Teeth Of The Sea – Your Mercury

Ultimamente ando cansado, não cansado de postar no blog, nem aquele cansaço mental que costuma bloquear minhas resenhas de vez em quando, mas aquele cansaço físico de só querer dormir, dormir e dormir. Quando até seu programa de TV favorito não consegue te manter acordado é complicado fazer qualquer coisa, mas a música tem poderes inexplicáveis e como o Popeye depois do espinafre vim aqui com minhas forças milagrosamente recuperadas fritar um pouco a mente de vocês queridos ventileitores.

De alguma forma que não consigo lembrar, chegou aos meus ouvidos o single do Teeth Of The Sea A.C.R.O.N.Y.M. e logo baixei o album esperando mais coisa boa. Obviamente não me decepcionei com as 9 faixas restantes, um cruzamento perfeito entre post-rock e prog-rock e uns toques malucos de jazz e metal levam você a um passeio transfinito pertubador, mas de um jeito bom igual a claustrofobia intensa do Shabazz Palace , mas como costumo dizer: “não é bom por que é diferente ou tem um valor artístico que nem todo mundo vai entender, é bom por que é bom,” não faz seu estilo? no problemo amigo, continue descendo a barra de rolagem que tenho certeza que você vai achar algo que você curta.

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Caspian – Waking Season

O Gênero mais controverso aqui do blog sem dúvidas é o post-rock, afinal é bem coisa de maluco ouvir uns caras pirando em distorções infinitas por dezenas de minutos, mas não é surpresa pra quem acompanha o blog, pois sabe que alguém, cujo passatempo, é ficar escrevendo sobre música para desconhecidos sem ganhar um centavo, não pode ter todos os parafusos no lugar. E é por isso que trago-lhes mais um album que nem todo mundo vai concordar que é sensacional mas é.

Por que esse discurso tão defensivo logo de cara? pois é preconceitos com o gênero levam a você ouvir coisas como “Ah Post-Rock é um som vazio e pretensioso” e “É legalzinho mas falta um vocal” aí você tem vontade de esmurrar o filho da puta, mas você se controla porque simplesmente não vale a pena, enfim é complicado vender a idéia principalmente por ser o feijão com arroz dos indies/alternativos, é o epíteto da banda fácil de montar e por isso temos uma quantidade de bandas que compromete a qualidade do que sai no gênero, mas ao separar o joio do trigo temos coisas do naipe de  Waking Season.

O Caspian resolveu estralar os dedos e mostrar com quantos paus se faz um album de post-rock enquanto desconstrói alguns dos clichês do gênero de forma maestral, sendo um album perfeito para apresentar a atmosfera e o poder de inspiração que o post-rock tem. Desde a canção título Waking Season, há a sensação e a promessa de algo grandioso e ao longo de 10 faixas eles entregam o que prometeram, uma viagem intensa e dramática, quase teatral acompanhadas de sintetizadores e distorções que farão você querer ficar no mundo do disco pra sempre.

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Macaco Bong – This Is Rolê (tweet post)

A melhor banda de  rock instrumental brasileira lançou seu disco novo This is Rolê uma lição de casa de como fazer um disco bom e acessível, a única coisa que aparentemente não ficou legal foi a ordem das músicas que fazem o disco queimar todo o gás logo de cara, por isso recomendo ouvi-lo de trás pra frente, (sério) começando por Dedo de Zombie e finalizando com Otro, você terá aí um sucessor digno do já aclamado Artista Igual Pedreiro

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Toe – The Book About My Idle Plot On A Vague Anxiety

Depois de tê-los apresentado ao Mouse on The Keys cheguei no album e na banda que considero estar num dos meus maiores achados, desde que eu criei minha conta no Last Fm em 2007.

Aqueles bons tempos em que o Last Fm era um site gratuito e focado em bandas menores. Um vale mágico para sair da mesmice da mídia musical tradicional e criar uma experiência de descoberta feita pelos próprios usuários, que instigava você a se aprofundar cada vez mais nos gêneros e sub-gêneros até você estar ouvindo math rock feito no japão.

 

 

Mais ou menos dessa maneira tropecei nesses 4 japas que me mostraram uma nova maneira de se tocar bateria e sua interação com a guitarra e o baixo. Vale lembrar que eles não foram os primeiros nem os últimos a tentar algo diferente nessa formação tradicional, mas eles alcançaram uma assinatura própria que os diferencia até de atos semelhantes como a bateria do Mouse on The Keys, que tem uma proposta muito mais catártica do que a introspecção do som do Toe. Aliás depois de ouvir o som do Mouse o Toe que já estava começando a ficar famoso chamou-os para participar de seu selo Machu Picchu.

O barato do Toe é que soa totalmente natural você estar ouvindo rock sem um vocalista, a música é tão envolvente que na verdade uma letra estaria atrapalhando sua concentração ao ouvir o desenvolvimento da composição. Neste album em particular não há nenhuma faixa cantada, mas ao longo de sua discografia as músicas cantadas foram aparecendo,  em suas maioria são reduzidas a complementar a harmonia e para os não entendedores do japonês isso é ainda mais fácil de ser feito, então entre no mundo hipnótico do Toe logo e divirta-se.

Ouça:

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Baixe: Mediafire

 

Mouse On The Keys – An Anxious Object

Vamos brincar de fritar cérebros com música feita por japas, afinal temos certeza que eles são bons em pelo menos 2 coisas, fazer eletrônicos e tocar instrumentos clássicos de formas inacreditáveis, vide os monstros que aparecem e conquistam o ocidente com suas técnicas apuradas e energia inesgotável.

O Mouse on the Keys é uma daquelas bandas que reinventam a roda ao romper gêneros e você se pergunta como ninguém tinha feito isso antes. Afinal 2 teclados 2 pianos e uma bateria não é exatamente a formação padrão de um power trio. Faça as contas aí e você vai se perguntar:  “Pera ae power trio com 5 instrumentos?” a resposta é simples “Asians”

Como você pode ver no vídeo a agilidade dos caras é tamanha, que cada integrante da banda vale por 2 instrumentistas, daí também vem o nome da banda, porque parece que tem um rato deslizando nas teclas do piano. Acrescente um show de imagens no telão que procura “casar” com o som que eles estão fazendo faz os caras serem ainda mais incríveis de serem assistidos ao vivo e transcende a experiência de um show para um concerto.

Mas o que torna a banda tão especial é a capacidade de misturar o minimalismo do jazz e da música clássica com a explosão e urgência do Rock, criando faixas épicas, com tempos não tradicionais, cheio de quebras inesperadas e dissonâncias, ou seja um prato cheio pra quem curte improvisação, o que chamou a atenção de uma certa banda de post-rock chamada Toe que apresentarei aqui no ventiladores também e produziu esse album tão foda.

Ouça:

 

Baixe: The Pirate Bay