senhor dar Armas e ainda produtor do coletivo Sonantes. Mas por que começar de maneira tão “sobre o autor”? minha explicação encontra-se na particularidade do conteúdo do album.

Como o nome já diz: são memórias de Amabis, mais particularmente um apanhado de suas origens portuguesas e africanas. E como um árvore genealógica que passou por um processo de recortar e colar, são apresentados ao ouvinte ao longo do album sons e relatos invocando pensamentos nostálgicos, que deveriam ser exclusivos do autor, mas através de uma excelente utilização de efeitos como o som de rádios antigos,  a sensação de ouvir um vinil dos anos 50 ou o tom cerimonial de canções remetem sempre a ações distantes e passadas, quase que indefinidas temporalmente.

O disco, apesar do tom auto-biográfico e de Gui Amabis cantar e tocar muita coisa, ainda é cheio de participações de peso e agregadoras. Temos obviamente a mulher CéU em Swell, Doce Demora e Fim de Tarde, mas não para por aí, temos o rapper e agora cantor Criolo que em Para Mulatu parece até um Milton Nascimento cantando , Lucas Santtana e Tulipa Ruiz também não fazem feio no disco que ainda contém colaborações na bateria de Curumin. Um album introspectivo que é díficil de definir, temos um tom de jazz, samba, bossa nova bem melancólica e músicas tradicionais tanto africanas como portuguesas mas que ao escutar não é nada disso. vale a degustação com calma.

Ouça :

Baixe: Amabis

Jamaica – No Problem

Primeira coisa antes de tudo: este post não tem nada a ver com Jamaica: País da america central, famoso por suas belezas naturais e maconha…

Jamaica, anteriormente conhecido como Poney Poney é mais uma banda que com parceria de alguns nomes famosos ganhou reconhecimento e é do Justice e do Daft Punk que vêm essa propanda para o Jamaica.

Eu já tinha falado do projeto do Gaspard Augé com o Mr Oizo nesse post, dessa vez é o outro cara do Justice, Xavier de Rosnay que vai mesclar o indie rock com o synthpop pra formar um som dançante, mas ao mesmo tempo propício pra um mosh, temos até a participação de Iggor Cavalera em um dos clipes da banda pra ninguém duvidar que eles fazem rock MESMO. Temos vários efeitinho, mas o som não parece artificial, soa como uma banda moderna. Utilizam uns efeitos pra dar a impressão que o som vem de um rádio, ou misturando o som “elétrico” do Daft Punk em um solo de guitarra.

A ascensão e queda dos caras é meio espantosa, no espaço de 1 ano do lançamento de No Problem Antoine e Flo (a dupla inicial) explodiram, ganharam uma legião de fãs indies e tiveram uma repentina sucessão de problemas devido a Flo  ter utilizado drogas pesadas na américa do sul e perdido completamente o senso de realidade, enquanto isso Antoine foi preso, vejam esse video que explica melhor a trajetória da banda, com uma das melhores músicas deles de fundo I Think i Like U 2

Ficamos então com essa obra única deles, o que torna ela ainda mais especial e nos deixa pensando o que eles ainda poderiam ter feito, bom até o Arnaldo Baptista ainda compõe, quem sabe eles um dia voltam.

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Ouça:Cross The Fader / When Do You Wanna Stop Working

Asian Dub Foundation – A History Of Now


Esse post eu estava guardando na manga, mas como recentemente eles lançaram um novo album vou então aproveitar pra falar deles.

A banda na verdade começou como um soundsytem, termo que atualmente significa muita coisa, mas seria um agrupamento de pessoas pra fazer sons relacionados a cultura jamaicana principalmente, mas acabou sendo absorvida pelo hip hop e outros estilos considerados do gueto.

Mas como todo grupo britânico de música eletrônica, os caras pegam pesado no mashup de sons, não ajuda (ou ajuda) o fato que seus integrantes são descendentes de culturas bem diferentes tipo bengala e cingapura.

Deu pra entender o Asian no nome né? mas as músicas são praticamente todas cantadas em inglês, mas temos suas excessões como a 19 Rebellions do album enemy of states cantada em parte em português, que conta a história da rebelião do carandiru e uma rebelião organizada em 19 presidios simultaneamente em 2001, alguns de vocês até lembram disso, eles ainda criticam o sistema penitenciário e a fraqueza do governo brasileiro. Incitando o povo a se rebelar, afinal se um bando de presos conseguem, porque a população não conseguiria desestabilizar o governo?

O som deles adora cutucar feridas, falam sobre tudo: racismo, religião, governantes, movimentos politicos, pobreza, enfim o pacote completo da escória do nosso planetinha azul.
Mas o que adianta falar tanta coisa relevante se o resultado sonoro não for bom? vira propaganda como aquelas musiquinhas de eleição, o Asian Dub Foundation passa longe disso. Eles sabem misturar rap, rock, drum’ bass, dub, reggae, trip hop, a lista é extensa e empolgante.


Eu poderia passar uma tarde inteira só explicando as músicas deles, mas recomendo que você investigue por si próprio, é o tipo de banda que pode te entreter por muito tempo, escute em alto e bom som para melhor deleite do album.

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Baixe: The Pirate Bay

Ouça: http://www.myspace.com/asiandubfoundationuk

Toots and the Maytals – In The Dark/Funky Kingston

Senhoras e senhores, o Ventiladores tem o prazer de apresentá-los Toots And The Maytals !!!

Nem só museu vive de passado, afinal isso é totalmente relativo já que um CD lançado ontem já é passado, como dizia Chico Science: “Um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar”. Está então explicado o conceito que quero passar a classe hoje. Música, especialmente a música de qualidade, é atemporal.

Tentamos nesse espaço sempre lembrá-los disso, temos já King Tubby and Soul Syndicates, Tony Allen e agora nesse mural quero adicionar o Toots And The Maytals.
Quem? a experiência de Rock+Ska+Reggae+Funk mais bem sucedida que temos notícia. Frederick “Toots” Hibbert e sua trupe The Maytals sabem o que devem fazer e na medida certa.

Temos então suas duas obras primas uma ao lado da outra: In The Dark e Funky Kingston , escutados nessa  ordem é possivel entender o ensopado do Maytals “engrossando”, apesar de não ser a ordem cronológica, é ainda mais agradável se ouvida dessa maneira. Começamos com músicas de ska bem primárias, enfeitadas com leves toques de baixo mais funkeados, temos um predominio das canções com um discurso positivo sobre tempos duros e finalizamos In the Dark com duas canções chaves 6446 Was My Number e Sailing On. Que preparam para um som praticamente grooveado, aos moldes de James Brown, sem perder o compasso do Ska. Como eles fazem essa mágica? não me perguntem, só ouçam. O Sublime ouviu e fez até cover de 6446

Funky Kingston é praticamente o que aconteceria se o James Brown tivesse nascido na Jamaica ou se o The Wailers escutasse toda a discografia do Sly & The Family Stone. Em Outras palavras. merece no minimo um minuto da sua curiosidade, escute I Can’t Believe e tente não dar um sorriso.

Baixe: http://www.mediafire.com/?mmwodky0zw2 Link tirado do http://littlevibrations.blogspot.com
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