Amabis – Memórias Luso/Africanas

Gui Amabis 35 anos, músico e produtor, casado com a espetacular CéU, autor de trilhas sonoras que vão desde cidade dos homens até Senhor dar Armas e ainda produtor do coletivo Sonantes. Mas por que começar de maneira tão “sobre o autor”? minha explicação encontra-se na particularidade do conteúdo do album.

Como o nome já diz: são memórias de Amabis, mais particularmente um apanhado de suas origens portuguesas e africanas. E como um árvore genealógica que passou por um processo de recortar e colar, são apresentados ao ouvinte ao longo do album sons e relatos invocando pensamentos nostálgicos, que deveriam ser exclusivos do autor, mas através de uma excelente utilização de efeitos como o som de rádios antigos,  a sensação de ouvir um vinil dos anos 50 ou o tom cerimonial de canções remetem sempre a ações distantes e passadas, quase que indefinidas temporalmente.

O disco, apesar do tom auto-biográfico e de Gui Amabis cantar e tocar muita coisa, ainda é cheio de participações de peso e agregadoras. Temos obviamente a mulher CéU em Swell, Doce Demora e Fim de Tarde, mas não para por aí, temos o rapper e agora cantor Criolo que em Para Mulatu parece até um Milton Nascimento cantando , Lucas Santtana e Tulipa Ruiz também não fazem feio no disco que ainda contém colaborações na bateria de Curumin. Um album introspectivo que é díficil de definir, temos um tom de jazz, samba, bossa nova bem melancólica e músicas tradicionais tanto africanas como portuguesas mas que ao escutar não é nada disso. vale a degustação com calma.

Ouça :

Baixe: Amabis

Lucas Santtana – Sem Nostalgia

Mais um post de música brasileira, apesar de muitas músicas em inglês particularmente nesse album, e já mando os spoilers de que é um estilo meio Caetano no consagrado Transa.

Lucas Santtana, por favor não confundir com Luan Santana (por que a única coisa que eles têm em comum é o nome) é mais um nome proeminente dessa safra boa da nova mpb nem tão nova no caso dele, digamos que o cara já é figura carimbada no meio musical e nunca “estourou” de verdade apesar de já ter feito até trilha sonora de filme brasileiro e seu disco de estréia ter entrado no top 10 discos independentes do new york times.

Esse baiano sangue bom, já tocou com a Nação Zumbi, Gilberto Gil e já teve diversas músicas regravadas por artistas como Daniela Mercury. Multiinstrumentista, toca flauta, sax, guitarra, violão, cavaco, baixo e provavelmente qualquer coisa que faça barulho.Os anos na faculdade de música têm sua relevância nisso claro, o cara aprendeu a ouvir todo tipo de som, e criar combinações interessantíssimas com elas.

Esse album em particular há uma forte influência do som da tropicália e do mpb feito pelo saudoso caetano entre outros nomes como o próprio Gil e Jards Macalé, mas com uma carga de sons já quase que obrigatórios como os sons jamaicanos do Dub, Reggae, dancehall,  mas ele vai mais fundo buscando batidas do funk carioca, juntando o afrobeat, o manguebeat e o samba claro principalmente na hora de criar as letras além de como todo bom nordestino há vários ecos de ritmos como o baião.

Seu estilo de cantar lembra bastante o do vocalista do Mundo Livra S/A – Fred Zero Quatro, nas faixas em português é claro, porquê quando ele resolve mandar o inglês, vem na hora aquele caetanês tão conhecido, que com seu estilo peculiar de pronunciar as palavras resulta num som bem legal ( Tive a oportunidade de ouvi-lô ao vivo e recomendo altamente ir a um show dele).

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Baixe: A Musicoteca (Link retirado do site http://www.amusicoteca.com.br muito bom esse site por sinal)

Site do Músico : http://www.diginois.com.br/