L’Orange – The Orchid Days

Não passo muito tempo sem ouvir Hip-hop eletrônico, é definitivamente um dos meus gêneros favoritos, especialmente quando se é utilizado samples antigueiras com classe, por que existe uma grande diferença entre um recortador de discos antigos e um produtor de novos clássicos, mais ou menos como uma criança pode fazer uma colagem de revistas e jornais e uma Hannah Höch e os resultados vão ter uma qualidade final bem diferente.

O L’Orange é uma dessas figuras bem internéticas: independente, valor de produção baixo e talento sobrando misturado com o hype de algum site legal, nesse caso o Bandcamp, proporcionou o ambiente ideal para as experimentações retrôs do cara. Inspiradas nos discos de jazz pré segunda guerra mundial e gravações de rádio antigas L’Orange parece criar uma trilha sonora para um livro/filme Noir mas as batidas e participações de Hip-hop levam o disco em outras direções bastante inesperadas, é como se o Tarantino resolvesse fazer um remake do Falcão Maltês, muito do gênero clássico estaria presente, mas a todo momento teríamos referências modernas que geram um resultado novo.


 

Compre: Bandcamp

Baixe: rutracker

 

Pilotpriest – Music From 1990 – 2000 A.D.


Sempre tive um certo preconceito com os anos 80 e seus sintetizadores que acabaram com a música orgânica feita por profissionais e geraram abominações como a New Wave, boy bands e outros tipos de música genéricas e cafonas pra caralho, mas ao mesmo tempo nos deu o Kraftwerk e o Hip Hop além de democratizar a música ao permitir que qualquer um tenha uma banda (bateria, baixo, guitarra) ao alcance de alguns botões de um tecladinho, ou seja vis-à-vis podemos dizer que temos um saldo positivo, mas apenas marginalmente por que eu trocaria qualquer dia toda a inovação dos synths pela não existência do Duran Duran.

Mas não há como mudar o passado querido leitor, por isso vamos nos concentrar nas coisas boas que saem ao se resgastar esse som de synths, como o Pilotpriest, ou Anthony Scott Burns cineasta designer e músico que já fez diversos trabalhos pra MTV sendo que sua musica é frequentemente confundida com a do Daft Punk, bom os robozinhos que dominaram o mundo na companhia de Pharrell Williams com Get Lucky não inventaram esse som, mas devemos admtir que é o nome a ser lembrado ao ouvirmos synthpop misturados com House,  Electro e Rock.

Similaridades a parte, seu trabalho tem seu mérito próprio e não precisa ser defendida, cabe mais aqui ouvir do que falar, apesar de não haver quase vocais nas composições. São trilhas prontas pra qualquer cena, funciona em filme de ação, de ficção científica, romance, comédia ou assistindo as pessoas atravessando a rua enquanto você ouve o som dentro do carro, qualquer coisa, pode testar, aliás além desse trabalho foda, ele tem outro que chama Original Motion Picture Soundtrack que é tão bom quanto o Music From 1990 – 2000 A.D.  mas não está mais disponível no bandcamp para baixar então vou deixar só o Stream dos dois albums.

Compre/Baixe: http://pilotpriest.bandcamp.com


Toro Y Moi – Underneath The Pine

Quando Chazwick Bundick resolveu mostrar o que ele fazia em seu quarto com um computador e um sintetizador, já era tarde demais para voltar atrás. Ele já estava completamente envolvido com a música e daí que o mundo teve o prazer de ser apresentado ao Toro Y Moi.

Desde jovem Chaz já se envolvia com música tocando punk em bandas no colégio, foi então cultivando seu projeto pessoal Toro Y Moi, que vai desde as harmonias dos Beach Boys até o R&B dos anos 60 e 70, unidas a influências modernas como o Animal Collective e o Daft Punk, fazendo um som bem particular que aparentemente fica melhor a cada audição.

A proposta do som  é semelhante a de ouvir um album do Radiohead  pela primeira vez, você ouve e pensa “que bagulho bizarro” mas com a gradual familiarização que se faz no seu cérebro ao ir sendo exposto a essa bizarrice várias vezes, você  passa a perceber toda a intenção por trás dos sons. É como uma câmera fora de foco: você vai ajustando, ajustando até a imagem ficar nítida e você entender o que se passa.

Ajuda se você souber que esse album foi concebido após um tempo em que Chazwick ficou ouvindo compositores de filmes como Ennio Morricone e retornado a casa de seus pais em Columbia, onde ele fez muito do material original de 2010, assim se você ouvir pianos que parecem ter saído de uma composição de um western em meio a batidas eletrônicas, relax and enjoy the trip, você acaba de compreender porquê esse album é tão foda.

Compre:Amazon

Baixe: The Pirate Bay

Ouça:

Sneaker Pimps – Becoming X

\\

Trip Hop pra finalizar domingão. Trip Hop/chillout já vem aquela idéia de música de elevador na cabeça ou de “music to watch girls dance” Sneaker Pimps é então a melhor música de elevador que há por aí. Uma vocalista com voz sexy e doce que rivaliza Beth Gibbons do Portishead, batidas elétricas que parecem que vêem da sua tve um bass pra dar a profundidade caracteristica do estilo. O som parece ter sido feito pra ser acompanhado por imagens visuais, você praticamente imagina cenas com a música ao fundo, garotas dançando ah garotas dançando é uma das minhas favoritas. Perseguições, tiros, explosões, luzes estroboscópicas, pessoas correndo, pessoas andando, crianças rindo, adultos chorando, Lua Brilhando, vento soprando etc etc.
Devaneios à parte, pena Becoming X ser o único tiro certeiro deles, como diz o mundo músical “não faça um album que não possa superar”.

Compre: Amazon

Baixe: The Piratebay

Por: KFZ