The Murlocs – TeePee EP

O continuum é uma parada engraçada.

Eu poderia encerrar o texto aqui e botar o botão do play logo, seria inclusive melhor porque você não precisaria nem usar o scroll, e eu poderia parecer intelectual, um letrado em metafísica, mas não, prefiro perder um pouco do tempo que não mais me pertence e escrever algumas bobagens para te convencer de que é uma banda legal, ignorando todas as alternativas óbvias que te trariam aqui, mais precisamente: (i) você ouviu aleatoriamente em algum canal muito bom no youtube e está procurando o link e todo esse monte de baboseira só te faz perder 0,7331s pra achar o que realmente procura; (ii) você de alguma maneira achou este nome pelo last.fm por conhecer alguma banda relacionada e muito provavelmente nada do que eu disser importará muito; (iii) você deve ser algum tipo de lunático pra se submeter a este tipo de bobageria digital, e se você se deixa influenciar pela opinião de quem vos escreve, como diriam os Racionais Opa, pera lá, muita calma ladrão. (iv) ou não, somente não, você é puristamente do contra e foi parido pra discordar. 

Agora, depois de ler esse monte de groselha e muito provavelmente concordar com o item (iii), fica a seguinte proposta:

Pense num rolê tipo com poeira de terra e umas bolas de feno e tal, quente, muito quente, quente suficiente para fazer um cactus dançar de frente para o horizonte ondulado, preso à terra seca mas mergulhado em uma torrente de vento fervente, tão quente quanto o forno que sua mãe assa o perú de natal. E ai sonorize essa pintura com gaitas, e aqueles violões e guitarras característicos que fazem o tempo parar logo depois que você se soltou por completo no encosto da sua poltrona, atonito, até uma voz longínqua e distorcida te chamar e começar a te trazer de volta, lentamente, e quando parece estar confortável estar no calor… Alguém abriu um buraco na porta do inferno, e você sente os tapas que o vento gelado espalha na sua cara. Liberdade. Só lhe resta agora um sentimento árido.

Escute na sequência.

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O continuum é uma parada engraçada, sacou?

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Unknown Mortal Orchestra – II

“Pegue a estética futurista do anos 70 mas aquela parte bem trash do “coisas aliens futuristas são todas prateadas e fazem barulinhos metálicos/eletrônicos legais” coloque vocais que não dizem muita coisa mas que combinam com os riffs da guitarra, imite o desleixo proposital do proto-punk do stooges mas com a intenção de soar ainda mais “cool”, aliás coloque modelos nos seus clipes fazendo coisas “cool” enquanto no fundo toca o som psicodélico lo-fi mais legal do ano de 2011, ISSO é Unknown Mortal Orchestra, uma banda fingindo ser uma banda imaginária dentro de um sonho do vocalista neozelandês Ruban Nielson, doido né? muito doido.”

Disponível aqui no blog em: KFZ, Memórias eróticas sobre bandas psicodélicas lo-fi, 2011. 

Preferi hoje começar meu post com essa citação erótica do KFZ pra não entrar direto no clichê, sabe como é… Quando você é um jovem parece que há um direito implícito no senso comum de que é normal você ser contra tudo, então pra não fugir da regra, mas paradoxalmente fugindo, hoje o pokemon Herr Dunkle vai regredir para Du Kontra.  E se você – que enquanto o povo está na rua gritando pela PEC37 sem sequer saber do que se trata, está lendo nesse momento a grande fossa de cultura musical que este blog se tornou – ainda não percebeu o sarcasmo, tudo indica que você deveria se juntar a eles com a bandeira do Brasil nas costas e cantar alguma melodia remanescente do pensamento militar, tipo que você é brasileiro com muito orgulho e com muito amor – afinal paradoxo pouco é bobagem – mas lembremos que o 3G do iPhone acessa facebook e o google também, só tem gente que não sabe.

Enfim, se você riu de algo até agora, significa que você não me achou um facista, embora talvez não concorde com a definição do derivado moderno, afinal você nunca tomou cerveja comigo e também não sabe quem eu sou nem o que acho de nossa democracia, mas como um dia escreveu Sergio Dias, “me disseram que é pra competir, mas eu só penso em te ajudar”, fica ai a dica do que ouvir durante esta “revolución”, onde o galo cantao piriquito leva a fama, e ninguém questiona, plim, plim.

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MAX – Rodan

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É isso ai, senhoras e senhores.

A vida é assim, um belo e raro dia no qual você está saboreando o ócio, a melhor resolução de todos os seus quebra-cabeças pendentes se encontra no ato de pegar uma espingarda e passar horas treinando a mira em uma mosca, até sem querer acertar um mamute. No momento até rola uma indagação do tipo; “porra, não era isso exatamente o que eu queria, afinal eu mirei na mosca”, mas aí a real é que sua mira pode não estar tão aprumada, mas é um mamute, a janta tá garantida e os fins justificam os meios, ou não!

Veja bem; Zapear pela área não mercantilizada do youtube (lol) rende algumas horas de sofrimento também, mas ninguém te perturba com margarina. Eu diria que é o mais próximo de uma atividade física cerebral antes de apelar pra sudoku. No meio de rearranjadores de arranjos já arranjados, de faixas de “rock psicodélico” com 26 minutos sem muitas histórias pra contar, hora ou outra um estalo de vinyl chama a sua atenção, e ai a levada chama a sua atenção, e ai Inês é morta camarada, o funk te engoliu, ai o prog te engoliu, ai o fusion te engoliu, e tu se pergunta quantos cogumelos são necessários pra se fazer uma sopa dessas, e eles te respondem que “vários” é uma boa medida.

MAX foi uma banda norte americana aparentemente formada pela Elastik Band, mas também aparentemente não tem informação a respeito dela por ai, nem ninguém concorda com muita coisa além do ano, 1974.

A Wiki me diz que é uma banda de 4 pussycats coloridas, a Last.Fm me dá 8 opções, de Pop Rock até DJ de Barmitzva, nenhuma condizente, afinal, ninguém nem concorda nem com o nome da banda! Uns dizem que a banda chama Max, outros dizem que é Self-Titled como Rodan, mas a real é que album sequer foi lançado, não tenho idéia nem de como isso foi parar no youtube. Criem ai uma teoria conspiratória a respeito, dá um bom romance sci-fi, mas fica a critério de quem sabe escrever, pois como vocês ja perceberam, eu não sei.

In Funk We Trust!

Isso me lembra uma camiseta que comprei no Rio… Sabe como é, mirar na mosca e acertar no mamute.

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Yeah!

Fela Kuti

Porra, eu to pensando há um bom tempo sobre como começar este post, sentado de frente para esta tela brilhante, nesta noite noturna, mas a verdade é que sou muito medíocre pra escrever uma introdução que seja da altura dele.

Yeah my favorite unknown peeps! The Black President!

Pra quem conheçe e ainda não tem na discografia, shame on you! Pra que conhece e já tem, obviamente já parou de ler antes desta linha e, se for inteligente, deu play no video, e se for muito inteligente já está ouvindo 1975 inteiro. E pra falar a verdade não tenho ideia (leia-se: idêia, maldita reforma ortográfica) porque isso não veio para nossas paginas ainda.

Enfim.

Resumindo a vida do negão: Nasceu em 38 na Nigéria, com uns 20 anos foi pra Fuckin` London estudar medicina mas acabou na escola de música, começou uma bandinha de fusion, se casou, voltou pra nigéria, formou um radialista por lá, foi pra Gana, inventou o termo Afrobeat, teve rabo preso com os Panteras Negras, provocou o exercito nigeriano lançando Zombies, teve seu estúdio inteiro queimado por isso, quase morreu (jura!), enfim, o rapaz muita coisa fez por ai.

A música, se eu tentar falar, será prepotencia. O maluco cunhou o que nós chamamos de Afrobeat, tocava sax, trompete, guitarra, bateria, teclado e ainda cantava, e bem demais. Ele faz o diabo a quatro, mistura groove direto no teu sangue, te faz subir a parede e por fim bota o chão nos teus pés. Porque infernos eu, mero mortal, ousaria tal ousadia?

E prefiro nem fazer a velha recomendação de ouvir, porque isso ou aquilo, mimimi ou rarará, quaquaquá e blablabla.

Faça um favor a você mesmo.

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Faça uma boa ação também, os ouvidos alheios agradecem.

Adios!

The Books – The Way Out

Yo.

Então, eu eventualmente em meio as turbulências e quasi-incêndios e irracionalidades da vida diária lembrei de postar algo á vocês, embora eu não saiba quem vocês sejam…

Enfim queridos desconhecidos, venho ouvindo este álbum ja tem algum tempo, e acho que eu nunca me pus a escrever sobre ele justamente porque tive a impressão de nunca terminar de ouvi-lo. Metaforicamente falando, seria tipo ser tragado pra dentro de uma máquina de lavar; você começa num banho de imersão, depois começa o ciclo de lavagem, ai do nada a maquina centrifuga e te joga de molho denovo, e quando você se liga do que se passou, todo o sarcasmo do disco se transforma naquele leve sorriso que permeia os cantos da sua boca; e é por ai, embora possa não ser isso que aconteça. Lembramos que o Ventiladores não se responsabiliza se você não entrar na brisa ou errar na dose, é por sua conta e risco e openmindness.

Enfim, eu poderia ficar aqui dixavando mais e mais palavras e liando frases e frases e mais frases tentando explicar mais analiticamente o trabalho destes dois americanos doidões, mas um cara da pitchfork que ganha pra fazer isso (ou não) obviamente foi mais capaz e me deixou livre deste fardo para poder gastar as pontas dos dedos escrevendo bobagem, deixando vocês propositalmente sem ar no final das frases por conta da consistente e insistente falta de virgulas nos meus atuais mini-textos.

Pois bem:

“The Books have a terrific sense of humor– and it makes The Way Out, an album built on eccentric vocal samples, a good-natured discovery instead of a cheap piece of mockery. Imagine if a blog had posted these clips of goofball hypnotherapist and meditation consultants, or found a tape of a boy and a girl swapping violent threats with each other: You’d chuckle and move on. But when the Books use these samples, they give them integrity. You find yourself engrossed with people who are alien but also familiar. The flotsam and jetsam of American culture aren’t a cheap joke to the Books, but a source of endless discovery and joy.”

Anyway, se você procura deleite auditivo, album errado, aqui eles só querem foder com a sua mente.

Experimental level unbelievable.

 

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I gonna rip your head off (Oh… poor yankees infants).

Adios.

Dedicado ao Mr Yuri que mantém o blog alive like Daft Punk.

Apparat – Walls


Olá caros ventilados..!
Enquanto você provavelmente está naquela ressaca macadâmica implorando pro engov fazer efeito e sua dor de cabeça sumir, sim, há alguém preocupado com o bem estar dos seus ouvidos! Então pegue seu garrafão d’água e vamos lá.

Sasha Ring, também conhecido como Apparat, alemão, reside atualmente em Berlim, mas nada disso faz sentido quando você olha pra uma foto dele. Pra mim ele é cidadão da LaLaLand, faz a barba 1 vez por mês e está pouco se fodendo para qualquer coisa além da música e do seu label, a Shitkatapult (hahaha!). Começou como um “rave kid” cabeçudo produzindo techno, até que certo dia pirou, cansou do “4 to the floor” (ou o famoso Putz Putz Putz Putz) e foi causar nos derivados da Ambient Music.

Já ativo desde 1996, possui seis albums e alguns bons EPs em sua discografia, alguns deles em participações conjuntas com Modeselektor e Ellen Allien, a matriarca louca fundadora da BPitch Control. Em 2007 lançou seu até então último álbum solo, chamado Walls, e é sobre ele que iremos falar hoje.

Eu ouço este álbum há mais de um ano.. Meu contador do iTunes tá marcando 42 audições completas e, belive it or not, pra mim continua sendo um álbum novo. Até porque sou um dos partidários que música eletrônica geralmente é chata e não tem o “toque humano”, mas nesse album é tudo diferente, e beeeeem diferente mesmo.

Imagine que cada sonzinho é um objeto qualquer, digamos, o banjo indie-folk do KFZ. Há quem use o objeto pro fim que ele foi construído (tocar o banjo, por exemplo), mas há quem pegue esse objeto, digamos, o banjo, e transforme ele em um ventilador de teto USB (?!).
Haaaaaaa! É exatamente ai que o toque humano entra… Não só nas extensas alterações que cada som sofreu, mas também pela nítida sensação de que cada instrumento foi tocado por uma pessoa, com seus pequenos erros de sincronía, e não na perfeição rítmica de uma máquina.

Walls é o retrato musical da frase Apparatiana “[I’m] more interested in designing sounds than beats” por estes motivos que eu falei. É uma obra da música eletrônica que quebra todos os estereótipos já impostos. Pra quem procura textura, acho que o único álbum páreo seria o “Merriweather Post Pavilion” do Animal Collective, porém com um menos de LSD e mais bipolaridade “prozacquiana-alcoólica”. Prefiro não classificar o som, mas pra você que quer ter um rumo técnico, a solução genérica é uma mistura de Ambiental, IDM, Downbeat e Glitch Music, embora possa sair qualquer coisa muito louca de um caldeirão com essas coisas.

E não dá pra deixar de lado os vocais, com duas boas participações de Raz Ohara, além do próprio Apparat cantando em um estilo que lembra Thom Yorke e Sigur Rós. Vai a palhinha dele cantando em Arcadia, melhor do álbum na minha opinião.

Enfim, sente-se, ouça e mergulhe na parede.
Happy hangover.

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