Herbie Hancock – Imagine Project

Esse daqui é daqueles que você precisa comprar o album fisico para poder mostrar para todo mundo que for na sua casa, e daqui a 30, 40 anos você vai olhar ainda com mais orgulho por ter tido o privilégio de ter ouvido tal projeto, mas é bom avisar que não é exatamente de degustação rápida e sem grande importância a lá fast food. A música mais curta tem quase 5 minutos e você fica triste dela ser tão curta.

Herbie Hancock, esse nome para o cidadão comum, especialmente brasileiro não significa muita coisa, mas para os iniciados no mundinho particular do jazz é como invocar um rockstar, considerado um dos maiores pianistas de jazz contemporâneo de todos os tempos e integrante do segundo grande quinteto de ninguém menos que Miles Davis. A apresentação desse senhor de 71 fica resumida a isso, porque ele merece uns 30 parágrafos e aí fugiríamos da proposta do blog.

Vamos deixar as coisas assim: um monstro do jazz resolve pegar canções emblemáticas mas extremamente diferentes como Imagine do Lennon, Tempo de Amor do Vinicius de Moraes  e Exodus do Bob Marley, fazer novos arranjos para elas e convidar uma penca de gente do mundo inteiro para gravá-las, não é exatamente a idéia mais original do mundo, mas como ela é realizada é onde está o segredo desse album.

O cara simplesmente rodou o planetinha azul procurando músicos que pudessem agregar valor ao trabalho, pegou dezenas de instrumentos e sons diferentes para de alguma forma alcançar a idéia de Lennon de compartilhar o mundo, de forma pacífica e buscou demonstrar que a música é uma dessas formas de conexão entre os seres pensantes. E claro que rola uns rostos famosos pra dar uma divulgação ao trabalho daí rola umas aparições de Pink, Seal e John Legend, mas nada que comprometa o trabalho.

Os destaques ficam para CéU (olha ela aí de novo) interpretando a música do Vinicius com a ajuda de curumin na batera e a versão de The Times They Are A-Changin’ com participação do Chieftains e o belo vocal de Lisa Hannigan

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Amabis – Memórias Luso/Africanas

Gui Amabis 35 anos, músico e produtor, casado com a espetacular CéU, autor de trilhas sonoras que vão desde cidade dos homens até Senhor dar Armas e ainda produtor do coletivo Sonantes. Mas por que começar de maneira tão “sobre o autor”? minha explicação encontra-se na particularidade do conteúdo do album.

Como o nome já diz: são memórias de Amabis, mais particularmente um apanhado de suas origens portuguesas e africanas. E como um árvore genealógica que passou por um processo de recortar e colar, são apresentados ao ouvinte ao longo do album sons e relatos invocando pensamentos nostálgicos, que deveriam ser exclusivos do autor, mas através de uma excelente utilização de efeitos como o som de rádios antigos,  a sensação de ouvir um vinil dos anos 50 ou o tom cerimonial de canções remetem sempre a ações distantes e passadas, quase que indefinidas temporalmente.

O disco, apesar do tom auto-biográfico e de Gui Amabis cantar e tocar muita coisa, ainda é cheio de participações de peso e agregadoras. Temos obviamente a mulher CéU em Swell, Doce Demora e Fim de Tarde, mas não para por aí, temos o rapper e agora cantor Criolo que em Para Mulatu parece até um Milton Nascimento cantando , Lucas Santtana e Tulipa Ruiz também não fazem feio no disco que ainda contém colaborações na bateria de Curumin. Um album introspectivo que é díficil de definir, temos um tom de jazz, samba, bossa nova bem melancólica e músicas tradicionais tanto africanas como portuguesas mas que ao escutar não é nada disso. vale a degustação com calma.

Ouça :

Baixe: Amabis

Sonantes – EP 2008

Sonantes é um coletivo musical de vários artistas brasileiros (leia-se projeto paralelo) de nomes como CéU (nos vocais) Pupilo e Dengue da Nação Zumbi (na bateria e baixo respectivamente). Além de nomes como o produtor Gui Amabis e sua irmã Rica do Instituto,.enfim um projeto de 20 e poucas pessoas.

Coisa Fina:  Afro, latino, cancioneiro, pernambucano, planetário como diz a página do sonantes no myspace. Eles vieram para criar uma trilha sonora pra filmes inexistentes, e o resultado é um disco desconexo entre suas faixas mas que faz todo sentido na sua cabeça.

Tendo escutado o segundo album da CéU já esperava o que ouvir do sonantes pois sabia que um tinha influenciado o outro, mas Sonantes é muito mais do que uma voz, inclusive ela está ali pra complementar a música e não para ser o foco principal.

O canto de Itapeva soa como uma invocação universal. Pode ser uma música indígena, um canto africano, um canto de capoeira, um mantra ou absolutamente nada, mas aquilo forma imagens na sua mente, música realmente pra viajar longe sem psicodelia.

O Ska e o Dub misturam-se ao samba que se modifica com os back vocals e você percebe como cada artista adiciona ao trabalho, Pra quem curte um som cheio de referência aos anos 60 e 70 brasileiros o album é uma briza no tempo quente.

Ouça: http://www.myspace.com/sonantes

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Info: http://discotecanacional.wordpress.com/

Por: KFZ