Spank Rock – YoYoYoYoYo

Esse disco é claramente um caso de recorrência histórica, tanto num nível individual quanto universal. Calma, vou explicar em mais palavras:

Em 2007 tive a oportunidade de assistir um show do grupo no saudoso Tim Festival. Apesar da intensa energia do grupo tocando ao vivo, capaz de animar a platéia em meio a um sol forte e pouco familiar com suas músicas, eles me passaram como um mero passatempo para os shows principais de Bjork, Arctic Monkeys e Killers, semelhantes a fogos de artifícios que criam aqueles clarões bonitos e barulhentos, mas que acabam rapidamente. Eu estava preocupado demais se Alex Turner e sua banda tocariam ou não Perhaps Vampires Is Too Strong para perceber as rimas cheias de veneno e obscenidades do grupo.

E não era só eu que subestimava o som do Spank Rock, o disco de estréia do grupo YoYoYoYoYo fez antes e melhor toda a cena de Electro-hip hop que vemos em 2013/2014 tocando nas rádios e baladas. A grande sacada do grupo é que eles  pegam todas suas influências e as levam a outro nível de loucura,  os graves alucinantes aprimorados do Miami Bass e Breakbeat, a batida e refrão característicos da house estão acompanhados de letras de deixar funkeiro carioca parecendo cantor de gospel. É  também impressionante como as músicas grudam fácil, fazendo você querer balançar a cabeça ao movimento das batidas enquanto o resto do pessoal enlouquece ao estilo Harlem Shake.

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Boogarins – As Plantas Que Curam

De vez em quando estou vasculhando as profundezas da cena musical belga, ou a última sensação neozelandesa quando uma voz na cabeça me diz: “Ei que tal dar uma olhada ao seu redor pra variar? em terras mais próximas e amigáveis.”

Mas o Boogarins parece que segue a lógica oposta ao meu pensamento, é apreciado mais lá fora do que em sua própria terra. Caíram nas graças do Pitchfork e foram comparados à Tame Impala e Foxygen da nova geração, além das influências bem claras de rock sessentista de preferência bem lisérgico que vai de Os Mutantes à The Beatles, num som bem polido pra um primeiro disco, porém com uma mixagem a deixar desejar, o que é o menor dos problemas já que o talento dos caras é inegável e eles ainda tem muito o que mostrar.

A parte diferenciada deles vem do clima bucólico brejeiro que as canções tem, soando hippie caipira mas do Brasil mesmo, não o bluegrass que normalmente é associado ao rock caipiresco o que me lembra um pouco  Supercordas e o Ventania dois artistas de uma já mais longa tradição lisérgica que não alcançaram o mesmo reconhecimento, talvez por falta de orçamento para um clipe legal como o single Lucifernandis e aquela coisa de estar no lugar certo na hora certa que foi na mosca com o Boogarins.

Infelizmente são só 6 músicas em As Plantas Que Curam para ouvirmos, mas uma rápida busca no youtube revela outras canções muito boas da banda como Doce, Olhos e Paul e o que me parece ser outro positivo da banda, suas apresentações ao vivo são bem fodas, vale a pena ficar de olho na banda.


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Vários Artistas – Mulheres de Péricles

Confesso que só conhecia de nome Péricles Calvancati e o projeto só me chamou atenção pelo naipe das mulheres que cantariam suas canções, figuras que perambulam os posts do Ventiladores como Karina Buhr, Tulipa Ruiz e CéU. Logo pensei – “Coisa Boa tem aí”, resolvi dar uma ouvida e confirmei minhas suposições ao ver a qualidade dos arranjos e as belas letras de Péricles.

Claro que por ter uma vasta diversidade de cantoras nem tudo é ouro, mas sem grandes dificuldades os momentos bons superam os ruins, apresentando a obra do cantor às novas gerações com uma embalagem que caminha entre o pop,rock, blues e a MPB escolhidas a dedo por sua filha Nina Calvanti porém dando total liberdade para as intérpretes e as bandas de fazerem  as músicas soarem frutos autênticos de cada cantora, um mero empréstimo e homenagem saidos da cabeça do DJ Zé Pedro, grande fã do trabalho de Calvanti e o melhor de tudo deixou disponível o download do album na faixa no site.

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link retirado do site http://www.mulheresdepericles.com/

The Walkmen – Heaven

Caros Leitores desculpem a falta de atualizações, mas fui atingido por dezenas de externalidades que impossibilitaram minha presença aqui no blog e culpo os outros integrantes por deixarem isso aqui as moscas, mas sem mais lenga lenga vamos ouvir um album bom e vou tentar compensá-los com uma sequência maior de reviews nas próximas semanas.

Obs: Recomendo ler antes : The Walkmen – You And Me

Temos aqui uma queridinha minha o The Walkmen lançando album novo, e pela minha ouvida inicial notei que eles estão velhos: mais calminhos, mais metódicos mas nem um pouco chatos, eles só pararam de reclamar das namoradas e casaram logo com elas. O que saiu então dessa nova fase dos rapazes? um album caprichadissimo que mostra que eles são mais que uma banda indie legal.

Eles abraçaram sem vergonha o pop e fizeram a sequência de 2 albums fantásticos ( Lisbon e You And Me) mas digo pop aqui não no sentido comercial mas no de acessível para públicos bem distintos, mas calma, temos também as canções mais clássicas que consagraram os caras, elas só não dominam a parada dessa vez, temos Nightingales e The Love You Love para relembrarmos aquela atitude indie rock dos seus primeiros albums.

O som mais simples parece ter encaixado como uma luva na voz de Leithauser, deixando aquele clima intimista já recorrente do The Walkmen ainda mais intenso, enfim não há do que reclamar apesar da mudança na agressividade da banda o album é excelente, nada como ouvir as músicas mais caras de singles pra você ver como eles são contagiantes.

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Dr. Dog – Be The Void (Tweet post)

Heeey children! temos mais Dr Dog pra vocês, com seu ultimo album Be the Void eles voltam esbanjando bluegrass e psicodelia, se distanciando cada vez mais daquele som meio Beatles para algo bem legal que não necessariamente é inédito na música, mas é caprichado e agradável.

Os caras continuam excelentes em fazer canções que colam que nem chiclete, com refrões prontos pra se tornarem hits, mas é o mal (ou o bem) do pop bem feito, se a canção fica remoendo na sua mente a missão foi bem cumprida.

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Karina Buhr – Eu Menti Pra Você/ Longe de Onde

Esse post é mais um oferecimento da coletânea: “coisas que já deveriam ter sido postadas” e como sempre não tenho um motivo decente pra justificar o descaso com tamanha qualidade musical dessa moça de olhos cor de mel e sotaque pernambucano.

Essa baiana de origem mas pernambucana de todo o resto, cresceu sobre a influência do maracatu e dos sons tradicionais do nordeste, mas como todo bom artista do séc XXI soube unir a tradição com a inovação de outras influências como o jazz, o rock,  a MPB e o som eletrônico que hoje é item tão comum quanto o trio baixo, bateria e guitarra, até “banda de garagem” tem técnico de som prafazer os efeitos, vai entender.

Acredito Que Karina gosta de unir coisas opostas, ela com essa carinha de menina do campo se veste como uma mistura de Lady Gaga e roqueiro da década de 80 e canta inocentemente “eu sou uma pessoa má, eu menti pra você” faz o mainframe encefálico dar uns tilts nervosos, afinal por que ela não decide se quer ser agressiva ou meiga? por que Karininha é um ser orgânico instável não uma personagem de desenho animado bom/mau não serve pra ela. Essa desconstrução que faz dela tão interessante.

De canção de amor graciosa ela pode ir pra um hardcore ou um cuban jazz como quem troca de roupa, no primeiro trabalho ela explora o lado mais boa moça, mas tem seus momentos de mostrar o dedo do meio como no funk tirando sarro da lei Rouanet Ciranda Do Incentivo, que  faz as empresas investirem em artistas que promovem a cultura, principalmente a tradicional/nacional, mas depois de produzido não há ninguém que queira comprar, enquanto que ninguém patrocina por exemplo um funk que venderia bem, fazendo artistas viverem de patronagem de empresas.

Eu Menti Pra Você é um album mais instrospectivo e mais autoral, enquanto Longe de Onde serve como a consolidação do trabalho de Karina Buhr sendo o repertório mais perfomático, característica marcante dos shows da moça que adora “causar” ao longo de suas apresentações, assim os dois albuns são como o dia e a noite, o primeiro serve melhor pra se ouvir sozinho curtindo cada canção, enquanto o segundo serve como um pocket-show para ser ouvido por várias pessoas.

Não perca seu tempo caro leitor, vá ouvir logo os dois cds, eu ainda iria falar sobre a banda de apoio mais foda do circuito alternativo com Guizado no Trompete, Scandurra e Catatau nas guitarras, bom já falei, ouça logo.

Ouça:

Baixe: Longe De Onde
Eu Menti Pra Você/Trama Virtual

Fleet Foxes – Helplessness Blues

Existem algumas bandas que quando surgem, por algum motivo enigmático são eleitas a ultima bolacha do pacote, tanto por crítica, quanto pela audiência alternativa, o que nem sempre traduz em verdadeira qualidade musical, temos que lembrar que já existe uma própria indústria pra vender o “alternativo” por isso quando ouvi o primeiro album do Fleet Foxes não entendi o hype a respeito do album, me parecia um The Shins pra hipsters: menos melodias e mais poesia nas letras. Mas esse ano eles lançaram Helplessness Blues seu segundo album e me vi bem intrigado.

A primeira diferença é o som muito mais orgânico da banda, Imagine se os beach boys resolvessem tocar country e folk musice você começa a entender o que eles queriam fazer, você tem muitos ecos de David Crosby e Nash e aquele estilo de composição do Ennio Morricone que traz imagens de paisagens automaticamente ao se ouvir.

Durante seu primeiro CD eles pareciam mais uma bandinha de indie folk com momentos de grandiosidade e agora eles soam como uma banda grande de verdade, com o som voltado ao blues e o folk inglês, inspirado no contato do homem com a natureza, com a utilização de instrumentos acústicos e flautas e reflexões sérias misturadas a contos de lugar comum ao homem.

Vale a pena ouvir só pelas épicas Montezuma e Grown Ocean

Ouça:

Album: Grooveshark

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