tUnE-yArDs – WhoKill

Considerei bastante antes de fazer esse post, queria saber se estou beirando aquele ponto sem volta de ouvir musicas que você e no máximo umas três pessoas além da banda ouvem e conseguem curtir. Não me entendam mal, não sou um adepto exclusivo da música experimental nem julgo um som “melhor” ou “pior” que outro, música é arte também, uma manifestação da individualidade do ser humano, esse sentimento de intimidade e identificação com a música alheia é o que faz os gêneros folk e lo-fi serem uma armadilha por que faz você achar foda alguém tocar um violão ou uma guitarra e cantar bem mais ou menos, mas a emoção de ver alguém tentando fazer o próprio som é algo meio gratificante pra quem curte música, pra mim o folk é o novo punk, aquela coisa de “Do It Yourself” eu acredito que em breve todo mundo vai fazer música, vai ser tão normal quanto andar de bicicleta, usar o computador, ou jogar video game.

Falei falei e nem introduzi a banda ainda, calma existe um contexto por trás dessa introdução, Tune-Yards é o projeto de uma mulher só, imagina o trabalho maldito que deve dar gravar sua voz em loop pra fazer seu próprio backing vocal, depois gravar o vocal principal, todas as percussões mais bizarras que você conseguir achar e ainda fazer soar como se fossem guerreiros africanos preparando pra a festa da colheita. Isso é Tune-Yards, a sra Merril Garbus se divertindo com tudo que pode ser feito num estúdio, sem necessidade de rebuscamento eletrônico, só a voz de Merryl consegue compor uma canção de ninar e em outra faixa fazer você querer se pintar de indio e ir querer explorar as selvas, ou criar algo que parece um “flow” de rap acompanhado de ukelele e um baixo potente.

Falando em baixo, nesse segundo album do Tune-Yards Garbus ganhou o reforço do baixista Nate Brenner e do engenheiro de som Eli Crews, responsáveis pela evolução sonora que WhoKill teve em relação ao seu antecessor Bird-Brains ao incorporar elementos de R&B, jazz e soul, não que isso deixe o som mais acessivel, na verdade você fica se perguntando como um som que desafia as noções de música comum pode te agradar? a melhor maneira que consegui explicar essa sensação é compará-la a ouvir Sonic Youth, quando eles não estão fazendo um monte de ruído sem noção eles fazem excelentes canções, é isso que ocorre quando ouço Gangsta, a música é muito boa, mas te deixa maluco como se ela tivesse querendo furar seu cérebro, depois desse mindfuck vem pra mim a melhor faixa chamada Powa que tem uma das melhores cadências que já ouvi, é hipnotizante, é por causa desse tipo de canção que música experimental é foda.

Deixe tudo que você já ouviu de música na porta e entre no mundo explorado por essa mulher insana, mas cuidado pra ela não acabar fritando seu cérebro enquanto você ouve pela 99ª vez o album.

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Baixe: The Pirate Bay

Ouça:

2 comentários sobre “tUnE-yArDs – WhoKill

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