Sun Kil Moon – Benji

Existem alguns artistas que você fica se perguntando: Porque ficam rasgando seda pra esse cabra? Você ouve, ouve mais um pouco, lê sobre o assunto, pede a opinião dos outros, e a pergunta continua lá como um mosquitinho chato de verão te incomodando enquanto você tenta assistir tv ou dormir.

O fato é que eu nunca tinha entendido qual era a desse Sun Kil Moon, meio que resumindo é o que sobrou do Red House Painters, uma banda indie de pop/rock com aquele som triste bem anos 90 e fãs em números reduzidos mas definitivamente fiéis. O nome é  interessante, uma homenagem ao boxeador sul coreano Moon Sung Kil ou Sung Kil Mon campeão mundial dos pesos galo, aliás o boxe é uma grande inspiração para algumas das letras do vocalista Mark Kozelek, que adora falar de coisas bads, como morte (principalmente de boxeadores jovens), memórias traumatizantes, tragédias e decepções.

Aí que eu entro e falo que ele passou dessa fase tensa e agora lançou um disco lindo sobre o amor e os prazeres da vida e por isso resolvi postar esse disco sensacional, bom na verdade não, praticamente todas as canções de Benji falam sobre alguém que morreu ou está morrendo, isso deixa o clima do disco tão mórbido que ele chamou o disco de Benji que é o nome de um filme bonitinho de um cachorro que salva duas crianças, bem sessão da tarde pra dar uma animada no disco, mas o que surpreende é que ao invés da depressão tomar conta do clima do disco parece que o contrário acontece, você cria uma empatia enorme com as descrições dos personagens de Kozelek, suas paixões, suas ambições, hobbys e as pessoas que fizeram parte dessas vidas que terminaram.

Você chega a se sentir um intruso ao ouvir declarações tão íntimas sobre a personalidade de alguém que você nem conhece, tamanha a capacidade de transmitir sentimos da banda, aí que eu entendi qual o burburinho todo sobre esse cara, canções como I Can’t Live Without My Mother’s Love e Dogs são um soco no estômago, peças dignas de grandes nomes como Neil Young, Patti Smith, Bob Dylan e Lou Reed. A diferença é que esses artistas costumam colocar 2 ou 3 canções íntimas em meio a um disco com outros tipos de temas explorados como baladas e canções pops, o Sun Kil Moon resolveu fazer um disco inteiro nesse formato de canções íntimas. O resultado é pesado como díficilmente você verá por aí, não há uma busca por universalidade ou por arquétipos, você poderia ter conhecido essas pessoas ou não, o particular é mais importante e por isso é genial.

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Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra

É Meus caros, esse seria mais um caso de tweet post, já que não é a primeira aparição dos porto-alegrenses do Apanhador Só aqui no blog, mas esse disco traz uma evolução grande na banda e portanto merece algumas palavras a mais.

Os elementos que consagraram a banda permanecem lá, o humor irônico, a incorporação de sons não tradicionais ainda estão presentes como o esqueleto ou alicerce para construções mais elaboradas e experimentais. Digo isso por que parece que a banda ligou a distorção, arregaçou as mangs e resolveu mostrar como se faz um disco de rock nacional como eu não via faz tempo.

A maturidade em relação ao trabalho é nítida logo na primeira faixa Mordido, a canção vai se apresentando aos poucos até estourar em guitarras e sons de glitchs ao estilo Radiohead, simplesmente sensacional, aliás eu gostaria de ouvir um disco deles só nessa pegada. Todas as tentativas de experimentação parecem ter dado muito certo, as letras afiadas de Alexandre Kupimski parecem melhores que nunca e transformam Despirocar, um relato de um dia cotidiano numa viagem épica.

Mas a banda que parece ter encontrado um público no folk permanece ainda lá e continua dando bons frutos no esquema letra e violão. o album intercala perfeitamente diversas emoções e climas diferentes, é uma diversão ouvir Líquido Preto depois da angustiante Despirocar e quando você vê as 12 faixas já se foram. Difícil dizer isso, especialmente quando há tantos lançamentos por ae que mal valem o single, ponto ainda pela produção e distribuição independente do disco com um encarte sensacional e mantendo a tradição: disponível “no Vasco” no site dos caras.

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Laura Marling – Once I Was An Eagle

Enquanto pensava o que escrever sobre esse fantástico album, percebi que cheguei a números preocupantes de músicas na minha biblioteca, se eu tivesse gastado U$ 0,99 em caida faixa, (que é o preço médio na Amazon), eu já teria  comprado um carro popular, mas não compreenda isso como se eu estivesse me gabando, muito pelo contrário, isso prova que eu tenho um vício insustentável em ouvir música, um vício que compartilho com milhões de pessoas ao redor do mundo e não há como retroceder, não estou levantando a bandeira do DI GRÁTIS e nem declarando a morte do formato CD, mas eu gostaria muito de vislumbrar uma nova forma de retorno aos artistas.

Momentos de reflexão a parte, continuemos, Laura Marling já tinha me chamado atenção por duas razões: sua pré carreira solo no superestimado Noah And The Whale  e com seu I Speak Because I Can de 2010, um bom album com momentos bastante interessantes, mostrando uma artista buscando explorar as possibilidades de sua voz e capacidade de composição, mas que me não chegou a me motivar a fazer um post sobre ele, digamos que a moça ainda estava muito verde. Isso mudou agora quando a loirinha lançou essa notável obra do cancioneiro folk moderno

Sua voz marcante, gentil e ao mesmo tempo amarga dá o tom para as canções, sempre acompanhadas de um rico violão que “preenche” as canções. Sem grandes pirotecnias, sem truques de espelhos e fumaça Laura gruda seus ouvidos durante 16 canções, feito quase que impossível para tempos de déficit de atenção generalizado. Deve-se dar créditos ao produtor Ethan Johns pela adição primorosa de percussões precisas, que dialogam com o violão pinkfloydiano de Marling enquanto ela destila seus versos hipnotizantes, um album para quem aprecia um folk moderno e várias faixas para os impacientes que simplesmente gostam de uma boa canção.

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Rodriguez

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Ele segue sua apresentação em um bar mal iluminado e sujo, o som não está bom, o ambiente não é bom, as pessoas reclamam, mas ele permanece inabalado pelos assovios e desencorajamentos lançados a sua pessoa, nada vai impedi-lo de finalizar aquela miserável apresentação. Sua gravadora o abandonou, seu segundo album foi um fracasso retubante exatamente como o primeiro. Clarance Avant, dono da Sussex Records, dolorosamente caçoa do pobre homem dizendo que ele deve ter vendido uns 6 albums em todo o Estados Unidos. Ao final do show, Sixto Rodriguez agradece a platéia, despeja um galão de gasolina em seu corpo e se incendeia em frente a perpléxa platéia.

Outras versões dizem que Rodriguez teria dado um sorriso aos presentes enquanto puxava o gatilho do revólver ou ainda que ele teve seu fim numa overdose na cadeia, ninguém sabe ao certo o que realmente aconteceu, somente que ele desapareceu como uma névoa desaparece com o calor do sol, da mesma maneira que ele surgiu: incógnito e misterioso. A figura desse filho de imigrantes mexicanos de Detroit tornou-se uma lenda, sua voz penetrante estilo Michael Stipe, seu inseparável óculos escuro e uma pinta de rockstar tornam-o inconfundível, mas seu verdadeiro valor está em sua poesia, canções com toques de folk, blues e rock em versos geniais sobre o submundo das classes marginalizadas originadas no espírito melancólico da dura realidade das ruas de Detroit.

A história de Sixto Rodriguez é contada no documentário vencedor do Oscar, “Searching for Sugar Man”  mostrando como esse espécie de “Cartola americano”  tornou-se um dos mais influentes e reconhecidos cantores do movimento Anti-Apartheid da Africa Do Sul, pela forma como ele tratava temas controversos e que eram considerados tabu num país isolado do mundo censurados através da força por um governo fortemente militarizado. Nesse ambiente em que TVs e rádios eram controlados com punhos de ferro as canções de Rodriguez eram como hinos subversivos para os oprimidos pelo governo e fizeram com que mais de 500 mil cópias de seu album Cold Fact fossem vendidas na África do Sul enquanto permanecia um desconhecido na terra do Tio Sam.

Nada mais justo então do que adicioná-lo ao Hall de posts do Ventiladores e talvez incentivá-lo a assistir ao tocante documentário Searching For Sugar Man

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Devendra Banhart – Smokey Rolls Down Thunder Canyon

smokey rolls down

Finalmente! Hoje suspiro de alegria, ou talvez deva dizer que hoje acordei do estado vegetativo que o tédio provoca. Tal tédio que durou por 10 meses, nos quais nada que chegou aos meus ouvidos provocou qualquer comoção, mas este álbum caros ventilados, este álbum não só me deu o fôlego inspirador para escrever, me fez sorrir como quem sorri ao se identificar pela primeira vez com uma canção, aquele sorriso que é sucedido por um arrepio, uma vontade incontrolável de abraçar o ar, a vida, abraçar para sempre a sensação maravilhosa de se deixar levar pelos sentidos,  de flutuar nas águas gentis da música.

O protagonista da experiência que descrevi é Devendra Banhart, pouco fama ou reconhecimento, uma história de vida peculiar e um senso artístico raro, este americano que cresceu na Venezuela e regressou a sua terra natal para estudar artes é sem dúvida uma miríade de ideias e raízes que transcendem em forma e resultam em um processo criativo randomico, refinado e indescritivelmente empolgante, em Smokey Rolls Down Thunder Canyon, Banhart canta em Inglês, Espanhol e Português, bebe no folk, samba, rock, hippie, psicodelia e não faz isso de forma temática, mas é totalmente orgânico, como na faixa Seahorse, um verdadeiro hino a liberdade da mente e dos sentidos, com oito minutos que vão de folk, a grunge, permeada por blues e experimental, sempre te deixa a desejar que a música nunca acabe.

Gostaria de escrever páginas e páginas sobre a minha experiência ainda viva, como este álbum esta a cada minuto mais presente na minha cabeça, me fazendo dançar e flanar com as ideias, mas se eu me alongar você irá perder um tempo precioso que poderia ser dedicado apreciando às tais músicas que quero descrever, pois bem, vá e OUÇA e DELEITE-SE por si próprio!

PS: Muito obrigado Estela, por mais uma vez nos presentear com seu bom gosto ; )

 

fuck yeah.

 

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Andrew Bird – Hands Of Glory (tweet post)

Pois é, o figurinha mais manjado aqui do blog soltou outro album no ano do apocalipse Maia, e como sou fã declarado do cara já fui conferir meio receoso dele não conseguir manter o excelente nível de >Break It Yourself

Aparentemente esse é o ano do Folk, não aquele indie com carinhas bonitas e um violão que marcou os anos 2000, mas aquele que flerta com o Americana do Bluegrass e o Country, que é feito pelo povo mais “caipira” da terra do Tio Sam, mas que na realidade já não é mais dona do som per se.

Mr Bird juntou sua banda e foram a um celeiro gravar Hands Of Glory e mostrou como estúdio é coisa para os fracos.

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David Byrne & St Vincent – Love This Giant

Eu considero essa capa perturbadora e não recomendo que você fique encarando-a por muito tempo se você pretende dormir tranquilamente essa noite.

O brother de Caetano e ex-Talking Head David Byrne junta-se a queridinha dos indies St Vincent para nos presentear com Love This Giant, um album nada convencional, porém adorável, como aquele seu tio meio doido, que faz as reuniões familiares serem mais memoráveis que a troca de fofocas típicas de convenções sociais ao contar uma história não muito plausível sobre algum feito que envolve bebida alcóolica e discussões com gente desconhecida.

As músicas não encaixam no estilo particular de nenhum dos dois, mas lembra a participação de Byrne no N.A.S.A. com a mistura de metais e batidas eletrônicas em detrimento da boa e velha guitarra/baixo/bateria, e faz lembrar as experimentações realizadas pelo TV On The Radio, só que com o selo de art rock em vez de psicodelia, não há aquele distanciamento da consciência, mas não dá também para comparar ao que se faz atualmente no mainstream, ficando solto de amarras categóricas e entre nós, não vale a pena se prender nisso num album desse tipo.

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