Matthew E. White – Fresh Blood (tweet post)

Depois da belíssima estréia de Matthew com Big Inner, somos presentados com outro disco fantástico. Muito bem elaborado e rico em detalhes minuciosos, Fresh Blood é uma continuação digna para a discografia do cantor que se destaca por sua sonoridade madura e suave, misturando Soul, Gospel e ritmos Africanos arranjados para emocionar o ouvinte.

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Melt Yourself Down – Melt Yourself Down

Essa banda merecia um post só por essa capa birutaça, mas vamos tentar não fazer isso e cair no velho ditado de não julgar um disco (livro) pela capa.

O que esperar de uma banda que chama Melt Yourself Down? opção A: pop estilo cantaremos todos juntos num estádio, opção B: soul music de dor de cotovelo ou opção C: Jazz/afrobeat/Funk psicodélico fritadaço no Jiraya? Não precisa pensar muito, em um rápido play você já tem certeza da resposta: uma trilha sonora pronta para tirar você de órbita. A criatividade, energia e catarse da música africana é combinada com refrãos mais tradicionais de música pop/rock e fazem você querer bater uns tambores, caçar mamutes e dançar em volta de uma fogueira sacrificando animais para uma boa colheita.

Você também tem a opção de balançar a cabeça e bater o pé no ritmo da música como eu faço e curtir essa fusão de ritmos divertida e imaginar onde esses caras estavam com a cabeça na hora de produzir um disco avant-garde de world music.

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A

Tony Allen – Film Of Life (tweet post)

O lendário baterista do Afrika 70 demonstra que não existe idade para se fazer música boa. Após sua carreira solo decolar no fim dos anos 90 Allen não para de soltar discos excelentes, Film Of Life não é excessão e carrega toda a essência do afrobeat ajustada para novos tempos.

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The Soundcarriers- Entropicalia

O baú de novidades do Ventiladores traz mais uma pequena notável banda o Soundcarriers

O título do album Entropicália já entrega uma grande influência do grupo: o movimento da tropicália, mas a versão bem internacional da coisa, já que os integrantes são todos do Reino Unido, o que acaba por resumir as semelhanças no experimentalismo sonoro e uma boa dose de psicodelismo, mas esse distanciamento também reflete na vontade de levar o som dos anos 60 a novos ares, misturando-o a elementos modernos de Dream Pop com texturas e timbres complexos. Também é possível ouvir ecos de sons progressivos como Can, Jethro Tull e  Mutantes. Um disco não necessariamente imperdível mas excelente em sua proposta.

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BADBADNOTGOOD – III

Vira e mexe aparece um album que me deixa igual criança abrindo brinquedo novo, às vezes até sai até um sorriso nos lábios enquanto ouço a faixa X ou Y. É mais ou menos como me  lembro da sensação de ouvir o In Rainbows do Radiohead numa viagem de ônibus mais longa e me sentir privilegiado de poder apreciar um album tão legal com tamanha riqueza de detalhes, o sentimento de ouvir III do BADBADNOTGOOD foi particularmente muito semelhante a esse momento.

Imagine a estrutura complexa de compassos de math-rock/jazz com o peso do hip-hop injetadas numa única banda e você tem um rascunho do que é o BBNG, que evolui inicialmente de uns caras querendo fazer covers em jazz de artistas de hip-hop alternativos como MF Doom e o coletivo Odd Future, o que acaba por ser uma analogia à tradição de reinterpretação de “standards” americanos do jazz clássico, que ao longo do século XX nos forneceu algumas das performances mais incríveis da música ao serem refeitas ao som de mestres como Miles Davis e John Coltrane.

A experiência do trio saiu melhor do que qualquer um podia esperar:Dois discos com excelentes  melodias, batidas envolventes e uma capacidade de misturar sons eletrônicos com instrumentos clássicos sensacional, mas no número III, como vilões de desenho japonês escondendo seu verdadeiro poder, eles lançam um album só de composições próprias e mostram o quanto eles ainda podem surpreender. III é mais orgânico e elaborado, como uma apresentação ao vivo que pulsa junto com a audiência, permitindo o improviso transparecer nas composições.

Há  em III uma tentativa clara de de buscar uma identidade sonora própria e é aí que está a beleza da coisa, eles estão fazendo o caminho inverso da costumeira utilização de samples de jazz em composições de hip-hop, para concentrarem-se num som de jazz com elementos de hip hop. Pode parecer coisa de artista pós-moderno, mas o resultado não fica apenas como um exercício de estética, abre um nicho inteiro para ser explorado, falta agora uma cena de jazz-hop, calcada não no turntablism/scratch de caras como RJD2 e Cut Chemist, mas na improvisação dos instrumentos, enquanto isso fique sorrindo como eu ao som cabuloso de Can’t Leave The Night


 

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Donald Byrd – A New Perspective

Vamos falar de coisa boa, vamos falar de jazz!

Não ando inspirado pra escrever sobre música moderna, quando isso acontece, gosto de apelar para os clássicos e que clássico amigo! essa bolacha de 1963 é um dos meus discos favoritos, por que assim como as meninas super poderosas, A New Perspective envolve tudo que há de bom e o elemento X. Tudo que há de bom seria a Blue Note Records, responsável por alguns dos melhores discos de jazz de todos os tempos que sabiamente escalou Hank Mobley no sax tenor e Herbie Hancock no piano para tocar Hard-Bop com um coral de igreja.

O elemento X é composto pelo lendário engenheiro de som Rudy Van Gelder, que realizou a mixagem fantástica do album e Duke Pearson responsável pelos arranjos da Blue Note e que tornam a experiência de ouvir o disco em um prazer indescritível, claro que sem os músicos  nada disso seria possível, porém muitas tentativas de juntar jazz e música gospel foram feitas e pouquíssimas tiveram êxito na hora de gravar, então é preciso dar bastante crédito a esses dois. A New Perspective não só teve sucesso como experimento em mistura de ritmos, como é um excelente disco de hard-bop por si só.

Donald Byrd  morreu em abril de 2013 e nos deixou essa gema de ouro. Ele queria fazer um disco espiritual que ligasse as improvisações que os músicos faziam em cima de tradicionais canções de igreja, uma espécie de cântico moderno, sem cair nos anacronismos vergonhosos que normalmente se encaixa a música gospel em que se perde o valor musical e torna-se apenas um instrumento de pregação.

O destaque do disco fica com Cristo Redentor, a música mais conhecida do disco é fruto de uma viagem de Duke Pearson ao nosso querido país, enquanto acompanhava Nancy Wilson em suas apresentações no Rio.

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Matthew E. White – Big Inner

Vamos lá queridos leitores, quero lhes apresentar uma mente privilegiada da música, um daqueles caras que desmontam canções como  se fossem peças de lego e criam momentos inesquecíveis. Essa é a sensação de ouvir Big Love e na hora perceber que ainda tem gente que faz música com o coração.

Tudo é singelo em Big Inner, é nítido o cuidado que foi  dado aos arranjos e na sensação de produto finalizado, como se o album tivesse sido feito num estúdio no Tennessee acompanhado de um banda entrosada  e backing vocals de igreja. Aliás o gospel tem uma forte influência nesse album, desde a abordagem delicada e espiritual e mais escancaradamente quando Matthew canta “Jesus Christ Is our Lord, Jesus Christ he is your friend” mas não se deixe iludir com a faceta angelical pois temos um contrabaixo caprichado e uma influência africana na percussão que nos deixa perguntando se Matthew é um Stevie Wonder que enxerga ou se é só genialmente insano.

Ouvir a voz de White é como receber um abraço carinhoso: Em nenhum momento ela emana agressividade e na maioria do tempo é lenta como uma pluma caindo no chão. Nada consegue te incomodar enquanto você ouve as 7 faixas de Big Inner, sem necessariamente ter que apelar para a lisergia psicodélica que alcança uma similar catarse. Tudo que vai passar pela sua cabeça ao ouvir esse disco será uma vontade de ouvir mais e mais, especialmente na epopéia final de Brazos que provavelmente deve ser alguma forma esquecida de invocar anjos que estiverem passando no local enquanto ela toca.

Um album notável numa época marcada pelo “faça você mesmo” em que tudo é feito atrás de uma mesa de edição, Matthew deveria portanto se destacar na multidão por sua finesse, mas seu som é tão peculiar e moderado que no mundo da internet onde nem fogos de artificio e mulheres semi-nuas são garantia de sucesso não dá para saber até onde irá o alcance desse barbudo branquelo. Vale uma minoria apreciar esse album de estréia tão silencioso e prazeroso e espalhar a semente da boa música de boca a boca, de blog em blog, até Big Inner ser notado pela sua qualidade sonora.

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