The Black Angels – Passover

Alguém tão cético como eu nunca imaginaria que uma banda poderia assombrar uma pessoa, mas esses “Anjos Negros” conseguiram finalmente o que eles queriam, depois de anos martelando lentamente minha mente vou passar a palavra dos caras pra frente e ver se me livro dessa maldição.

 

Minha introdução à banda teve seu início há mais ou menos 3 anos, enquanto eu vasculhava uma das pastas “baú de tralhas” em que ficam vários albums que um dia eu talvez vá ouvir. Entre um next track após o outro começa a me tocar Black Grease com um riff distorcido e pegajoso que logo me fez pensar em Black Rebel Motorcycle Club e os primeiros discos do Black Keys, achei legal mas não me prendeu a atenção o suficiente e logo já me encontrava  pulando para a próxima banda. Mais tarde estou voltando pra casa de carona, quando eu peço pra colocar na agora defunta 107.3 ou Brasil 2000  e um certo riff familiar começa a tocar… “que coincidência legal” pensei na hora, sem saber que tais eventos iriam acontecer com uma frequência um pouco pertubadora. Coincidência ou não a 107.3 no fim do mês anunciou que ia terminar sua programação e fundir-se com a rádio Eldorado.

Por onde eu andava parecia haver referências ao Black Angels, gente postando as músicas dos caras em notícias de guerra, música de fundo de loja de eletrônicos, na TV, em filmes, os caras estavam por todos os lados! Eu até resolvi deletar a porra do album do computador num ato de mandinga pra ver se eles paravam de aparecer e meio que deu certo, por algum tempo a banda parou de “pipocar” , quando eu já nem lembrava mais deles como pneumonia mal curada, eles resolveram aparecer com um disco novo e voltaram a atormentar meu cérebro, mas a gota d’agua foi ouvir o single Young Men Dead na música de encerramento de True Detective, logo no primeiro episódio… vale lembrar que a série lida com ocultismo, seitas macabras e filosofia enquanto investigam crimes inspirados em horrores ficcionais no estilo H.P. Lovecraft, prato cheio pra mindfucks.

Mas tirando o fato que a banda te deixa biruta ela tem muitas qualidades, se você curte rock psicodélico que gosta de evocar temas psicológicos construídos a partir de eventos emocionais intensos simbolismos e amarrrados na discussão de temas grandiosos como guerra, violência, sociedade moderna, morte, religião, intolêrancia, loucura, ansiedade e drogas a banda é perfeita. Eles têm como influências o proto-punk de bandas como Stooges e Velvet Underground, misturados ao rock clássico de Jimi Hendrix e Deep Purple.

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Kasabian – 48 13 (tweet post)

O sucessor do competente Velociraptor! não veio para brincadeiras, é uma obra que pretende fornecer um disco de entretenimento em 48 minutos e 13 segundos. O que se recebe é mais algo em torno de 40 minutos de diversão e 8 de enrolação, o que não é nada mal, é provavelmente um dos melhores da discografia da banda, com alguns dos singles feitos para serem cantados em coro de milhares de pessoas como Bumblebeee e Eez-Eh. Ainda está longe de ser uma obra prima que vai ser comentada daqui a dezenas de anos, mas é bom o suficiente pra divertir a cabeça.

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Wolfmother – New Crown (tweet post)


Depois de ter falado do Led Zeppelin Wannabes Rival Sons , vou deixar aqui para apreciação o bom disco do Black Sabbath wannabes Wolfmother. Um lançamento bem humilde aliás, para uma banda que ganhou considerável fama com seu primeiro disco de estréia autointulado, mas que acabou tendo um vôo de Ícaro tocando em todas as rádios de rock do planeta e depois desaparecendo com seu bem mediocre segundo disco Cosmic Egg.

Com distribuição agora pelo Bandcamp eles voltam com New Crown, uma paulada de hard-rock de garagem da melhor espécie: curto e barulhento eles destilam maldade de dar orgulho no Ozzy.


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The Men – Open Your Heart

O The Men é uma banda no mínimo curiosa, a cada album eles sem muita cerimônia largam o estilo predominante das músicas por outros e bola pra frente, como se fosse super comum uma banda que começou tocando shoegaze pegar umas gaitas e tocar country rock.

Chega a ser engraçado ouvir Grave Desecration do primeiro album Immaculada, um noise rock pesado com vocais só gritaria e depois ouvir Sleepless do disco mais recente na época desse post Tomorrow’s Hits, uma canção que facilmente poderia estar em algum disco do Bob Dylan ou do The Birds. A banda parece ter um ciclo de metarmofose de bactérias sendo bombardeados por radiação gama.

Eu suponho que eles sofrem do mal da geração dos anos 90 pra cá, que é a falta de foco, afinal com acesso a tanta coisa por que ficar limitando suas possibilidades sonoras? Como toda boa banda de garagem seus primeiros discos são sujos e barulhentos, mas em Open Your Heart  eles encontraram um equilíbrio bom entre produção, técnica e emoção no som e assim como outros nomes que pintaram no blog (FIDLAR,The Oh Sees e Japandroids )  reciclam fórmulas tradicionais do rock de forma competente e prazerosa.

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The Sounds – Weekend ( tweet post)

Os Suecos do The Sounds em seu 5º disco voltam a boa forma de Living In America e Dying To Say This To You com sua mistura energética de Synthpop e Dance Punk  para a alegria geral.

Não há muitas novidades no som, afinal em time que está vencendo não se mexe.  Há sim um momento de baladinhas, mas é mais ou menos como aquele aquecimento para a festa de verdade que está para começar. Temos a presença de certos coros bacanas e até um banjo em meio a batidas eletrônicas na empolgante Great Day que prepara o terreno para a épica Outlaw, uma canção que define a cara do The Sounds: agressivo, festivo e carismático, graças claro as performances de Maja Ivarsson no vocal que animam até velório. Weekend tem ainda vários outros momentos excelentes como Shake Shake Shake, Animal e Young And Wild, um disco que deixa com vontade de um bis.

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Boogarins – As Plantas Que Curam

De vez em quando estou vasculhando as profundezas da cena musical belga, ou a última sensação neozelandesa quando uma voz na cabeça me diz: “Ei que tal dar uma olhada ao seu redor pra variar? em terras mais próximas e amigáveis.”

Mas o Boogarins parece que segue a lógica oposta ao meu pensamento, é apreciado mais lá fora do que em sua própria terra. Caíram nas graças do Pitchfork e foram comparados à Tame Impala e Foxygen da nova geração, além das influências bem claras de rock sessentista de preferência bem lisérgico que vai de Os Mutantes à The Beatles, num som bem polido pra um primeiro disco, porém com uma mixagem a deixar desejar, o que é o menor dos problemas já que o talento dos caras é inegável e eles ainda tem muito o que mostrar.

A parte diferenciada deles vem do clima bucólico brejeiro que as canções tem, soando hippie caipira mas do Brasil mesmo, não o bluegrass que normalmente é associado ao rock caipiresco o que me lembra um pouco  Supercordas e o Ventania dois artistas de uma já mais longa tradição lisérgica que não alcançaram o mesmo reconhecimento, talvez por falta de orçamento para um clipe legal como o single Lucifernandis e aquela coisa de estar no lugar certo na hora certa que foi na mosca com o Boogarins.

Infelizmente são só 6 músicas em As Plantas Que Curam para ouvirmos, mas uma rápida busca no youtube revela outras canções muito boas da banda como Doce, Olhos e Paul e o que me parece ser outro positivo da banda, suas apresentações ao vivo são bem fodas, vale a pena ficar de olho na banda.


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Gogol Bordello – Pura Vida Conspiracy (tweet post)

O Gogol Bordello é como uma padaria que todo dia está lá com pãezinhos fresquinhos para fazer companhia ao cafezinho e dar alegria ao seu estômago, só que eles lançam um album novo (os pãezinhos) a cada 3 anos, a receita é misturar regionalismos de todas as partes do mundo com punk para fazer companhia a sua cerveja ou bebida de preferência enquanto dá alegria aos seus ouvidos… ok não tem praticamente nada a ver com uma padaria, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. 12 faixas doidas + energia nuclear ucraniana = Good Times ou como a primeira música  do album diz: We Rise Again.


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