Donald Byrd – A New Perspective

Vamos falar de coisa boa, vamos falar de jazz!

Não ando inspirado pra escrever sobre música moderna, quando isso acontece, gosto de apelar para os clássicos e que clássico amigo! essa bolacha de 1963 é um dos meus discos favoritos, por que assim como as meninas super poderosas, A New Perspective envolve tudo que há de bom e o elemento X. Tudo que há de bom seria a Blue Note Records, responsável por alguns dos melhores discos de jazz de todos os tempos que sabiamente escalou Hank Mobley no sax tenor e Herbie Hancock no piano para tocar Hard-Bop com um coral de igreja.

O elemento X é composto pelo lendário engenheiro de som Rudy Van Gelder, que realizou a mixagem fantástica do album e Duke Pearson responsável pelos arranjos da Blue Note e que tornam a experiência de ouvir o disco em um prazer indescritível, claro que sem os músicos  nada disso seria possível, porém muitas tentativas de juntar jazz e música gospel foram feitas e pouquíssimas tiveram êxito na hora de gravar, então é preciso dar bastante crédito a esses dois. A New Perspective não só teve sucesso como experimento em mistura de ritmos, como é um excelente disco de hard-bop por si só.

Donald Byrd  morreu em abril de 2013 e nos deixou essa gema de ouro. Ele queria fazer um disco espiritual que ligasse as improvisações que os músicos faziam em cima de tradicionais canções de igreja, uma espécie de cântico moderno, sem cair nos anacronismos vergonhosos que normalmente se encaixa a música gospel em que se perde o valor musical e torna-se apenas um instrumento de pregação.

O destaque do disco fica com Cristo Redentor, a música mais conhecida do disco é fruto de uma viagem de Duke Pearson ao nosso querido país, enquanto acompanhava Nancy Wilson em suas apresentações no Rio.

Compre:Amazon

Baixe:Kickasstorrents

Booker T. Jones – The Road From Memphis

Nunca ouviu falar de Booker T. and The M.G.s ? se você tem menos de 30 anos você está perdoado pelos poderes concedidos a mim através do Ventiladores. Como acontece com Herbie Hancock, eu provavelmente  escreveria uma biografia inteira se começasse a destrinchar a vida do cara, então vamos ficar com o básico.

Booker T. Jones ( Só T, o T não significa nada) é um multi instrumentista nascido em Memphis, Tennessee, terra do Rock’N Roll Baby e ficou famoso por sua colaboração no que ficou conhecido como Southern Soul, em que o foco da música é o seu “groove” e não as letras. Junto com seu grupo, o The M.G.s, obtiveram reconhecimento de todos os grandes artistas da década de 60 e adiante e suas colaborações, principalmente de Booker T no piano são clássicas e famosas na terra do tio Sam. Se você precisava injetar groove na sua música, você sabia quem deveria chamar.

Muitos anos depois a história é a mesma, Booker T,  famoso por suas versões instrumentais de canções pops volta com um album cheio de participações especiais, e mostra que a idade só permitiu que ele se tornasse mais minimalista em suas composições e arranjos, transformando hits do séc XXI em puro soul, inclusive arriscando alguns vocais.

O album abre com a excelente Walking Papers, que faz você querer ser um Pimp na década de 70 e andar com uma bengala cravejada de diamantes, se ele não te convenceu aí, espere a versão de Crazy começar pra decidir alguma coisa, afinal se a versão original já gruda, você praticamente quer cantar o refrão em voz alta toda vez que o orgão dá a deixa. Temos ainda as cantadas Representing Memphis com a Sharon Jones fazendo duo com Matt Berninger e The Bronx com um Lou Reed todo malandrão cantando sobre o lendário bairro novaiorquino.

Compre:Amazon
Baixe: Btmon
Ouça: Walking Papers / The Vamp / Representing Memphis

Herbie Hancock – Imagine Project

Esse daqui é daqueles que você precisa comprar o album fisico para poder mostrar para todo mundo que for na sua casa, e daqui a 30, 40 anos você vai olhar ainda com mais orgulho por ter tido o privilégio de ter ouvido tal projeto, mas é bom avisar que não é exatamente de degustação rápida e sem grande importância a lá fast food. A música mais curta tem quase 5 minutos e você fica triste dela ser tão curta.

Herbie Hancock, esse nome para o cidadão comum, especialmente brasileiro não significa muita coisa, mas para os iniciados no mundinho particular do jazz é como invocar um rockstar, considerado um dos maiores pianistas de jazz contemporâneo de todos os tempos e integrante do segundo grande quinteto de ninguém menos que Miles Davis. A apresentação desse senhor de 71 fica resumida a isso, porque ele merece uns 30 parágrafos e aí fugiríamos da proposta do blog.

Vamos deixar as coisas assim: um monstro do jazz resolve pegar canções emblemáticas mas extremamente diferentes como Imagine do Lennon, Tempo de Amor do Vinicius de Moraes  e Exodus do Bob Marley, fazer novos arranjos para elas e convidar uma penca de gente do mundo inteiro para gravá-las, não é exatamente a idéia mais original do mundo, mas como ela é realizada é onde está o segredo desse album.

O cara simplesmente rodou o planetinha azul procurando músicos que pudessem agregar valor ao trabalho, pegou dezenas de instrumentos e sons diferentes para de alguma forma alcançar a idéia de Lennon de compartilhar o mundo, de forma pacífica e buscou demonstrar que a música é uma dessas formas de conexão entre os seres pensantes. E claro que rola uns rostos famosos pra dar uma divulgação ao trabalho daí rola umas aparições de Pink, Seal e John Legend, mas nada que comprometa o trabalho.

Os destaques ficam para CéU (olha ela aí de novo) interpretando a música do Vinicius com a ajuda de curumin na batera e a versão de The Times They Are A-Changin’ com participação do Chieftains e o belo vocal de Lisa Hannigan

Compre:Amazon
Baixe: The Pirate Bay