Laura Marling – Once I Was An Eagle

Enquanto pensava o que escrever sobre esse fantástico album, percebi que cheguei a números preocupantes de músicas na minha biblioteca, se eu tivesse gastado U$ 0,99 em caida faixa, (que é o preço médio na Amazon), eu já teria  comprado um carro popular, mas não compreenda isso como se eu estivesse me gabando, muito pelo contrário, isso prova que eu tenho um vício insustentável em ouvir música, um vício que compartilho com milhões de pessoas ao redor do mundo e não há como retroceder, não estou levantando a bandeira do DI GRÁTIS e nem declarando a morte do formato CD, mas eu gostaria muito de vislumbrar uma nova forma de retorno aos artistas.

Momentos de reflexão a parte, continuemos, Laura Marling já tinha me chamado atenção por duas razões: sua pré carreira solo no superestimado Noah And The Whale  e com seu I Speak Because I Can de 2010, um bom album com momentos bastante interessantes, mostrando uma artista buscando explorar as possibilidades de sua voz e capacidade de composição, mas que me não chegou a me motivar a fazer um post sobre ele, digamos que a moça ainda estava muito verde. Isso mudou agora quando a loirinha lançou essa notável obra do cancioneiro folk moderno

Sua voz marcante, gentil e ao mesmo tempo amarga dá o tom para as canções, sempre acompanhadas de um rico violão que “preenche” as canções. Sem grandes pirotecnias, sem truques de espelhos e fumaça Laura gruda seus ouvidos durante 16 canções, feito quase que impossível para tempos de déficit de atenção generalizado. Deve-se dar créditos ao produtor Ethan Johns pela adição primorosa de percussões precisas, que dialogam com o violão pinkfloydiano de Marling enquanto ela destila seus versos hipnotizantes, um album para quem aprecia um folk moderno e várias faixas para os impacientes que simplesmente gostam de uma boa canção.

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Rodriguez

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Ele segue sua apresentação em um bar mal iluminado e sujo, o som não está bom, o ambiente não é bom, as pessoas reclamam, mas ele permanece inabalado pelos assovios e desencorajamentos lançados a sua pessoa, nada vai impedi-lo de finalizar aquela miserável apresentação. Sua gravadora o abandonou, seu segundo album foi um fracasso retubante exatamente como o primeiro. Clarance Avant, dono da Sussex Records, dolorosamente caçoa do pobre homem dizendo que ele deve ter vendido uns 6 albums em todo o Estados Unidos. Ao final do show, Sixto Rodriguez agradece a platéia, despeja um galão de gasolina em seu corpo e se incendeia em frente a perpléxa platéia.

Outras versões dizem que Rodriguez teria dado um sorriso aos presentes enquanto puxava o gatilho do revólver ou ainda que ele teve seu fim numa overdose na cadeia, ninguém sabe ao certo o que realmente aconteceu, somente que ele desapareceu como uma névoa desaparece com o calor do sol, da mesma maneira que ele surgiu: incógnito e misterioso. A figura desse filho de imigrantes mexicanos de Detroit tornou-se uma lenda, sua voz penetrante estilo Michael Stipe, seu inseparável óculos escuro e uma pinta de rockstar tornam-o inconfundível, mas seu verdadeiro valor está em sua poesia, canções com toques de folk, blues e rock em versos geniais sobre o submundo das classes marginalizadas originadas no espírito melancólico da dura realidade das ruas de Detroit.

A história de Sixto Rodriguez é contada no documentário vencedor do Oscar, “Searching for Sugar Man”  mostrando como esse espécie de “Cartola americano”  tornou-se um dos mais influentes e reconhecidos cantores do movimento Anti-Apartheid da Africa Do Sul, pela forma como ele tratava temas controversos e que eram considerados tabu num país isolado do mundo censurados através da força por um governo fortemente militarizado. Nesse ambiente em que TVs e rádios eram controlados com punhos de ferro as canções de Rodriguez eram como hinos subversivos para os oprimidos pelo governo e fizeram com que mais de 500 mil cópias de seu album Cold Fact fossem vendidas na África do Sul enquanto permanecia um desconhecido na terra do Tio Sam.

Nada mais justo então do que adicioná-lo ao Hall de posts do Ventiladores e talvez incentivá-lo a assistir ao tocante documentário Searching For Sugar Man

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Vários Artistas – Mulheres de Péricles

Confesso que só conhecia de nome Péricles Calvancati e o projeto só me chamou atenção pelo naipe das mulheres que cantariam suas canções, figuras que perambulam os posts do Ventiladores como Karina Buhr, Tulipa Ruiz e CéU. Logo pensei – “Coisa Boa tem aí”, resolvi dar uma ouvida e confirmei minhas suposições ao ver a qualidade dos arranjos e as belas letras de Péricles.

Claro que por ter uma vasta diversidade de cantoras nem tudo é ouro, mas sem grandes dificuldades os momentos bons superam os ruins, apresentando a obra do cantor às novas gerações com uma embalagem que caminha entre o pop,rock, blues e a MPB escolhidas a dedo por sua filha Nina Calvanti porém dando total liberdade para as intérpretes e as bandas de fazerem  as músicas soarem frutos autênticos de cada cantora, um mero empréstimo e homenagem saidos da cabeça do DJ Zé Pedro, grande fã do trabalho de Calvanti e o melhor de tudo deixou disponível o download do album na faixa no site.

Baixe:Aqui

link retirado do site http://www.mulheresdepericles.com/

Vários Artistas – A Tribute To Caetano Veloso

Caetano completou 70 anos em agosto e agendado para a comemoração estava o lançamento dessa coletânea de canções do homem interpretadas por vários artistas (nacionais e internacionais) e como vão ficando coisas pendentes para serem postadas no blog devido a meu déficit de atenção ser comparável ao de um peixinho dourado, só estou postando-o em outubro. mas o importante é que ele entrou para o rol de post do ventiladores.

Os artistas são bem diversificados indo de latinos, anglo-saxões a brasileiros, assim como as canções escolhidas que valorizam as mais desconhecidas do baiano, ou seja não vai agradar a todo mundo, mas ao mesmo tempo também serve como porta de entrada para outras composições de Caetano que nem preciso dizer que possui um repertório riquissímo.

Os destaques ficam para Luisa Maitá com sua ótima versão para Trilhos Urbanos, Miguel Poveda (Força Estranha) e Chrisse Hynde com o projeto +2 cantando Empty Boat.

Ouça:

 

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Baden Powell & Vinícius de Moraes – Os Afro-Sambas

Esse LP foge bastante dos albums costumeiros do blog, mas como estou numa pegada de ouvir músicas que fazem parte da minha biblioteca há bastante tempo e não é a primeira vez que coloco um clássico aqui, vou fazer uma homenagem aqui a um dos meus albums favoritos, um divisor de águas da MPB e uma das obras primas da música brasileira.

O nome Vinícius de Moraes é praticamente um ícone, se eu disse pra alguém que estava ouvindo Vinícius a pessoa já sabe do que eu estou falando. Baden Powell, bom você precisa ter pelo menos 30 anos pra esse nome ativar sua memória, ou gostar de ouvir clássicos como é meu caso e acredito que é o de muitos dos nossos leitores, afinal ninguém vive da melhor banda de todos os tempos da última semana.

Mas, voltando ao album, só a história por trás dele daria um post:

Vinícius foi presenteado com um disco de canções de sambas de roda e candomblés da Bahia por seu amigo Carlos Coqueijo Costa, ao ouvir aqueles sons ele descobriu um novo mundo da música brasileira que nunca havia explorado. Apresenta o disco ao seu  recente novo parceiro Baden que durante 3 meses  cercados de 20 caixas de Whisky Haig’s (algo na média de 2 garrafas e meia por dia ) compõem canções e falam sobre a Bahia, assim Powell também se encanta com o sincretismo religioso e a proximidade com o canto gregoriano daquele disco, fazendo uma visita posteriormente a terra de Ruy Barbosa. Essencial para descobrir a origem daqueles sons tão hipnóticos.

Após Visitas a terreiros e rodas de capoeira guiado pelo Mestre capoeirista Canjiquinha que serve como intérprete das canções tradicionais africanas, Baden volta ao rio com a bagagem certa para criar o clássico Afro-Sambas, uma mistura de violão clássico, samba e ritmos africanos que dão o toque místico que faz o album tão poderoso e inédito.

O resultado foi esse disco gravado de forma bem pouco profissional com todos os participantes bêbados num estúdio abarrotado de bebida com suas namoradas fazendo pontas junto com as lavadeiras nas canções, Mas nada disso incomoda, os arranjos de Guerra Peixe são tão bons, o quarteto em Cy é famoso por ser afinadissimo não importa a situação e Vinícius não é Vinícius sem um copo de Whisky claro.

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Só achei no soundcloud a regravação de 1990 que é bem mais “limpa” e sem graça principalmente pela ausência do Vinícius, mas dá pra ter uma idéia de quão bom é a original

Baixe: The Piratebay

Lucas Santtana – O Deus Que Devasta Mas também Cura (tweet post)

Aparentemente temos um dos melhores discos de 2012 já em mãos.

Já cansei de exaltar o Sr. Lucas Santtana, sem discussões um dos melhores artistas da safra atual da música brasileira, toda essa babação de ovo pra dizer que óbviamente o cara acertou na mão novamente e está com um album que mistura todas as melhores facetas dos seus lançamentos anteriores, do pop ao minimalista funcionando como um album de reflexão sobre a trajetória de Santtana, enfim bom pra caralho ouça logo o album aí embaixo e depois baixe-o e seja feliz.

Ouça

Baixe:Mediafire
 

Amabis – Memórias Luso/Africanas

Gui Amabis 35 anos, músico e produtor, casado com a espetacular CéU, autor de trilhas sonoras que vão desde cidade dos homens até Senhor dar Armas e ainda produtor do coletivo Sonantes. Mas por que começar de maneira tão “sobre o autor”? minha explicação encontra-se na particularidade do conteúdo do album.

Como o nome já diz: são memórias de Amabis, mais particularmente um apanhado de suas origens portuguesas e africanas. E como um árvore genealógica que passou por um processo de recortar e colar, são apresentados ao ouvinte ao longo do album sons e relatos invocando pensamentos nostálgicos, que deveriam ser exclusivos do autor, mas através de uma excelente utilização de efeitos como o som de rádios antigos,  a sensação de ouvir um vinil dos anos 50 ou o tom cerimonial de canções remetem sempre a ações distantes e passadas, quase que indefinidas temporalmente.

O disco, apesar do tom auto-biográfico e de Gui Amabis cantar e tocar muita coisa, ainda é cheio de participações de peso e agregadoras. Temos obviamente a mulher CéU em Swell, Doce Demora e Fim de Tarde, mas não para por aí, temos o rapper e agora cantor Criolo que em Para Mulatu parece até um Milton Nascimento cantando , Lucas Santtana e Tulipa Ruiz também não fazem feio no disco que ainda contém colaborações na bateria de Curumin. Um album introspectivo que é díficil de definir, temos um tom de jazz, samba, bossa nova bem melancólica e músicas tradicionais tanto africanas como portuguesas mas que ao escutar não é nada disso. vale a degustação com calma.

Ouça :

Baixe: Amabis