Rival Sons – Head Down


Antes de mais nada certifique-se que você pode elevar o volume do seu aparelho de som a níveis não recomendáveis por seu  Otorrinolaringologista. Se a resposta for negativa, volte quando puder fazê-lo, aqui no Ventiladores prezamos por Rock’nRoll tocado como se deve: Alto e com estilo

Manja aquela banda maneira do colégio/faculdade que faz uns covers nervosos de clássicos como Led Zeppelin, The Who e The Doors? imagine se eles resolvessem compor umas letras próprias e adicionar toques pessoais a riffs que poderiam ter saído de Led II e outras composições mais anos 90 como Jeff Buckley e Jet e Pronto! Você tem o Rival Sons um dos sons “revival” mais competentes que já ouvi pela internet.

Não espere o virtuosismo dos sons clássicos e nem a abordagem primitiva do White Stripes, mas sim  um som que promete energizar o ambiente com jams potentes e baladas dignas de recordação, extremamente líricas e que demonstram a capacidade técnica do vocalista em alcançar notas complicadas. Os tipos de músicas que recheavam as paradas dos anos 70/80 e acabaram encolhendo até virar seu próprio nicho, mas sempre aparece alguém como o Rival Sons pra lembrar como é bom ouvir alguém rasgando a guitarra.

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Sun Kil Moon – Benji

Existem alguns artistas que você fica se perguntando: Porque ficam rasgando seda pra esse cabra? Você ouve, ouve mais um pouco, lê sobre o assunto, pede a opinião dos outros, e a pergunta continua lá como um mosquitinho chato de verão te incomodando enquanto você tenta assistir tv ou dormir.

O fato é que eu nunca tinha entendido qual era a desse Sun Kil Moon, meio que resumindo é o que sobrou do Red House Painters, uma banda indie de pop/rock com aquele som triste bem anos 90 e fãs em números reduzidos mas definitivamente fiéis. O nome é  interessante, uma homenagem ao boxeador sul coreano Moon Sung Kil ou Sung Kil Mon campeão mundial dos pesos galo, aliás o boxe é uma grande inspiração para algumas das letras do vocalista Mark Kozelek, que adora falar de coisas bads, como morte (principalmente de boxeadores jovens), memórias traumatizantes, tragédias e decepções.

Aí que eu entro e falo que ele passou dessa fase tensa e agora lançou um disco lindo sobre o amor e os prazeres da vida e por isso resolvi postar esse disco sensacional, bom na verdade não, praticamente todas as canções de Benji falam sobre alguém que morreu ou está morrendo, isso deixa o clima do disco tão mórbido que ele chamou o disco de Benji que é o nome de um filme bonitinho de um cachorro que salva duas crianças, bem sessão da tarde pra dar uma animada no disco, mas o que surpreende é que ao invés da depressão tomar conta do clima do disco parece que o contrário acontece, você cria uma empatia enorme com as descrições dos personagens de Kozelek, suas paixões, suas ambições, hobbys e as pessoas que fizeram parte dessas vidas que terminaram.

Você chega a se sentir um intruso ao ouvir declarações tão íntimas sobre a personalidade de alguém que você nem conhece, tamanha a capacidade de transmitir sentimos da banda, aí que eu entendi qual o burburinho todo sobre esse cara, canções como I Can’t Live Without My Mother’s Love e Dogs são um soco no estômago, peças dignas de grandes nomes como Neil Young, Patti Smith, Bob Dylan e Lou Reed. A diferença é que esses artistas costumam colocar 2 ou 3 canções íntimas em meio a um disco com outros tipos de temas explorados como baladas e canções pops, o Sun Kil Moon resolveu fazer um disco inteiro nesse formato de canções íntimas. O resultado é pesado como díficilmente você verá por aí, não há uma busca por universalidade ou por arquétipos, você poderia ter conhecido essas pessoas ou não, o particular é mais importante e por isso é genial.

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Guilherme Kastrup – Kastrupismo

A música brasileira tem suas qualidades e seus defeitos, digamos que nem tudo nessa terra pode-se dizer que é feito com esmero e caímos muito na questão da diversidade sonora dita “popular”, mas não podemos negar que nossa música instrumental é uma das mais fodas que tem por aí, tanto no estilo quanto na técnica. Somos abençoados com artistas como João Donato, Hermeto Pascoal, Moacir Santos, Baden Powell, Antônio Carlos Jobim  entre muitos outros que tornaram-se refêrencias mundias de música de qualidade, mas como eu gosto de dizer para os meus amigos, tudo que é bom feito aqui no Brasil é para exportação, na música não é muito diferente.

Guilherme Kastrup conseguiu fazer uma das obras mais ricas de 2013 e não deixo de pensar que suas composições serão ouvidas muito menos do que merecem, mas estamos aqui para tentar espalhar música boa aos 4 ventos não? isso é Kastrupismo uma viagem à música popular brasileira, conectando o nordeste ao sudeste entre ritmos regionais, sons dos ecossistemas brasileiros e até batidas eletrônicas misturados a instrumentos clássicos. Tudo isso vem da cabeça do produtor e percussionista Guilherme Kastrup que já trabalhou com gente do nível de Chico César, Arnaldo Antunes e Gal Costa e agora lança seu primeiro disco autoral sem participações mirabolantes, mas de um olhar clínico de quem já faz seu ofício há muito tempo e tem uma relação íntima com a  música, sabendo o que quer com cada canção.

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The Sounds – Weekend ( tweet post)

Os Suecos do The Sounds em seu 5º disco voltam a boa forma de Living In America e Dying To Say This To You com sua mistura energética de Synthpop e Dance Punk  para a alegria geral.

Não há muitas novidades no som, afinal em time que está vencendo não se mexe.  Há sim um momento de baladinhas, mas é mais ou menos como aquele aquecimento para a festa de verdade que está para começar. Temos a presença de certos coros bacanas e até um banjo em meio a batidas eletrônicas na empolgante Great Day que prepara o terreno para a épica Outlaw, uma canção que define a cara do The Sounds: agressivo, festivo e carismático, graças claro as performances de Maja Ivarsson no vocal que animam até velório. Weekend tem ainda vários outros momentos excelentes como Shake Shake Shake, Animal e Young And Wild, um disco que deixa com vontade de um bis.

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RJD2 – More Is That Isn’t (tweet post)

O brilhante RJD2 solta um novo disco pra nossa felicidade. Ele retorna equilibrando canções pops com instrumentais para agradar a todos os públicos do hip-hop, além de também aproveitar para reproduz alguns de seus beats clássicos com uma cara nova, que são alguns dos momentos mais interessantes do disco. Como é tradição em suas obras, o efeito máximo de suas canções é obtido ao serem ouvidos em ordem, ele está inclusive dividido em 3 suites, ou atos então faça o favor de ouvir ao menos uma vez da forma como ele foi pensado.

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Bonus Track: A bateria eletrônica de RJD2 é tão bem feita e orgânica que parece ser feita ao vivo. Suas viradas são tão características que ele praticamente tem um assinatura própria, em seu Remix da sua música de abertura de Mad Men  com elementos de turntablism e hip-hop e cria um clássico instantâneo.

Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra

É Meus caros, esse seria mais um caso de tweet post, já que não é a primeira aparição dos porto-alegrenses do Apanhador Só aqui no blog, mas esse disco traz uma evolução grande na banda e portanto merece algumas palavras a mais.

Os elementos que consagraram a banda permanecem lá, o humor irônico, a incorporação de sons não tradicionais ainda estão presentes como o esqueleto ou alicerce para construções mais elaboradas e experimentais. Digo isso por que parece que a banda ligou a distorção, arregaçou as mangs e resolveu mostrar como se faz um disco de rock nacional como eu não via faz tempo.

A maturidade em relação ao trabalho é nítida logo na primeira faixa Mordido, a canção vai se apresentando aos poucos até estourar em guitarras e sons de glitchs ao estilo Radiohead, simplesmente sensacional, aliás eu gostaria de ouvir um disco deles só nessa pegada. Todas as tentativas de experimentação parecem ter dado muito certo, as letras afiadas de Alexandre Kupimski parecem melhores que nunca e transformam Despirocar, um relato de um dia cotidiano numa viagem épica.

Mas a banda que parece ter encontrado um público no folk permanece ainda lá e continua dando bons frutos no esquema letra e violão. o album intercala perfeitamente diversas emoções e climas diferentes, é uma diversão ouvir Líquido Preto depois da angustiante Despirocar e quando você vê as 12 faixas já se foram. Difícil dizer isso, especialmente quando há tantos lançamentos por ae que mal valem o single, ponto ainda pela produção e distribuição independente do disco com um encarte sensacional e mantendo a tradição: disponível “no Vasco” no site dos caras.

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Donald Byrd – A New Perspective

Vamos falar de coisa boa, vamos falar de jazz!

Não ando inspirado pra escrever sobre música moderna, quando isso acontece, gosto de apelar para os clássicos e que clássico amigo! essa bolacha de 1963 é um dos meus discos favoritos, por que assim como as meninas super poderosas, A New Perspective envolve tudo que há de bom e o elemento X. Tudo que há de bom seria a Blue Note Records, responsável por alguns dos melhores discos de jazz de todos os tempos que sabiamente escalou Hank Mobley no sax tenor e Herbie Hancock no piano para tocar Hard-Bop com um coral de igreja.

O elemento X é composto pelo lendário engenheiro de som Rudy Van Gelder, que realizou a mixagem fantástica do album e Duke Pearson responsável pelos arranjos da Blue Note e que tornam a experiência de ouvir o disco em um prazer indescritível, claro que sem os músicos  nada disso seria possível, porém muitas tentativas de juntar jazz e música gospel foram feitas e pouquíssimas tiveram êxito na hora de gravar, então é preciso dar bastante crédito a esses dois. A New Perspective não só teve sucesso como experimento em mistura de ritmos, como é um excelente disco de hard-bop por si só.

Donald Byrd  morreu em abril de 2013 e nos deixou essa gema de ouro. Ele queria fazer um disco espiritual que ligasse as improvisações que os músicos faziam em cima de tradicionais canções de igreja, uma espécie de cântico moderno, sem cair nos anacronismos vergonhosos que normalmente se encaixa a música gospel em que se perde o valor musical e torna-se apenas um instrumento de pregação.

O destaque do disco fica com Cristo Redentor, a música mais conhecida do disco é fruto de uma viagem de Duke Pearson ao nosso querido país, enquanto acompanhava Nancy Wilson em suas apresentações no Rio.

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