BADBADNOTGOOD – III

Vira e mexe aparece um album que me deixa igual criança abrindo brinquedo novo, às vezes até sai até um sorriso nos lábios enquanto ouço a faixa X ou Y. É mais ou menos como me  lembro da sensação de ouvir o In Rainbows do Radiohead numa viagem de ônibus mais longa e me sentir privilegiado de poder apreciar um album tão legal com tamanha riqueza de detalhes, o sentimento de ouvir III do BADBADNOTGOOD foi particularmente muito semelhante a esse momento.

Imagine a estrutura complexa de compassos de math-rock/jazz com o peso do hip-hop injetadas numa única banda e você tem um rascunho do que é o BBNG, que evolui inicialmente de uns caras querendo fazer covers em jazz de artistas de hip-hop alternativos como MF Doom e o coletivo Odd Future, o que acaba por ser uma analogia à tradição de reinterpretação de “standards” americanos do jazz clássico, que ao longo do século XX nos forneceu algumas das performances mais incríveis da música ao serem refeitas ao som de mestres como Miles Davis e John Coltrane.

A experiência do trio saiu melhor do que qualquer um podia esperar:Dois discos com excelentes  melodias, batidas envolventes e uma capacidade de misturar sons eletrônicos com instrumentos clássicos sensacional, mas no número III, como vilões de desenho japonês escondendo seu verdadeiro poder, eles lançam um album só de composições próprias e mostram o quanto eles ainda podem surpreender. III é mais orgânico e elaborado, como uma apresentação ao vivo que pulsa junto com a audiência, permitindo o improviso transparecer nas composições.

Há  em III uma tentativa clara de de buscar uma identidade sonora própria e é aí que está a beleza da coisa, eles estão fazendo o caminho inverso da costumeira utilização de samples de jazz em composições de hip-hop, para concentrarem-se num som de jazz com elementos de hip hop. Pode parecer coisa de artista pós-moderno, mas o resultado não fica apenas como um exercício de estética, abre um nicho inteiro para ser explorado, falta agora uma cena de jazz-hop, calcada não no turntablism/scratch de caras como RJD2 e Cut Chemist, mas na improvisação dos instrumentos, enquanto isso fique sorrindo como eu ao som cabuloso de Can’t Leave The Night


 

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