Jamie xx – In Colour

Antes mesmo de dar 1 minuto de album tocando, a porta do meu quarto começa a tremer com os graves de Gosh. Isso só pode significar 2 coisas: ou esse album vai ser muito firmeza ou vai ser uma merda.

Mas meio que obviamente se estou gastando meu tempo transcrevendo apertadas de botões em letras digitais, é porque esse album despertou um mínimo de interesse positivo dos meus ouvidos. Jamie XX não decepciona ao lançar seu trabalho solo que nem é tão solo assim pois seus companheiros de The XX fazem diversas pontas, mas no quesito música/influência é uma obra que foge do que a banda principal faz, muito mais calcada na trajetória de aprendizado e crescimento musical de Jamie e algumas pegadas mais abertas para o “povão”. Dá pra perceber que realmente é ele quem manda nesse disco e isso reflete no som, muito mais vibrante do que as composições minimalistas que estávamos acostumados a ouvir de seu teclado no XX, mas resumindo em poucas palavras: electronic music para se ouvir no volume de tremer parede, a ambientação precisa ser de luz baixa e preferencialmente de madrugada, aproveitem.

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Melt Yourself Down – Melt Yourself Down

Essa banda merecia um post só por essa capa birutaça, mas vamos tentar não fazer isso e cair no velho ditado de não julgar um disco (livro) pela capa.

O que esperar de uma banda que chama Melt Yourself Down? opção A: pop estilo cantaremos todos juntos num estádio, opção B: soul music de dor de cotovelo ou opção C: Jazz/afrobeat/Funk psicodélico fritadaço no Jiraya? Não precisa pensar muito, em um rápido play você já tem certeza da resposta: uma trilha sonora pronta para tirar você de órbita. A criatividade, energia e catarse da música africana é combinada com refrãos mais tradicionais de música pop/rock e fazem você querer bater uns tambores, caçar mamutes e dançar em volta de uma fogueira sacrificando animais para uma boa colheita.

Você também tem a opção de balançar a cabeça e bater o pé no ritmo da música como eu faço e curtir essa fusão de ritmos divertida e imaginar onde esses caras estavam com a cabeça na hora de produzir um disco avant-garde de world music.

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A

Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper

Nos deparamos novamente com Mr Lennox a voz mais conhecida por trás do Animal Collective, os birutas mais legais a fazerem música na última década.

A persona solo de Lennox atende por Panda Bear, trabalho  que já era conhecido pelos fãs do Animal Collective com alguns discos fantásticos como Person Pitch Spirit They’re Gone Spirit They’ve Vanished  mas após uma participação no disco do do Daft Punk Random Acess Memories, o reconhecimento é muito maior, então não mais justo do que produzir algo que possa acomodar fãs de longa data e a galera que agora conhece pela participação em Doin’ it Right dos djs robozinhos.

A príncípio PBMTGR não foge muito do som consolidado tanto na carreira solo, que busca uma pegada neo-psicodélica com influências de surf music e música pop quanto na inquietação sonora experimental do Animal Collective que busca nunca repetir o mesmo som mas bebendo principalmente da que é considerada a obra prima deles o Merryweather Post Pavillon.  O que significa que talvez esse disco seja uma espécie de compilação póstuma do Panda Bear, ele encontrou o ceifador macabro e está se despedindo com o melhor do que fez durante a carreira.

Seja lá quais forem as razões por trás do disco, é genial o trabalho de sampling feito por Lennox e o produtor Sonic Boom (Spacemen 3, MGMT) com muita coisa retirada de lugares comuns de discos de hip hop dos anos 90/2000 e levados ao patamar psicodélico e imprevisível que eles gostam de usar, isso faz com que o disco seja estranhamente familiar, como um amigo ou criança que você não vê há muito tempo e agora está totalmente diferente, mas ainda é possível traçar o caminho de volta ao passado e ver a evolução.

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Tony Allen – Film Of Life (tweet post)

O lendário baterista do Afrika 70 demonstra que não existe idade para se fazer música boa. Após sua carreira solo decolar no fim dos anos 90 Allen não para de soltar discos excelentes, Film Of Life não é excessão e carrega toda a essência do afrobeat ajustada para novos tempos.

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Spank Rock – YoYoYoYoYo

Esse disco é claramente um caso de recorrência histórica, tanto num nível individual quanto universal. Calma, vou explicar em mais palavras:

Em 2007 tive a oportunidade de assistir um show do grupo no saudoso Tim Festival. Apesar da intensa energia do grupo tocando ao vivo, capaz de animar a platéia em meio a um sol forte e pouco familiar com suas músicas, eles me passaram como um mero passatempo para os shows principais de Bjork, Arctic Monkeys e Killers, semelhantes a fogos de artifícios que criam aqueles clarões bonitos e barulhentos, mas que acabam rapidamente. Eu estava preocupado demais se Alex Turner e sua banda tocariam ou não Perhaps Vampires Is Too Strong para perceber as rimas cheias de veneno e obscenidades do grupo.

E não era só eu que subestimava o som do Spank Rock, o disco de estréia do grupo YoYoYoYoYo fez antes e melhor toda a cena de Electro-hip hop que vemos em 2013/2014 tocando nas rádios e baladas. A grande sacada do grupo é que eles  pegam todas suas influências e as levam a outro nível de loucura,  os graves alucinantes aprimorados do Miami Bass e Breakbeat, a batida e refrão característicos da house estão acompanhados de letras de deixar funkeiro carioca parecendo cantor de gospel. É  também impressionante como as músicas grudam fácil, fazendo você querer balançar a cabeça ao movimento das batidas enquanto o resto do pessoal enlouquece ao estilo Harlem Shake.

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The Soundcarriers- Entropicalia

O baú de novidades do Ventiladores traz mais uma pequena notável banda o Soundcarriers

O título do album Entropicália já entrega uma grande influência do grupo: o movimento da tropicália, mas a versão bem internacional da coisa, já que os integrantes são todos do Reino Unido, o que acaba por resumir as semelhanças no experimentalismo sonoro e uma boa dose de psicodelismo, mas esse distanciamento também reflete na vontade de levar o som dos anos 60 a novos ares, misturando-o a elementos modernos de Dream Pop com texturas e timbres complexos. Também é possível ouvir ecos de sons progressivos como Can, Jethro Tull e  Mutantes. Um disco não necessariamente imperdível mas excelente em sua proposta.

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Goat – Commune (tweet post)

Os suecos do coletivo Goat voltam a assombrar a internet com seu rock psicodélico voodo no seu segundo disco Commune. O resultado não é tão impactante quanto World Music , já que o fator novidade não tem quase efeito, mas não deixa de ser um excelente disco. Assim como seu antecessor que parecia estar possuído pelo Exu caveira, Commune apenas trocou a máscara para uma entidade menos tensa, com ar de reverenciação, quase uma missa para santos poucos ortodoxos, então abrace as danças mágicas e curta o som, ou você pode acabar ofendendo algum espírito.


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