Rival Sons – Head Down


Antes de mais nada certifique-se que você pode elevar o volume do seu aparelho de som a níveis não recomendáveis por seu  Otorrinolaringologista. Se a resposta for negativa, volte quando puder fazê-lo, aqui no Ventiladores prezamos por Rock’nRoll tocado como se deve: Alto e com estilo

Manja aquela banda maneira do colégio/faculdade que faz uns covers nervosos de clássicos como Led Zeppelin, The Who e The Doors? imagine se eles resolvessem compor umas letras próprias e adicionar toques pessoais a riffs que poderiam ter saído de Led II e outras composições mais anos 90 como Jeff Buckley e Jet e Pronto! Você tem o Rival Sons um dos sons “revival” mais competentes que já ouvi pela internet.

Não espere o virtuosismo dos sons clássicos e nem a abordagem primitiva do White Stripes, mas sim  um som que promete energizar o ambiente com jams potentes e baladas dignas de recordação, extremamente líricas e que demonstram a capacidade técnica do vocalista em alcançar notas complicadas. Os tipos de músicas que recheavam as paradas dos anos 70/80 e acabaram encolhendo até virar seu próprio nicho, mas sempre aparece alguém como o Rival Sons pra lembrar como é bom ouvir alguém rasgando a guitarra.

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The Baggios – Sina (tweet post)

Capa Sina

Minha dupla favorita de blues rock do Sergipe lançou em agosto seu segundo disco Sina, isso significa mais rock ‘n Roll brazuca da melhor qualidade, produto que é escasso e portanto deve ser apreciado.  Já cansei de rasgar seda para os caras aqui no blog, você pode ler mais sobre eles Aqui e Aqui, se já conhece os caras continue ouvindo então que Sina é muito bom, equilibrando canções pauleiras com outras mais tranquilas no estilão deles de modernizar o passado e antropofagizar as influências americanas, coisa que muitas bandas esquecem de fazer e acabam sendo pastiches do que é feito lá fora, viva The Baggios e seu jeito único de tocar.

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Gary Clark Jr. – Blak And Blu

Alguns versos de uma certa música do Ultraje a Rigor definem minha impressão do album:

“você se dá bem com todo mundo mas não é nada
tão profundo como ter uma amizade
distribui abraços e sorrisos mas não vai
poder sentir o que é um abraço de verdade.”

Ah Blak And Blu, você tinha o potencial de ser um dos melhores albums do ano, mas você preferiu tentar agradar todo mundo e ninguém gosta de gente que fica em cima do muro, mas ainda assim mal conheço o novo trabalho e já considero você pakas (Sic).

Depois do fenomenal EP Bright Lights Gary Clark Jr. deixou todo mundo com as unhas roendo de ansiedade por seu futuro album, e Blak And Blu finalmente está entre nós e é um caso bem clássico de disco fantástico com algumas gordurinhas desnecessárias, que comprometem de leve o resultado final, talvez até pela ordem das faixas isso seja mais grave, depois de canções absurdamentes hipnóticas há uma sensação de forçação de barra com outras mais lights e a continuidade fica comprometida.

Mas de maneira nenhuma ele deixa a peteca cair, é que por sua habilidade na guitarra você fica exigindo que ele te entretenha com riffs e solos até o album acabar, mas essa não é a vontade do artista, Gary Jr sempre deixou claro que ele foi influenciado por diversos ritmos e não é simplesmente um bluezeiro, e suas tentativas de fazer sons pops são definitivamente acima da média, mas sinceramente a faixa The Life deveria estar num album do The Roots.

A mixagem soa um tanto exagerada também se comparada a Bright Lights que estava limpa e coesa, agora há um excesso de produção que não faz muito sentido pra mim, enfim viadagens pessoas minhas, garanto que é um album excelente, só não é perfeito.

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Alabama Shakes – Boys & Girls

Behold! the Alabama Shakes

Quase choro de tanta felicidade em ver que temos dois discos de rock sensacionais no ano de 2012, Brittany Howard muito obrigado por dar esse presente pra história da música.

Que voz do caralho tem essa mulher, cada verso emanado da boca de Brittany parece pronto pra despertar até os mortos de tão  poderoso e emocionante. É a faceta mais pura do rock, transmissão de energia instantânea.

Eles abrem o album com munição pesada, a mais pop, mais cara de hit e claro a escolhida como single: Hold On, essa canção transborda paixão e talento, desde o riff digno dos melhores discos dos Stones, até o vocal de fazer inveja a Janis. A canção é tão boa que prejudica o resto das faixas, não que elas sejam ruins, muito pelo contrário, mas depois de uma faixa perfeita, qualquer coisa menos soa deslocado, por isso seja compreensivo com as outras músicas, elas só não são lendárias, mas são melhores do que 99% do que foi lançado nos ultimos 5 anos em relação a rock.

O som do Alabama Shakes não é nem de perto original, de fato o disco estaria bem confortável se tivesse sido lançado em meio a década de 70, mas esse processo de reimaginação de sons antigos  é feito de maneira a equiparar  ao som dos Dap Kings, Amy Winehouse e mesmo os albuns mais antigos do Black Keys. Eles passeiam pela Motown dos anos 60/70, do rock sulista que marcou o início do Kings Of Leon, do Soul do Memphis e de muitos outros monstros da música americana e claro de britânicos como o Led Zeppelin.

Baixe essa belezinha de disco e tente não ouvir ele umas 3 vezes por dia

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Dr John – Locked Down


Pois é companheiros de ventiladores, nós já temos um clássico neste ano dito fatídico pelos maias e que album… digno de um apocalipse mesmo. Sejam bem vindos ao universo de um dos caras mais criativos do blues, digno de estar no hall da fama do rock, ter participado das gravações de Exile on Main Street e carregar a bandeira dos sons de Nova Orleans esse é Dr John.

A lenda diz que Dr John era um sarcedote que praticava cerimônias Voodoos durante o séc XIX. Um talentoso músico chamado Mac Rebennack durante os anos 60 resolveu homenagear a figura histórica de sua cidade e assim nasceu Dr john, The Nightripper uma persona de Mac que misturava o R&B com música psicodélica e rituais voodoos, vestindo roupas inspiradas no figurino de Screamin’ Jay Hawkins. Obviamente seu primeiro lançamento (Gris Gris) sob seu novo pseudônimo foi um grande sucesso.

Depois de alguns albums excelentes mas sem tanta popularidade, ele diminuiu o tom de maluquices e passou a focar mais na sonoridade bem conhecida de New Orleans, nessa época ele lançou seu album de maior sucesso com participações de Mick Jagger e Eric Clapton feito  praticamente só de canções clássicas de jazz /blues da Louisiana e fincou seu lugar como um artista respeitadissimo e a partir daí seu circulo de colaborações só aumentou conforme os anos passavam.

Mas depois de um tempo Dr John tornou-se um artista cult, deixe me explicar, tinha albums  com apenas sucesso relativo  e sempre bem elogiados pela crítica. Ele ficou nessa por anos até tocar com Dan Auerbach do Black Keys durante o Bonaroo Music Festival de 2011, fã de longa data de Mac, Auerbach lhe ofereceu “produzir um album tão bom quanto a muito tempo ele não via” daí o resto da história você pode ouvir em Locked Down.

Mentira, vou dizer o que você pode esperar: um album pegajoso como um pântano de tão legal de se ouvir, as guitarras de Auerbach casaram perfeitamente com a voz e as letras de Dr John, a produção trouxe ainda mais influências no R&B/ blues do cara, tais como a pegada de afrobeat e teclados cheio de estilo e funk pra fazer 10 músicas sensacionais que passam voando de tão legais e apesar de seus mais de 70 anos, a voz do cara está cada vez melhor, ou seja, Locked Down é um disco imperdível.

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Gary Clark Jr – Bright Lights

Pra tirar a uruca do excesso de marchinhas de carnaval dos ouvidos, nada melhor que um banho de blues rock da melhor qualidade, feito por quem entende e aprendeu com os melhores, ladies, gentleman and ventilados, apresento-lhes Gary Clark Jr.

Esse jovem texano passou grande parte da sua vida aguardando por esse momento de estourar, afinal, todos que observavam o moleque tocando sabiam do talento dele. Uma voz invejável, técnica e habilidade com a guitarra de por no chinelo muito guitar hero por aí e um conhecimento dos grandes mestres do blues.

Suas melodias ainda tem influências de R&B, soul e hip hop e casam perfeitamente com sua voz a lá Curtis Mayfield, fazendo seu trabalho ao mesmo tempo ser clássico como um album do Jimi Hendrix ou do Clapton e renovar um gênero que anda morto pelo dogmatismo de seus fãs como não canso de falar aqui, viva o novo! viva o ROCK dos anos 10.

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The Baggios – The Baggios

É com muita felicidade que apresento o album de estréia do The Baggios, que nós do ventiladores já estávamos de olho faz bastante tempo, eles entraram de cabeça em turnês do circuito alternativo do Brasil inteiro e parecem estar ganhando finalmente o merecido reconhecimento.

O The Baggios é a aposta brasileira do Blues Rock, arriscado por sinal devido ao anacronismo que é o rock nacional, de um lado tiozões do classic rock com a cabeça mais fechada que coco verde e do outro jovens afeminados querendo cortar os pulsos/ se vestir de cores berrantes.

O que o The Baggios traz é uma proposta semelhante ao que fazem o Black Keys e o White Stripes, modernizar o passado, pegar o blues e turbiná-lo como grandes nomes já fizeram: Led Zeppelin, Cream entre outros, mas como bons brasileiros eles trazem as influências do maluco beleza e uma pegada suja de garage rock, que inspira as letras de espírito jovem e meio inconsequente.

O album ficou mais refinado que o som original dos caras, o que eu acho uma pena, por que metade da graça está na pegada suja da guitarra, mas mesmo assim não desaponta, quem sabe eles não encontram o produtor certo (um danger mouse da vida) no futuro que saiba balancear as duas características e faça o som deles ir ainda mais além.

Ouça:

Baixe: http://www.thebaggios.com.br